Mapa de questões · 2º dia
Questão 135 — ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia
L.J.C.
– 5 tiros?
– É.
– Brincando de pegador?
– É. O PM pensou que…
– Hoje?
– Cedinho.
COELHO, M. In: FREIRE, M. (Org.). Os cem menores contos brasileiros do século. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004.
Os sinais de pontuação são elementos com importantes funções para a progressão temática. Nesse miniconto, as reticências foram utilizadas para indicar
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto e funções expressivas da pontuação
- ⚡ Nível: Médio — não basta lembrar a "regra" de que reticências indicam pausa; é preciso inferir sentido a partir do contexto sociocultural do miniconto
- 🎯 Tema/Habilidade: Função das reticências na construção de sentidos implícitos; leitura de texto literário condensado (miniconto)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que efeito de sentido as reticências produzem nesse miniconto?"
- Palavras-chave decisivas: reticências, progressão temática, indicar
- Armadilha típica: confundir "informação implícita" (B) com "fala hesitante" (A), já que ambas parecem sugerir uma pausa ou interrupção no discurso — a diferença está em por que a fala foi interrompida.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que, nesse contexto específico, as reticências não marcam insegurança de quem fala, mas a omissão proposital de uma informação que o leitor deve reconstruir sozinho.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Miniconto: gênero narrativo extremamente breve, que aposta na economia radical de palavras e exige do leitor um trabalho ativo de preenchimento das lacunas deixadas pelo texto.
- Reticências: sinal de pontuação polissêmico — pode indicar hesitação, suspense, ironia, corte de fala por interrupção alheia ou, como neste caso, a interrupção proposital de uma ideia que permanece subentendida.
- Implícito x explícito: implícito é o sentido que não está escrito com todas as letras, mas que o leitor reconstrói a partir de pistas do próprio texto e de seu conhecimento de mundo; diferente de "eliminar" uma ideia, que supõe descartá-la por completo.
- Diálogo elíptico jornalístico: a sequência de perguntas curtas e respostas cortadas ("– 5 tiros? – É.") simula uma entrevista ou apuração de um caso, gênero em que se noticiam, de forma econômica, episódios de violência.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "– 5 tiros? / – Brincando de pegador?" → revela que o miniconto reconstrói, por meio de perguntas entrecortadas, a apuração de um fato grave: alguém disparou cinco vezes contra crianças (ou jovens) que brincavam de pegador.
- Evidência 2: "– É. O PM pensou que…" → a resposta começa a justificar a ação do policial militar, mas é interrompida exatamente no ponto em que viria a explicação — o motivo do engano.
- Síntese: As reticências cortam a fala bem no momento em que o leitor esperaria a justificativa dos tiros. O texto não diz o que o PM "pensou" — mas, pelo contexto (crianças brincando, um PM que atira, a naturalidade resignada das respostas curtas "É."), o leitor é convidado a inferir que o policial confundiu a brincadeira com uma situação de perigo real. Esse sentido não dito, mas recuperável pelo contexto, é exatamente o que caracteriza uma informação implícita.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer o gênero e a estrutura do miniconto
O texto é construído quase inteiramente por perguntas e respostas monossilábicas, típicas de um interrogatório ou de uma reportagem apurando um caso. Essa estrutura elíptica já avisa o leitor de que muita informação ficará por conta da inferência: não se sabe quem pergunta, quem responde, nem o desfecho da vítima — tudo isso é deixado implícito pelo próprio gênero.
Subpasso 4.2 — Analisar a ocorrência específica das reticências
Na fala "– É. O PM pensou que…", o entrevistado inicia a explicação da conduta do policial, mas o discurso se interrompe logo antes do complemento que revelaria o raciocínio (equivocado) do PM. Diferentemente de uma hesitação — que se marca por vacilos, repetições ou correções ("pensou que... não sei bem...") —, aqui a interrupção sugere que a informação é conhecida por quem fala, mas é deixada subentendida, quase como um comentário amargo sobre a banalização de episódios de violência: não é preciso dizer o que o PM "pensou", porque o leitor já reconhece o padrão.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando as demais hipóteses: não há marcas de hesitação verbal (gagueira, repetição, autocorreção) que sustentem a leitura A; a ideia não é abandonada ou "eliminada" (D), pois ela continua ativa no texto, apenas não verbalizada; não há quebra de lógica que configure incoerência (C), pelo contrário, o diálogo é perfeitamente coerente dentro do que se cala; e não há uma ação física sendo interrompida (E), mas um raciocínio/justificativa. Resta, portanto, a leitura de que as reticências sinalizam uma informação implícita — confirmando a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) uma fala hesitante.
❌ Incorreta: hesitação pressupõe insegurança de quem fala sobre o que dizer, geralmente marcada por vacilos ou correções. No conto, quem responde parece saber exatamente o que aconteceu; a interrupção não expressa dúvida, mas a escolha de não verbalizar algo que o contexto já deixa subentendido.
B) uma informação implícita.
✅ Correta: as reticências suspendem a frase exatamente no ponto em que viria a justificativa dos tiros, deixando implícito o que "o PM pensou". O leitor precisa mobilizar seu conhecimento de mundo sobre episódios de violência policial para completar o sentido — essa é a definição de informação implícita.
C) uma situação incoerente.
❌ Incorreta: o texto é internamente coerente — cada pergunta encadeia logicamente a resposta anterior. A incoerência não é o efeito produzido; o que ocorre é uma omissão deliberada de dado, e não uma quebra de lógica na narrativa.
D) a eliminação de uma ideia.
❌ Incorreta: "eliminar" sugeriria que a ideia foi descartada ou anulada por quem fala. No conto, a ideia continua presente e sugerida — ela é suspensa, não apagada; o leitor a recupera, o que seria impossível se ela tivesse sido de fato eliminada.
E) a interrupção de uma ação.
❌ Incorreta: reticências que marcam interrupção de ação normalmente cortam um evento físico em curso (por exemplo, "ele corria quando…"). Aqui, o que é suspenso é um pensamento/justificativa verbal do PM, não uma ação física sendo praticada no momento da fala.
🏆 Gabarito: B — As reticências suspendem propositalmente a explicação do PM, criando uma informação implícita que o leitor reconstrói a partir do contexto sugerido pelo miniconto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que descreve corretamente o efeito das reticências: elas não indicam insegurança, ação interrompida, incoerência ou descarte de ideia, mas a supressão proposital de um conteúdo que o leitor deve inferir.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar a função expressiva de sinais de pontuação (reticências, travessão, aspas, dois-pontos) sempre associada ao sentido produzido dentro do gênero textual, e não como regra gramatical isolada.
- Generalização: sempre que reticências cortarem uma fala explicativa dentro de um diálogo, verifique se o texto oferece pistas contextuais suficientes para completar o sentido; havendo pistas, a função é indicar informação implícita, não hesitação genérica.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que descrevam efeitos "físicos" (interrupção de ação) ou "lógicos" (incoerência) quando o corte acontece no meio de uma explicação verbal; descarte também "eliminação de ideia" sempre que a ideia sugerida ainda for recuperável pelo leitor.
- Conexões: funções de outros sinais de pontuação em diálogos (travessão marcando fala, aspas para discurso alheio); leitura de minicontos e crônicas que exploram a economia da linguagem para criticar temas sociais, como a violência urbana.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.