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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 96ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer  nele o tipo de  leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo uma outra não prevista.

(LAJOLO, M.  Do mundo  da leitura para a  leitura do  mundo. São  Paulo:  Ática, 1993)

Nesse  texto, a  autora apresenta reflexões sobre o  processo de produção de  sentidos, valendo-se da metalinguagem.  Essa função da linguagem torna-se evidente pelo  fato de  o  texto

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Funções da Linguagem (função metalinguística)
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar a função metalinguística de conceitos próximos (intertextualidade, protagonismo do leitor) num texto teórico e abstrato.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento das funções da linguagem em textos verbais — competência de área associada à leitura crítica de textos que refletem sobre a própria linguagem.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Identifique, entre as alternativas, o que evidencia que o texto de Marisa Lajolo usa a linguagem metalinguisticamente."
  • Palavras-chave decisivas: metalinguagem, produção de sentidos, evidente pelo fato de o texto
  • Armadilha típica: confundir o "assunto" do texto (leitura, leitor, intertextualidade) com o "motivo" pelo qual ele é metalinguístico — a banca espalha, nas alternativas erradas, pedaços de conteúdo genuinamente presentes no texto, mas que não explicam a função da linguagem em jogo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o texto emprega a linguagem para refletir sobre um processo linguístico — no caso, o próprio ato de ler/interpretar textos —, e não apenas para informar, opinar ou emocionar.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Funções da linguagem (Jakobson): todo ato comunicativo pode priorizar um dos elementos da comunicação — referencial (contexto), emotiva (emissor), conativa (receptor), fática (canal), poética (mensagem) ou metalinguística (código).
  • Função metalinguística: ocorre quando a linguagem se volta sobre si mesma, tomando como objeto o próprio código ou processo de significação — um dicionário que define palavras, uma gramática, um poema sobre poesia, um texto que teoriza sobre o que é ler.
  • Leitura como atribuição de sentido: para Lajolo, ler não é decodificação mecânica de sinais, mas um processo ativo de produção de significado a partir do texto — conceito central da Linguística Textual e da Teoria da Leitura.
  • Intertextualidade (conceito vizinho, mas distinto): é o diálogo entre textos diferentes; não se confunde com metalinguagem, que é a linguagem refletindo sobre seu próprio funcionamento, e não necessariamente remetendo a outro texto específico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto." → a autora inicia definindo o que é (e o que não é) o ato de ler — ou seja, usa a linguagem para teorizar sobre um processo linguístico.
  • Evidência 2: "É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, [...] reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e [...] entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela." → o texto descreve, passo a passo, as etapas e possibilidades do ato de ler, mantendo o foco constante em "como se lê" e não apenas no que se lê.
  • Síntese: do início ao fim, o excerto é uma reflexão construída em linguagem sobre o próprio processo de leitura — isto é, a linguagem está sendo usada para discorrer sobre um fenômeno linguístico (a interpretação de textos). Esse gesto reflexivo é justamente o que caracteriza a função metalinguística, e a alternativa correta precisa nomear esse "discorrer sobre o ato de leitura", não um detalhe pontual do conteúdo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Revisitando o conceito de metalinguagem

Metalinguagem é a função da linguagem em que o código é usado para falar sobre o próprio código (ou sobre um processo ligado a ele). Não se trata apenas de "citar outro texto" (isso seria intertextualidade) nem de "expressar uma opinião" (função emotiva) — é, especificamente, a linguagem tomando a si mesma, ou um processo linguístico correlato, como objeto de análise.

Subpasso 4.2 — Aplicando o conceito ao texto de Lajolo

O texto define o que é ler ("Ler não é decifrar... é ser capaz de atribuir-lhe significado"), descreve as etapas do processo de leitura (relacionar o texto a outros, reconhecer a intenção do autor) e discute as posturas possíveis do leitor diante desse processo (entregar-se ou rebelar-se). Em nenhum momento a autora está narrando um fato, descrevendo uma paisagem ou expressando uma emoção pessoal isolada — ela está, do começo ao fim, teorizando sobre o que significa ler um texto. Como ler é, em si, uma atividade que envolve linguagem (decodificar/produzir sentido a partir de um texto), ao falar sobre a leitura a autora está usando a linguagem para refletir sobre um processo linguístico. É exatamente essa reflexividade que configura a função metalinguística do texto.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa conclusão com as alternativas, a única que nomeia esse gesto global do texto — falar sobre o próprio ato de interpretar/ler textos — é a alternativa D ("discorrer sobre o ato de leitura"). As demais citam elementos que aparecem no texto (intertextualidade, leituras não previstas, ponto de vista da autora, participação do leitor), mas nenhuma delas explica, de forma abrangente, por que a linguagem está voltada sobre si mesma; são recortes de conteúdo, não a explicação da função metalinguística.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ressaltar a importância da intertextualidade.

❌ Incorreta: o texto realmente menciona "relacioná-lo a todos os outros textos significativos", mas essa é apenas uma das etapas descritas dentro da definição de leitura, não o motivo pelo qual o texto é metalinguístico. Intertextualidade é o diálogo entre textos distintos — um conceito diferente de metalinguagem, que é a linguagem refletindo sobre seu próprio processo.

B) propor leituras diferentes das previsíveis.

❌ Incorreta: essa é uma informação pontual do texto ("propondo uma outra [leitura] não prevista"), que descreve apenas uma das posturas possíveis do leitor. É um detalhe de conteúdo específico, não a explicação de por que a linguagem está sendo usada metalinguisticamente.

C) apresentar o ponto de vista da autora.

❌ Incorreta: todo texto dissertativo carrega o ponto de vista de quem escreve; isso não é exclusivo nem definidor da metalinguagem. Um texto pode expressar opinião pessoal sem que a linguagem esteja refletindo sobre si mesma (isso seria antes função emotiva/expressiva).

D) discorrer sobre o ato de leitura.

✅ Correta: o texto usa a linguagem para teorizar sobre outro processo linguístico — a leitura, isto é, a interpretação e produção de sentido a partir de textos. Essa reflexividade (linguagem falando sobre um processo de linguagem) é exatamente o que define a função metalinguística, tornando-a evidente do início ao fim do excerto.

E) focar a participação do leitor.

❌ Incorreta: o texto de fato valoriza o papel do leitor ("dono da própria vontade"), mas isso descreve "o que" o texto defende sobre a leitura, não "como" a linguagem está funcionando. Focar o leitor é um recorte temático, não a explicação da metalinguagem.

🏆 Gabarito: D — o texto é metalinguístico porque usa a linguagem para discorrer sobre o próprio ato de ler, refletindo sobre um processo linguístico, e não apenas sobre um tema externo à linguagem.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve o movimento global do texto — teorizar sobre o ato de leitura —, que é exatamente o que ativa a função metalinguística; as demais citam apenas detalhes de conteúdo presentes no texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra função metalinguística com frequência, geralmente usando textos (ou tirinhas) que "falam sobre" um ato de linguagem — ler, escrever, definir palavras, fazer poesia sobre poesia — pedindo que o candidato identifique esse traço reflexivo.
  • Generalização: sempre que o enunciado pedir a função metalinguística, procure a alternativa que descreve o texto refletindo sobre um processo ligado à própria linguagem (leitura, escrita, código, significado), e não apenas o que o texto afirma sobre o mundo exterior.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que citam um detalhe pontual e específico do conteúdo (aqui, B e E) — geralmente são "iscas" de leitura literal; depois compare as que restam quanto a qual descreve o processo de forma mais abrangente e reflexiva.
  • Conexões: funções da linguagem (poética, conativa, fática); teorias da leitura de Umberto Eco (leitor-modelo) e da recepção literária, que também discutem o papel ativo do leitor na construção do sentido.

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