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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 101ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

O senso comum é que só os seres humanos são capazes de rir. Isso não é verdade?

Não. O riso básico – o da brincadeira, da diversão, da expressão física do riso, do movimento da face e da vocalização — nós compartilhamos com diversos animais. Em ratos, já foram observadas vocalizações ultrassônicas – que nós não somos capazes de perceber – e que eles emitem quando estão brincando de “rolar no chão”. Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro, o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria. Sem o riso, o outro pensa que está sendo atacado. O que nos diferencia dos animais é que não temos apenas esse mecanismo básico. Temos um outro mais evoluído. Os animais têm o senso de brincadeira, como nós, mas não têm senso de humor. O córtex, a parte superficial do cérebro deles, não é tão evoluído como o nosso. Temos mecanismos corticais que nos permitem, por exemplo, interpretar uma piada.

Disponível em http://globonews.globo.com. Acesso em 31 maio 2012 (adaptado)

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. Analisando o trecho “Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro”, verifica-se que ele estabelece com a oração seguinte uma relação de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Coesão textual e relações lógico-semânticas entre orações
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta correta e a mais tentadora (consequência) descrevem, no fundo, o mesmo fato do mundo real, e só a análise da estrutura gramatical do trecho separa as duas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Coesão textual — reconhecer o valor semântico de orações reduzidas de gerúndio (Competência de Área 1: reconhecer diferentes registros e usos da língua, com foco em articulação textual)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que relação lógico-semântica a oração reduzida de gerúndio estabelece com a oração que vem em seguida?"
  • Palavras-chave decisivas: "Acontecendo de", relação com a oração seguinte, coesão textual
  • Armadilha típica: achar que, como o dano cerebral de fato causa a falta de vocalização no mundo real, a resposta certa tem que ser "consequência" — o comando, porém, pede a relação instaurada pela construção gramatical usada, não apenas o encadeamento factual dos eventos.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato reconhece a locução "acontecer de + infinitivo" como marcador de hipótese/eventualidade, e não como afirmação de um fato já consumado — o que desloca a leitura de causa/consequência para condição.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Coesão textual: conectores, pronomes, tempos verbais e orações reduzidas que costuram as partes de um texto e sinalizam como uma ideia se relaciona com a outra.
  • Orações reduzidas de gerúndio: não têm valor semântico fixo; podem expressar tempo, causa, condição, concessão ou modo, conforme o sentido do contexto.
  • Locução "acontecer de + infinitivo": construção idiomática que indica eventualidade, possibilidade — equivale a "se por acaso", "na hipótese de". Diferente de narrar um fato já ocorrido.
  • Relação de condição: uma oração (prótase) traz um requisito hipotético para que se realize o que a outra (apódose) afirma; parafraseável com "se", "caso", "desde que".
  • Relação de consequência: uma oração expõe o efeito de um fato já dado como certo na outra; admite conectores como "por isso", "consequentemente".

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Acontecendo de o cientista provocar um dano em um local específico no cérebro" → o verbo "acontecer" seguido de "de + infinitivo" não afirma que o dano já foi causado; ele apresenta isso como uma possibilidade, um cenário hipotético que pode ou não se concretizar.
  • Evidência 2: "o rato deixa de fazer essa vocalização e a brincadeira vira briga séria" → esse desfecho só é válido na hipótese de o dano acontecer; é o resultado condicionado à realização da primeira oração, não um fato paralelo e independente.
  • Síntese: substituindo a construção por um conectivo explícito, o trecho equivale a "Se acontecer de o cientista provocar um dano..., o rato deixa de vocalizar" — o clássico esquema de prótase (condição) e apódose (o que depende dela), que aponta diretamente para a alternativa C.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a estrutura sintática do trecho

O trecho é uma oração subordinada adverbial reduzida de gerúndio: "Acontecendo de o cientista provocar um dano [...]". O verbo "acontecendo" não é um gerúndio comum (que normalmente indica simultaneidade ou causa de um fato certo): ele integra a locução "acontecer de + infinitivo", usada para marcar eventualidade — "se por acaso ocorrer que...". A forma escolhida pelo autor não descreve um evento já realizado, mas uma possibilidade em aberto.

Subpasso 4.2 — Testar a paráfrase com conectivo explícito

A técnica mais segura para revelar o valor semântico de uma oração reduzida é substituí-la por uma oração desenvolvida com o conectivo mais evidente do sentido testado. Com "se" (condição): "Se acontecer de o cientista provocar um dano [...], o rato deixa de vocalizar" — coerente e fiel ao original. Com um conectivo de consequência, como "por isso": seria preciso reescrever "O cientista provocou um dano [...]; por isso, o rato deixou de vocalizar" — mas isso apaga a eventualidade de "acontecendo de" e transforma a hipótese em fato consumado, distorcendo o sentido original. A paráfrase confirma o valor de condição.

Subpasso 4.3 — Verificação

O enunciado descreve um achado científico genérico: toda vez que (na hipótese de) ocorre a lesão específica, a vocalização de brincadeira desaparece — uma regra condicional ("se X, então Y"), típica de relatos de experimentos replicáveis, e não a narração de um episódio único já consumado. Isso confirma a alternativa C, que fala em "condição" e explicita a relação de necessidade entre lesão e ausência de vocalização.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) finalidade, porque os danos causados ao cérebro têm por finalidade provocar a falta de vocalização dos ratos.

❌ Incorreta: relação de finalidade exige que a primeira oração expresse um propósito, uma intenção deliberada (tipicamente marcada por "para que", "a fim de que"). Não há no texto qualquer indício de que o cientista provoca o dano com o objetivo de eliminar a vocalização — o dano é parte de um procedimento experimental, e a perda da vocalização é um efeito observado, não um objetivo perseguido.

B) oposição, visto que o dano causado em um local específico no cérebro é contrário à vocalização dos ratos.

❌ Incorreta: relação de oposição (concessão/contraste) pressupõe que as duas orações apontem em sentidos que se confrontam, normalmente marcada por "embora", "mas", "apesar de". Aqui não há contraste entre ideias — o dano não "se opõe" à vocalização no sentido gramatical de concessão, ele a impede como efeito de uma condição, o que é uma relação lógica diferente da oposição.

C) condição, pois é preciso que se tenha lesão específica no cérebro para que não haja vocalização dos ratos.

✅ Correta: a locução "acontecendo de" equivale a "se acontecer de"/"caso aconteça de", marcando um cenário hipotético do qual depende o que é dito na oração seguinte. A lesão cerebral funciona como requisito (prótase) para que o efeito relatado (ausência de vocalização) se verifique (apódose) — exatamente a estrutura de uma relação de condição.

D) consequência, uma vez que o motivo de não haver mais vocalização dos ratos é o dano causado no cérebro.

❌ Incorreta (a mais tentadora): no plano biológico, é verdade que o dano provoca a perda de vocalização — mas a questão não pergunta sobre a causalidade do mundo real, e sim sobre a relação estabelecida pela construção textual usada. Consequência exigiria narrar o dano como fato já consumado, com conectivo do tipo "por isso" ou "consequentemente". Ao escolher "acontecendo de" (eventualidade), o autor enquadra o dano como hipótese da qual a ausência de vocalização depende — vínculo gramatical de condição, não de consequência.

E) proporção, já que à medida que se lesiona o cérebro não é mais possível que haja vocalização dos ratos.

❌ Incorreta: relação de proporção exige uma gradação simultânea entre dois processos, normalmente marcada por "à medida que", "quanto mais... mais". O texto não descreve um dano crescente acompanhado de uma perda gradual de vocalização; descreve um evento único e binário (há dano específico → não há mais vocalização), sem qualquer ideia de escala progressiva.

🏆 Gabarito: C — a locução "acontecendo de" marca eventualidade, transformando o trecho em uma prótase condicional da qual depende o efeito narrado na oração seguinte; por isso a relação estabelecida é de condição, e não de consequência, oposição, finalidade ou proporção.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa C identifica corretamente que "acontecer de + infinitivo" introduz uma hipótese (condição), e não um fato certo do qual decorreria uma consequência automática.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência o valor semântico de orações reduzidas (gerúndio, particípio, infinitivo), pedindo que o aluno teste paráfrases com conectivos explícitos para revelar a relação lógica escondida na forma reduzida.
  • Generalização: sempre que uma oração reduzida puder ser parafraseada naturalmente com "se"/"caso" sem alterar o sentido do texto, a relação é de condição — mesmo que, no plano dos fatos, exista também causalidade evidente entre os eventos.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro finalidade (sem propósito/intenção) e proporção (sem gradação); depois teste oposição, condição e consequência substituindo o trecho por "embora", "se" e "por isso" — a opção mais natural indica a resposta certa.
  • Conexões: o mesmo raciocínio reaparece em questões sobre conjunções subordinativas (causais x condicionais x consequenciais) e sobre orações reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio em textos jornalísticos e científicos.

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