Mapa de questões · 2º dia
Questão 145 — ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia
O setor de recursos humanos de uma empresa pretende fazer contratações para adequar-se ao artigo 93 da Lei nº 8.213/91, que dispõe:
Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:
I. até 200 empregados……………….. 2%;
II. de 201 a 500 empregados…………… 3%;
III. de 501 a 1 000 empregados………… 4%;
IV. de 1 001 em diante………………. 5%.
Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 3 fev. 2015.
Constatou-se que a empresa possui 1 200 funcionários, dos quais 10 são reabilitados ou com deficiência, habilitados.
Para adequar-se à referida lei, a empresa contratará apenas empregados que atendem ao perfil indicado no artigo 93.
O número mínimo de empregados reabilitados ou com deficiência, habilitados, que deverá ser contratado pela empresa é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Porcentagem, proporcionalidade e inequações do 1º grau
- ⚡ Nível: Difícil — a armadilha está em perceber que o total de funcionários MUDA à medida que a empresa contrata, transformando a "meta de 5%" em um alvo móvel.
- 🎯 Tema/Habilidade: Resolução de problemas com porcentagens sobre um total variável, aplicada à interpretação de um texto legal (Matemática e suas Tecnologias)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Quantos funcionários PCD/reabilitados, no mínimo, a empresa precisa contratar para que, depois da contratação, esses funcionários correspondam a pelo menos 5% do NOVO total de empregados?"
- Palavras-chave decisivas: "contratará apenas empregados que atendem ao perfil", "1 200 funcionários", "10 são reabilitados"
- Armadilha típica: calcular 5% de 1200 (= 60) e usar isso direto como resposta, ou subtrair os 10 já existentes chegando a 50 — ambos os caminhos ignoram que os próprios contratados aumentam o total de funcionários sobre o qual o percentual incide.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de montar uma inequação em que a incógnita aparece tanto na contagem de PCD quanto no total de funcionários, resolvê-la corretamente e arredondar o resultado para o menor inteiro que satisfaça a condição.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Porcentagem como razão: "p% de um total N" significa a fração (p/100) × N; a lei exige que PCD/N ≥ 0,05 (piso da faixa "1 001 em diante").
- Denominador variável: quando o numerador e o denominador de uma razão crescem ao mesmo tempo — aqui, cada PCD contratado aumenta tanto a contagem de PCD quanto o total —, não se pode aplicar o percentual sobre o valor antigo do total.
- Inequação do 1º grau: transformar a exigência legal ("no mínimo 5%") em uma desigualdade algébrica com uma incógnita e isolá-la.
- Arredondamento em contexto discreto: como o número de contratações é inteiro e a condição é "≥" (mínimo), o resultado da inequação deve ser arredondado para CIMA, nunca para o inteiro mais próximo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "IV. de 1 001 em diante ……. 5%" → com 1200 funcionários, a empresa já está na faixa que exige 5%; como qualquer contratação só aumenta o total, ela permanece nessa faixa do início ao fim do processo.
- Evidência 2: "10 são reabilitados ou com deficiência, habilitados" → esse número não é descartado: os 10 já contam para a cota, então os novos contratados (x) se somam a eles, não os substituem.
- Evidência 3: "a empresa contratará apenas empregados que atendem ao perfil indicado no artigo 93" → cada novo contratado é PCD/reabilitado; logo, o número de funcionários FORA desse perfil permanece fixo em 1200 − 10 = 1190 durante toda a contratação.
- Síntese: o problema pede o menor x inteiro tal que, após x contratações, (10 + x) represente pelo menos 5% de (1200 + x).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Montando a inequação com N = total final de funcionários
Chame de N o total de funcionários depois das contratações. Como só serão contratados PCD/reabilitados, a quantidade de funcionários "fora do perfil" não muda: continua sendo 1200 − 10 = 1190. Logo, o número de PCD no total final é:
PCD final = N − 1190
A lei exige que esse número seja pelo menos 5% de N:
N − 1190 ≥ 0,05 × N
Subpasso 4.2 — Isolando N
N − 0,05N ≥ 1190
0,95 × N ≥ 1190
N ≥ 1190 ÷ 0,95
N ≥ 1252,63...
Como N tem de ser um número inteiro de funcionários e a desigualdade é "≥", arredonda-se para CIMA: N mínimo = 1253.
Subpasso 4.3 — Verificação e cálculo de x
O número de contratações é x = N − 1200 = 1253 − 1200 = 53.
Conferindo com x = 53: total = 1253, PCD = 10 + 53 = 63. 63 ÷ 1253 ≈ 0,0503 = 5,03% ≥ 5% ✓ (atende à lei).
Testando x = 52 (uma contratação a menos): total = 1252, PCD = 62. 62 ÷ 1252 ≈ 0,0495 = 4,95% < 5% ✗ (não atende).
Isso confirma que 53 é, de fato, o menor número inteiro de contratações que satisfaz o artigo 93 — nenhum valor menor funciona.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 74.
❌ Incorreta: resulta de um duplo erro. Primeiro monta-se a equação sem incluir os 10 funcionários já habilitados no numerador — resolvendo x/(1200+x) = 0,05 em vez de (10+x)/(1200+x) ≥ 0,05 —, o que já é um erro conceitual, pois ignora que os 10 existentes contam para a cota; isso dá x ≈ 63,2 → 64. Em seguida, soma-se novamente os 10 já existentes, como se precisassem ser contratados de novo (64 + 10 = 74).
B) 70.
❌ Incorreta: parte do cálculo simplificado 5% × 1200 = 60 (que já ignora o crescimento do total provocado pelas próprias contratações) e depois soma indevidamente os 10 funcionários que já são PCD, tratando-os como uma exigência adicional em vez de parte da cota já cumprida (60 + 10 = 70).
C) 64.
❌ Incorreta: reconhece corretamente que o total de funcionários cresce com as contratações, mas esquece de incluir os 10 PCD já existentes no numerador da fração, resolvendo x/(1200+x) ≥ 0,05 em vez de (10+x)/(1200+x) ≥ 0,05. Isso leva a x ≈ 63,16, arredondado para 64 — valor maior que o necessário, pois desconsidera que parte da cota já está cumprida pelos 10 funcionários atuais.
D) 60.
❌ Incorreta: é o erro mais "intuitivo" — aplicar 5% diretamente sobre o quadro atual de 1200 funcionários (0,05 × 1200 = 60) e tratar esse valor como resposta final, sem subtrair os 10 já habilitados e, principalmente, sem perceber que os próprios contratados aumentam o total sobre o qual o percentual incide.
E) 53.
✅ Correta: é o único valor que, somado aos 10 funcionários PCD já existentes e comparado ao novo total (1200 + 53 = 1253), garante uma fração de PCD ≥ 5% (63/1253 ≈ 5,03%), sendo simultaneamente o menor inteiro que cumpre essa condição — exatamente o que a lei e o comando da questão exigem ao pedir o "número mínimo".
🏆 Gabarito: E — porque 53 é o menor número inteiro de contratações que, somado aos 10 funcionários PCD já existentes, faz a proporção de PCD atingir pelo menos 5% do novo total de 1253 funcionários, cumprindo integralmente o artigo 93 da Lei nº 8.213/91.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: nenhum valor menor que 53 satisfaz PCD/total ≥ 5% — o teste com x = 52 falha (4,95%) —, e 53 é exatamente o menor inteiro que atende à condição, tornando E a única resposta compatível com "número mínimo".
- Padrão de cobrança: o ENEM gosta de problemas em que a porcentagem incide sobre um total que MUDA por causa da própria ação descrita na questão (contratações, diluições de solução, crescimento populacional); é o mesmo raciocínio de "quanto de água pura preciso adicionar para diluir uma solução a X%".
- Generalização: sempre que o enunciado disser que "só serão adicionados elementos de um tipo específico" a um total, defina o total final N como incógnita, mantenha fixa a contagem do que NÃO muda, escreva a quantidade variável como N menos essa parte fixa, monte a inequação com N e só ao final calcule quantos elementos foram efetivamente adicionados.
- Dica de eliminação rápida: se uma alternativa for exatamente o percentual aplicado direto sobre o valor original (aqui, 60), desconfie — é quase sempre a "armadilha ingênua" que ignora o efeito do denominador variável; o cálculo mais direto raramente é a resposta certa nesse tipo de questão.
- Conexões: problemas de mistura/diluição de soluções com concentração variável e problemas de razão entre parte e todo em um total que cresce usam exatamente a mesma estrutura algébrica: "fixo + variável sobre total variável".
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