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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensArtesMédio

Questão 98ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

Colcha de retalhos representa a essência do mural e convida o público a

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Artes → Arte contemporânea → mural em espaço público e estética do cotidiano
  • Habilidade: H12 — reconhecer diferentes funções da arte, do trabalho da produção dos artistas em seus meios culturais
  • Nível: Médio — o título da obra entrega a chave, mas dois distratores são muito plausíveis para um painel de estação de metrô
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: a que o mural convida o público, sendo a colcha de retalhos a sua essência.
  • Palavras-chave decisivas: colcha de retalhos, essência do mural, convida o público a.
  • A armadilha: responder pelo lugar em que a obra está, e não pelo que ela é. Um painel enorme numa estação de metrô sugere de imediato movimento e participação — e duas alternativas oferecem exatamente isso. Mas o comando amarra a resposta à colcha de retalhos, e não ao corredor.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você lê o que a referência escolhida pelo artista significa, e que não confunde estar em espaço de circulação com exigir interação física.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Mural: obra executada sobre parede ou painel fixo, em geral de grandes dimensões e em espaço público. Nasce integrada à arquitetura e ao trânsito das pessoas, e não à visita de museu. Isso muda o público: quem vê o mural não escolheu vê-lo.
  • Mosaico figurativo: técnica em que a imagem é formada pela justaposição de pequenas peças. "Figurativo" significa que a composição reconhece formas do mundo — portas, janelas, arcos, faixas —, em oposição ao mosaico puramente abstrato.
  • Colcha de retalhos: peça doméstica feita de sobras de tecido costuradas em blocos. É objeto de trabalho manual popular, associado à casa, à economia dos restos e à memória familiar. Adotá-la como princípio de composição é trazer para o campo da arte um repertório que vem da vida comum.
  • Estética do cotidiano: deslocamento pelo qual objetos, materiais e cenas ordinárias passam a ser matéria de arte e objeto de fruição estética. A obra não representa um ideal de beleza: ela ensina a olhar para o que já estava ali.
  • Estética clássica: conjunto de princípios ligados à tradição greco-romana e ao Renascimento — proporção harmônica, simetria, perspectiva ilusionista, idealização da figura humana. Opõe-se frontalmente à fragmentação geométrica de um painel em blocos.
  • Arte participativa: proposta em que a obra só se completa com a ação física do público, que manipula, atravessa, veste ou reorganiza elementos. Um painel fixo na parede, por definição, não pertence a essa categoria.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: a legenda "Colcha de retalhos. Mosaico figurativo" → o título nomeia a referência que organiza a obra, e o artista a escolheu entre todas as possíveis. Não é um nome descritivo do lugar nem do material: é uma declaração de repertório.
  • Evidência 2: a imagem do painel → a superfície é dividida em blocos justapostos, cada um com padrão próprio — listras, arcos, retângulos, círculos, formas que lembram portas, janelas e fachadas. É a lógica visual da colcha aplicada à parede.
  • Evidência 3: "Estação de Metrô Sé" → a obra está num local de passagem cotidiana, integrada ao percurso diário de quem trabalha e circula pela cidade. O público não vai até ela; ela está no caminho.
  • Evidência 4: o comando afirma que a colcha de retalhos "representa a essência do mural" → o enunciado já decidiu qual é o elemento central da leitura. A resposta tem de derivar dele, e não de outra característica da obra.
  • Síntese: um objeto doméstico e popular vira princípio de composição de uma obra instalada no trajeto diário da cidade. Os dois extremos — a colcha e o metrô — apontam para o mesmo lugar: o cotidiano como matéria estética.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — O que a colcha de retalhos carrega

A colcha de retalhos não é uma forma neutra. Ela traz três coisas de uma vez:

  • origem doméstica e popular — é trabalho manual feito em casa, fora do circuito das belas-artes
  • composição por fragmentos — blocos diferentes, costurados lado a lado, sem hierarquia entre eles
  • reaproveitamento — nasce do que sobrou, do que seria descartado

Ao adotar essa lógica num mosaico monumental, o artista promove o repertório da vida comum à condição de obra.

4.2 — O que o lugar acrescenta

A obra está numa estação de metrô, e não num museu. Isso reforça, e não substitui, a leitura anterior: a arte encontra o passageiro no meio da rotina, e não em uma visita programada. O cotidiano é ao mesmo tempo o assunto da composição e o contexto da fruição.

4.3 — O que o convite não pode ser

Convidar supõe uma atitude possível diante daquela obra. Um painel de mosaico fixo à parede não pode ser manipulado nem reorganizado, então não convida a intervir na composição. Também não apresenta proporção idealizada, figura humana clássica nem perspectiva ilusionista, então não convida a reconhecer a tradição clássica. E, sendo figurativo e apoiado num repertório coletivo e reconhecível, não remete ao mundo interior do artista.

4.4 — Verificação

Resta o convite que a colcha de retalhos sustenta diretamente: olhar com atenção estética para aquilo que pertence à vida ordinária. Gabarito: A.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) apreciar a estética do cotidiano — A colcha de retalhos é objeto doméstico, popular e feito de sobras, e é ela que dá ao mural sua lógica de blocos justapostos com padrões diversos. Ao transpor essa referência para um painel monumental instalado numa estação de metrô, a obra propõe que o passageiro reconheça valor estético no que é comum — o tecido de casa, a fachada, a janela, o percurso de todo dia. Assunto e contexto apontam para o mesmo convite.

(B) interagir com os elementos da composição — Distrator forte, porque participação do público é traço frequente na arte contemporânea. O problema é que este mural é um mosaico fixo à parede: suas peças não se movem, não se reordenam e não podem ser manipuladas. Interação, no sentido técnico, exige que a obra se complete pela ação do espectador — e aqui a composição está fechada.

(C) refletir sobre elementos do inconsciente do artista — Desloca a obra para o repertório surrealista, em que imagens oníricas e associações livres remetem ao mundo interior de quem criou. O mural faz o contrário: parte de uma referência coletiva e imediatamente reconhecível, a colcha de retalhos, e organiza formas do ambiente urbano. É arte de repertório compartilhado, não de subjetividade privada.

(D) reconhecer a estética clássica das formas — Contraria tudo o que a imagem mostra. A estética clássica se define por proporção harmônica, simetria, idealização da figura humana e perspectiva ilusionista. O painel é geométrico, fragmentado em blocos autônomos, sem centro hierárquico e sem profundidade ilusionista. A referência é a costura popular, não a tradição greco-romana.

(E) contemplar a obra por meio da movimentação física — O segundo distrator forte, e o mais sedutor, porque o mural é longo e o público de fato caminha diante dele. Mas caminhar por um corredor é circunstância do local, não proposta da obra. Além disso, o comando amarra a resposta à colcha de retalhos, e a colcha diz respeito ao repertório da composição, não ao deslocamento do espectador.

Gabarito: A — tomar a colcha de retalhos como princípio de composição e instalar o resultado no trajeto diário da cidade é convidar o público a enxergar valor estético no cotidiano.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só A se sustenta: B e E confundem o local de circulação com uma proposta de participação; C atribui à obra uma poética subjetiva que ela não tem; D descreve princípios formais opostos aos da imagem. A é a única que parte da colcha de retalhos, que o comando definiu como essência.
  • Como o ENEM cobra isso: arte contemporânea aparece com obra em espaço público — grafite, intervenção urbana, painel de metrô, escultura de praça — e a pergunta é sobre a relação que a obra propõe com o público. Título e legenda costumam entregar a chave.
  • A regra geral: leia o título como parte da obra. Quando o comando diz que determinado elemento é a essência do trabalho, a resposta tem de derivar desse elemento, e não do local, do tamanho ou do material.
  • Eliminação em 30 segundos: descarte primeiro as alternativas que exigem ação física do público — a obra é um mosaico fixo. Depois descarte a estética clássica, incompatível com um painel de blocos geométricos. Sobram duas, e a colcha de retalhos decide entre elas.
  • Temas que costumam vir junto: arte pública e democratização do acesso, apropriação de objetos e materiais populares, mosaico e muralismo, e a distinção entre arte contemplativa e arte participativa.

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