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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 114ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

A origem da obra de arte (2002) é uma instalação seminal na obra de Marilá Dardot. Apresentada originalmente em sua primeira exposição individual, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, a obra constitui um convite para a interação do espectador, instigado a compor palavras e sentenças e a distribuí-las pelo campo. Cada letra tem o feitio de um vaso de cerâmica (ou será o contrário?) e, à disposição do espectador, encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes. Para abrigar a obra e servir de ponto de partida para a criação dos textos, foi construído um pequeno galpão, evocando uma estufa ou um ateliê de jardinagem. As 1500 letras-vaso foram produzidas pela cerâmica que funciona no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, num processo que durou vários meses e contou com a participação de dezenas de mulheres das comunidades do entorno. Plantar palavras, semear ideias é o que nos propõe o trabalho. No contexto de Inhotim, onde natureza e arte dialogam de maneira privilegiada, esta proposição se torna, de certa maneira, mais perto da possibilidade.

Disponível em: www.inhotim.org.br. Acesso em: 22 maio 2013 (adaptado)

A função da obra de arte como possibilidade de experimentação e de construção pode ser constatada no trabalho de Marilá Dardot porque

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Arte contemporânea, instalação e participação do espectador
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar "interagir com a obra" de "criar a obra", uma distinção conceitual sutil dentro de um texto longo e descritivo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Arte contemporânea participativa (obra aberta) + leitura crítica de texto sobre produção artística (Competência de Área 6 de Linguagens: compreender e usufruir das manifestações artísticas)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual elemento do texto comprova que a obra de Marilá Dardot funciona como experimentação e construção, e não apenas como objeto para contemplação?"
  • Palavras-chave decisivas: experimentação, construção, espectador
  • Armadilha típica: confundir "participação física" (mexer nas letras, plantar sementes) com "autoria da obra". Várias alternativas descrevem fatos verdadeiros do texto (a obra fica ao ar livre, envolve plantio, foi feita por mulheres da comunidade), mas só uma delas explica por que a obra é uma experiência de construção artística.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o espectador deixa de ser mero observador passivo e passa a produzir o conteúdo estético da obra — ou seja, ele constrói o próprio sentido do trabalho.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Obra aberta / arte participativa: corrente da arte contemporânea (desde os anos 1960, com Hélio Oiticica e Lygia Clark no Brasil) em que a obra só se completa com a ação do público; sem essa ação, a peça permanece incompleta ou é apenas potencial.
  • Autoria compartilhada: quando o artista projeta uma estrutura (regras, materiais, espaço) e delega ao público a tarefa de finalizar o sentido — o público deixa de ser plateia e passa a ser coautor.
  • Instalação: modalidade artística tridimensional que ocupa e organiza um espaço físico, geralmente pensada para ser vivenciada corporalmente pelo visitante, e não apenas observada de um ponto fixo.
  • Função social/pedagógica da arte contemporânea: muitas obras buscam romper a hierarquia entre quem produz e quem consome cultura, valorizando o gesto criativo do público comum.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "a obra constitui um convite para a interação do espectador, instigado a compor palavras e sentenças e a distribuí-las pelo campo" → o texto usa o verbo "compor", que é um ato de criação, não de simples manuseio; o espectador escreve seu próprio texto com as letras-vaso.
  • Evidência 2: "à disposição do espectador, encontram-se utensílios de plantio, terra e sementes" → os materiais são fornecidos como ferramentas de trabalho, reforçando que o público vai executar uma ação produtiva (plantar, arranjar, compor), não apenas olhar.
  • Evidência 3: "Plantar palavras, semear ideias é o que nos propõe o trabalho" → metáfora central da obra: a palavra "propõe" indica um convite ao gesto do outro; o resultado final (quais palavras existirão no campo) depende inteiramente das escolhas de quem visita a instalação.
  • Síntese: todas as evidências convergem para o mesmo ponto — a obra só existe de fato quando o visitante decide quais letras juntar, que palavras formar e onde plantá-las. Isso transforma o espectador em agente criador, e é exatamente essa inversão de papel (de quem só vê para quem produz) que caracteriza a "experimentação e construção" citada no comando.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que está sendo perguntado

O comando pede a causa pela qual a obra funciona como experimentação e construção. Não basta apurar um dado correto do texto: é preciso apurar o dado que explica o fenômeno da experimentação/construção artística, e não apenas um detalhe factual da instalação.

Subpasso 4.2 — Separar fatos do texto em duas categorias

Categoria 1 — fatos sobre o contexto físico e produtivo da obra: ela fica ao ar livre, em Inhotim; as letras-vaso foram feitas por ceramistas com participação de mulheres da comunidade; existem utensílios para plantar mudas. Esses são dados verdadeiros, mas descrevem como a obra foi feita ou onde ela está, não como ela funciona como experiência artística para quem a visita.

Categoria 2 — fatos sobre a relação obra-espectador: o texto diz que a obra "constitui um convite para a interação do espectador, instigado a compor palavras e sentenças e distribuí-las pelo campo". Esse é o único trecho que explica o mecanismo pelo qual a obra se torna "experimentação e construção": é o público que constrói o texto final, letra por letra, decidindo o que plantar e onde.

Subpasso 4.3 — Verificação

Voltando à pergunta: "a função da obra de arte como possibilidade de experimentação e de construção pode ser constatada... porque". A resposta precisa nomear o agente da experimentação/construção. Esse agente é o espectador, que assume o papel de autor ao compor as palavras. Isso corresponde exatamente à alternativa que descreve o observador atuando como criador da obra — confirmando que o gabarito é a letra B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) o projeto artístico acontece ao ar livre.

❌ Incorreta: o fato de a obra estar instalada em um campo aberto é um dado de localização/cenário, não uma explicação da natureza participativa da obra. Uma escultura tradicional também poderia estar ao ar livre sem que isso a tornasse "experimental" ou "construída" pelo público.

B) o observador da obra atua como seu criador.

✅ Correta: o texto afirma explicitamente que o espectador é "instigado a compor palavras e sentenças e a distribuí-las pelo campo", ou seja, ele decide o conteúdo final da obra. É esse deslocamento — de quem apenas contempla para quem produz o sentido — que caracteriza a obra como espaço de experimentação e construção artística.

C) a obra integra-se ao espaço artístico e botânico.

❌ Incorreta: o diálogo entre arte e natureza em Inhotim é mencionado no texto ("natureza e arte dialogam de maneira privilegiada"), mas essa integração descreve o contexto institucional da obra, não o mecanismo pelo qual o espectador experimenta e constrói algo. É um dado de ambientação, não de autoria.

D) as letras-vaso são utilizadas para o plantio de mudas.

❌ Incorreta: o plantio é parte do gesto simbólico ("plantar palavras, semear ideias"), mas descreve apenas a função física do objeto (o vaso como recipiente de terra), não o papel do espectador como agente criador do texto/obra.

E) as mulheres da comunidade participam na confecção das peças.

❌ Incorreta: refere-se à produção das 1500 letras-vaso na cerâmica de Inhotim, etapa anterior à exposição, feita por ceramistas — não ao espectador que visita a mostra. Isso descreve o processo de fabricação do material, e não a experiência de construção proposta ao público durante a fruição da obra.

🏆 Gabarito: B — a obra só se completa quando o visitante escolhe e arranja as letras-vaso para formar palavras, transformando-o de espectador em coautor do trabalho; é essa inversão de papéis que caracteriza a experimentação e a construção artística mencionadas no enunciado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa B nomeia o agente e o mecanismo da experimentação artística — o espectador que cria; as demais alternativas descrevem fatos verdadeiros, porém periféricos (local, materiais, processo de fabricação).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre arte contemporânea (instalação, performance, arte participativa) pedindo que o estudante identifique o conceito de "obra aberta", em que o público é convocado a completar o sentido da obra — tema ligado a artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e, aqui, Marilá Dardot.
  • Generalização: em questões sobre arte contemporânea, quando o enunciado pergunta "por que a obra é participativa/experimental", a resposta correta quase sempre aponta para a ação do público sobre o sentido/forma da obra — nunca apenas para o local, os materiais ou quem a fabricou.
  • Dica de eliminação rápida: grife no texto os verbos ligados ao espectador (aqui: "interação", "instigado a compor", "distribuí-las"). Se a alternativa não retomar essa ação do público sobre a obra, ela é secundária e pode ser descartada em segundos — foi assim que A, C, D e E caem e sobra apenas B.
  • Conexões: relacione com questões sobre arte conceitual, happening e performance (em que o processo/participação vale mais que o objeto final) e com o movimento neoconcreto brasileiro, que já defendia a "participação sensorial e semântica" do espectador décadas antes de Inhotim existir.

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