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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 106ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

Até que ponto replicar conteúdo é crime? “A internet e a pirataria são inseparáveis”, diz o diretor do instituto de pesquisas americano Social Science Research Council. “Há uma infraestrutura pequena para controlar quem é o dono dos arquivos que circulam na rede. Isso acabou com o controle sobre a propriedade e tem sido descrito como pirataria, mas é inerente à tecnologia”, afirma o diretor. O ato de distribuir cópias de um trabalho sem a autorização dos seus produtores pode, sim, ser considerado crime, mas nem sempre essa distribuição gratuita lesa os donos dos direitos autorais. Pelo contrário. Veja o caso do livro O alquimista, do escritor Paulo Coelho. Após publicar, para download gratuito, uma versão traduzida da obra em seu blog, Coelho viu as vendas do livro em papel explodirem.

BARRETO, J.; MORAES, M. A internet existe sem pirataria?
Veja, n. 2 308, 13 fev. 2013 (adaptado).

De acordo com o texto, o impacto causado pela internet propicia a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de Texto (leitura de texto jornalístico/argumentativo)
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta certa não está copiada literalmente em nenhuma linha; é preciso sintetizar a tese do texto, e não apenas um dos seus exemplos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Compreensão de textos argumentativos — reconhecer a tese central de um texto a partir de citações e exemplos (competência de leitura crítica, matriz de Linguagens do ENEM)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o efeito geral que a internet provoca, segundo o texto, na forma como se entende a propriedade sobre uma obra?"
  • Palavras-chave decisivas: impacto, internet, propicia
  • Armadilha típica: confundir o exemplo citado no texto (o sucesso de vendas de O Alquimista após a distribuição gratuita) com a tese que esse exemplo serve para comprovar. O exemplo é prova; a tese é a ideia geral que ele sustenta.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de subir do nível do "fato pontual" (um livro vendeu mais) para o nível do "argumento geral" (a internet corroeu o controle tradicional sobre quem é dono de um arquivo, obrigando a repensar o conceito de propriedade intelectual).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto argumentativo: estrutura-se em torno de uma tese, sustentada por citação de autoridade (o diretor de um instituto de pesquisa) e reforçada por um exemplo concreto (o caso Paulo Coelho). A pergunta cobra exatamente a tese, não os elementos de apoio isolados.
  • Propriedade intelectual: conjunto de direitos legais que definem quem "possui" e controla a circulação de uma obra (autoral, direito de cópia, direito de distribuição). É esse conceito que o texto coloca em xeque.
  • Argumento por exemplificação: o caso de O Alquimista não é citado por curiosidade; ele existe no texto para provar, na prática, que a lógica clássica "cópia não autorizada = prejuízo ao dono dos direitos" deixou de valer sempre, o que reforça a necessidade de repensar a própria noção de propriedade.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Há uma infraestrutura pequena para controlar quem é o dono dos arquivos que circulam na rede. Isso acabou com o controle sobre a propriedade..." → revela que o efeito central da internet, segundo a fonte citada, é justamente a perda do controle tradicional sobre a autoria/posse dos arquivos.
  • Evidência 2: "[...] tem sido descrito como pirataria, mas é inerente à tecnologia" → mostra que o comportamento antes rotulado simplesmente como "crime" passa a ser entendido como consequência estrutural da tecnologia — ou seja, exige um novo olhar sobre o que conta como violação de propriedade.
  • Evidência 3: "Após publicar, para download gratuito, uma versão traduzida da obra em seu blog, Coelho viu as vendas do livro em papel explodirem." → demonstra, na prática, que ceder o controle rígido sobre a cópia não gerou prejuízo ao autor — pelo contrário, favoreceu-o, contrariando a lógica tradicional de proteção da propriedade.
  • Síntese: as três evidências apontam na mesma direção: o texto não fala de leis, de editoras nem trata a pirataria como algo banal — ele constrói o argumento de que a internet força uma reavaliação do que significa ser "dono" de uma obra na era digital.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a tese apresentada pela fonte de autoridade

A primeira parte do texto é uma citação direta do diretor do instituto de pesquisas: a internet "acabou com o controle sobre a propriedade" dos arquivos. Esse é o núcleo do argumento — o texto não está discutindo se pirataria deveria ou não ser crime em termos jurídicos (o que remeteria a leis), mas sim como o próprio conceito de posse/controle sobre uma obra mudou de sentido com a tecnologia.

Subpasso 4.2 — Conectar o exemplo à tese geral

O caso de Paulo Coelho funciona como prova empírica da tese: ao "perder" o controle rígido sobre as cópias de seu livro (permitindo download gratuito), o autor não teve prejuízo — teve ganho. Isso reforça, e não contradiz, a ideia central: a fronteira entre "o que é meu" e "o que é de todos" numa obra digital não funciona mais como antes, exigindo uma reavaliação conceitual, não apenas um efeito comercial isolado.

Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as alternativas

Ao testar cada alternativa contra a tese identificada:

  • Não há afirmação de que a pirataria se torna "banal" ou aceitável sem crítica (o texto apenas explica sua origem tecnológica, sem trivializá-la).
  • Não há qualquer menção a editoras recebendo tratamento favorável.
  • Não há menção a leis ou legislação sobre crimes eletrônicos em nenhum momento do texto.
  • A "ampliação do acesso a obras reconhecidas" é apenas um efeito lateral do exemplo específico de Paulo Coelho, não a ideia geral defendida pelo texto sobre o impacto da internet.

Apenas a opção sobre a reavaliação do conceito de propriedade intelectual sintetiza corretamente citação + exemplo. O resultado confirma a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) banalização da pirataria na rede.

❌ Incorreta: o texto explica que a pirataria é "inerente à tecnologia", mas em nenhum momento a trata como algo trivial ou sem importância — pelo contrário, problematiza-a ao mostrar que ela nasce da perda de controle sobre a propriedade, tema tratado com seriedade analítica, não com leveza.

B) adoção de medidas favoráveis aos editores.

❌ Incorreta: o texto não cita editoras nem qualquer medida tomada em favor delas; ao contrário, descreve a fragilização do controle que sustentava o modelo tradicional de intermediação (onde editoras tinham papel central), sem propor nenhuma ação protecionista a seu favor.

C) implementação de leis contra crimes eletrônicos.

❌ Incorreta: não há qualquer referência a legislação, tribunais ou medidas jurídicas no texto. A discussão é conceitual (o que é propriedade na era digital) e não legal-punitiva.

D) reavaliação do conceito de propriedade intelectual.

✅ Correta: é exatamente o que a citação do diretor do instituto afirma ("acabou com o controle sobre a propriedade") e o que o exemplo de Paulo Coelho comprova na prática — a internet exige repensar o que significa deter direitos sobre uma obra.

E) ampliação do acesso a obras de autores reconhecidos.

❌ Incorreta: é um efeito concreto e pontual do exemplo dado (mais gente teve acesso ao livro de Paulo Coelho), mas não é a ideia geral defendida pelo texto — o argumento central não é sobre "quantas pessoas acessam obras famosas", e sim sobre a mudança na própria noção de propriedade sobre qualquer arquivo digital, famoso ou não.

🏆 Gabarito: D — o texto usa a citação do especialista e o caso Paulo Coelho para argumentar que a internet corroeu o controle tradicional sobre a autoria dos arquivos, exigindo uma reavaliação do conceito de propriedade intelectual.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única que capta a tese geral do texto — todas as outras alternativas ou inventam informações ausentes (leis, editoras) ou confundem exemplo com argumento central (acesso a obras, banalização).
  • Padrão de cobrança: questões de interpretação do ENEM frequentemente pedem "o que o texto propicia/defende/revela", testando se o candidato sabe distinguir a tese (ideia geral) dos exemplos e citações que a sustentam.
  • Generalização: sempre que um texto combinar citação de especialista + exemplo concreto, a resposta certa costuma ser a que resume a ideia comum aos dois, nunca a que descreve apenas o exemplo isoladamente.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que mencione elementos ausentes do texto (aqui, "leis" e "editores" não aparecem em nenhum trecho) — isso corta B e C em segundos, restando comparar apenas A, D e E.
  • Conexões: esse tipo de questão dialoga com temas de Direitos Autorais na era digital e com Argumentação e Tipos de Texto, ambos recorrentes em Linguagens e também em redações que discutem tecnologia e sociedade.

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