Mapa de questões · 2º dia
Questão 155 — ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia
Os alunos de uma escola utilizaram cadeiras iguais às da figura para uma aula ao ar livre. A professora, ao final da aula, solicitou que os alunos fechassem as cadeiras para guardá-las. Depois de guardadas, os alunos fizeram um esboço da vista lateral da cadeira fechada.

Qual é o esboço obtido pelos alunos?

Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Geometria Espacial (vistas ortográficas e visualização de transformações de objetos tridimensionais)
- ⚡ Nível: Médio — não exige contas, mas cobra raciocínio espacial abstrato: visualizar mentalmente o movimento de dobra de um mecanismo articulado e projetá-lo em duas dimensões.
- 🎯 Tema/Habilidade: Vistas laterais de sólidos após transformação (dobradura/articulação) — competência de área "Espaço e Forma" da Matriz de Referência do ENEM.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Dentre os cinco esboços, qual representa a vista lateral da cadeira depois de fechada (dobrada) pelos alunos?"
- Palavras-chave decisivas: fechassem, guardá-las, vista lateral
- Armadilha típica: confundir a vista da cadeira aberta (a que aparece na figura de referência, pronta para uso, com as pernas em X) com a vista da cadeira fechada, que é o que o enunciado realmente pede.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de simular mentalmente o movimento de um mecanismo de tesoura (pantográfico) e identificar corretamente qual elemento muda de posição e qual permanece fixo ao dobrar o objeto.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Vista lateral (projeção ortogonal): representação bidimensional de um objeto tridimensional observado de um ponto de vista lateral, mostrando apenas os contornos visíveis nesse plano — sem profundidade.
- Mecanismo de tesoura (pantográfico): duas peças articuladas em torno de um pino central. Quando abertas, cruzam-se em X e se afastam na base, criando triangulação e estabilidade (é assim que a cadeira sustenta o peso de quem senta). Quando fechadas, giram até ficarem lado a lado, paralelas, reduzindo a abertura da base a quase zero — o que torna o objeto fino para guardar.
- Elementos fixos x elementos móveis numa dobra: peças rígidas (a travessa/barra de reforço que une as pernas) mantêm seu comprimento e suas conexões, só mudam de orientação; peças flexíveis (a lona do assento e do encosto) se achatam acompanhando o fechamento da estrutura.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "cadeiras iguais às da figura" → a figura de referência mostra o modelo específico de cadeira: uma cadeira de lona (tipo cadeira de diretor/campanha), com encosto e assento pretos, um braço lateral e pernas dianteira e traseira que se cruzam em X, unidas por uma travessa horizontal de reforço perto do chão.
- Evidência 2: "solicitou que os alunos fechassem as cadeiras" → indica a ação de dobrar o mecanismo articulado, não apenas de retirar o tecido; é o movimento de fechamento que precisa ser simulado mentalmente.
- Evidência 3: "esboço da vista lateral da cadeira fechada" → pede especificamente o perfil (vista de lado) da cadeira já dobrada, e não a vista frontal nem a cadeira ainda aberta.
- Síntese: o caminho da resolução é primeiro entender como o X das pernas se transforma ao fechar a cadeira (de cruzado para paralelo) e, depois, verificar quais elementos fixos — como a travessa de reforço — permanecem visíveis nessa nova configuração.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Mapear os elementos da vista lateral da cadeira aberta
Na figura de referência, de cima para baixo, aparecem: (1) o encosto de lona preta, vertical; (2) o braço lateral, que de perfil forma um segmento em "L" (a haste vertical encontrando o apoio horizontal); (3) o assento de lona preta, horizontal, logo abaixo do braço; (4) as pernas dianteira e traseira, cruzadas em X, unidas por uma travessa horizontal de reforço próxima à base — essa travessa é o que garante a rigidez da estrutura quando a cadeira está montada. As cinco alternativas repetem exatamente essa parte superior (o "L" do braço, a faixa branca com tracinhos e a faixa preta do assento), pois nenhum desses elementos muda de posição ao dobrar a cadeira. Toda a disputa entre as alternativas está concentrada na parte inferior, referente às pernas.
Subpasso 4.2 — Simular o movimento de fechamento
No mecanismo de tesoura, cada par de pernas gira em torno do pino de articulação central. Aberta, a cadeira mantém as pernas afastadas na base, formando o X que dá estabilidade ao sentar. Ao fechar, o usuário aproxima as duas pernas de cada lado até deixá-las paralelas — é isso que torna a cadeira fina o bastante para ser guardada encostada na parede. Como a travessa de reforço é uma peça rígida presa às duas pernas, ela acompanha esse giro e passa a ligar, na horizontal, as duas pernas já paralelas — funcionando como o "fecho" inferior de um retângulo estreito. Logo, a vista lateral esperada deve mostrar, de cima para baixo: o braço em "L", a faixa branca do apoio, a faixa preta do assento e, na base, duas linhas verticais paralelas fechadas por um traço horizontal.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação visual
Comparando essa previsão com os cinco esboços: apenas um mostra, simultaneamente, as pernas paralelas (não mais cruzadas) e a travessa horizontal fechando a base, reproduzindo um retângulo estreito e completo. Esse é o esboço que corresponde à cadeira efetivamente fechada — os demais ou mantêm o X das pernas (característica da cadeira aberta) ou eliminam indevidamente a travessa de reforço.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Braço em L, faixas do assento e, na base, duas linhas verticais paralelas sem barra de fechamento
❌ Incorreta: acerta a ideia central de que as pernas ficam paralelas ao fechar, mas descarta a travessa horizontal de reforço que, na figura original, é uma peça física presa às pernas — ela não desaparece, apenas muda de orientação junto com elas.
B) Braço em L, faixas do assento e, na base, pernas que se abrem/cruzam formando uma espécie de V invertido
❌ Incorreta: reproduz a configuração de pernas afastadas típica da cadeira em uso (aberta), contrariando exatamente o que o enunciado pede. É a armadilha mais comum: confundir a imagem de referência (cadeira aberta) com a resposta (cadeira fechada).
C) Braço em L, faixas do assento e, na base, duas linhas paralelas fechadas por uma travessa horizontal, formando um retângulo estreito
✅ Correta: representa fielmente o resultado do fechamento do mecanismo de tesoura — as pernas deixam de estar cruzadas e ficam paralelas, mantendo a travessa de reforço que as une na base. É exatamente o que se obtém ao dobrar esse modelo de cadeira para guardá-la.
D) Braço em L, faixas do assento e, na base, um X com preenchimento/hachura entre as pernas cruzadas
❌ Incorreta: mantém as pernas cruzadas (configuração de cadeira aberta) e ainda acrescenta um preenchimento que não corresponde a nenhuma peça real — confunde a vista lateral limpa com uma suposta espessura ou sombra no cruzamento das pernas.
E) Braço em L, faixas do assento e, na base, um quadrado totalmente preenchido/hachurado
❌ Incorreta: exagera a compactação da base, sugerindo um bloco maciço. Isso não corresponde à geometria real do objeto, que é formado por duas pernas finas unidas por uma travessa — não por uma peça sólida.
🏆 Gabarito: C — a vista lateral correta é a que resulta do fechamento do mecanismo de tesoura das pernas: elas deixam de estar cruzadas em X e passam a ficar paralelas, permanecendo unidas pela travessa horizontal de reforço, formando o retângulo estreito do esboço C.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que combina corretamente as pernas paralelas (resultado físico do fechamento) com a manutenção da travessa de reforço — os dois únicos aspectos que realmente mudam de configuração nesse movimento.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a habilidade de "enxergar" mentalmente transformações de objetos do cotidiano — dobrar, girar, planificar, projetar — e identificar qual representação bidimensional corresponde ao resultado, sem exigir nenhuma fórmula ou cálculo.
- Generalização: em questões de vista/projeção após uma transformação física (dobra, rotação, corte), separe mentalmente os elementos que mudam de posição ou orientação dos que permanecem fixos, resolva cada grupo separadamente e só depois monte o esboço final combinando os dois.
- Dica de eliminação rápida: primeiro decida se a peça pedida está "aberta" ou "fechada" — isso já elimina de cara qualquer alternativa que reproduza o estado errado (aqui, as que mantêm o X das pernas mostram a cadeira em uso, não fechada); depois, entre as sobreviventes, confira se as peças de conexão (travessas, dobradiças) aparecem de forma fisicamente coerente.
- Conexões: planificação de sólidos geométricos, vistas ortográficas (frontal, lateral, superior) e rotações/reflexões de figuras planas.
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