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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 109ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

Nesse texto, a combinação de elementos verbais e não verbais configura-se como estratégia argumentativa para

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura de texto publicitário multimodal (linguagem verbal + não verbal)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a imagem (o "jogo visual" de achar a criança) com o texto verbal e com a intenção comunicativa do anunciante, e não apenas parafrasear o enunciado.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeitos de sentido em textos publicitários multimodais; reconhecimento da estratégia argumentativa e do público-alvo de uma peça de conscientização.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Para que serve, argumentativamente, a junção da imagem (a criança escondida entre os celulares) com o texto verbal desse anúncio?"
  • Palavras-chave decisivas: elementos verbais e não verbais, estratégia argumentativa, configura-se como
  • Armadilha típica: confundir o tema da campanha (atropelamento, celular, criança) com a finalidade argumentativa do texto — ou seja, achar que a questão pergunta "sobre o que é o anúncio" quando na verdade pergunta "para que ele quer convencer alguém a fazer/parar de fazer algo".
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar quem é o interlocutor visado pelo anúncio (o motorista) e qual comportamento a peça busca provocar nele, unindo a leitura da imagem ao chamamento verbal final.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto multimodal: texto que combina mais de um modo de linguagem (verbal, visual, sonoro etc.) para construir sentido; nenhum dos modos deve ser lido isoladamente, pois o sentido pleno nasce da interação entre eles.
  • Gênero publicitário/institucional (campanha de conscientização): texto persuasivo cujo objetivo não é vender um produto, mas mudar uma atitude ou comportamento social; por isso sempre traz um apelo direto ao leitor (imperativo, convocação, "chamado").
  • Estratégia argumentativa por efeito de surpresa/percepção: recurso em que o texto não verbal cria uma experiência (aqui, a dificuldade de enxergar a criança em meio aos celulares repetidos) que serve de prova concreta para o argumento verbal que vem em seguida.
  • Interlocutor (público-alvo): todo texto argumentativo é construído pensando em convencer alguém específico; identificar esse "alguém" é decisivo para não confundir tema com finalidade.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): a peça repete, em fileiras, pequenas cenas de uma faixa de pedestres emolduradas como telas de celular, e camufla entre elas a silhueta discreta de uma criança → isso simula, na experiência do leitor, o que acontece na cabeça de quem olha para o celular: a atenção se dispersa entre as "telas" e a criança real quase desaparece do campo de visão.
  • Evidência 2 (texto verbal de apoio): "SE VOCÊ NÃO PERCEBEU A CRIANÇA AQUI, IMAGINE NO TRÂNSITO." → transfere o efeito de dificuldade visual da imagem para uma advertência direta: se o leitor falhou em ver a criança num anúncio parado, com muito mais razão falharia em vê-la no trânsito real, distraído pelo celular.
  • Evidência 3 (chamado final): "Trânsito sem celular. Atenda a esse chamado. Seja você a mudança no trânsito." → o imperativo e o vocativo "você" dirigem-se a quem está ao volante (ou guiando um veículo) e usa o celular; é um pedido explícito de mudança de conduta de quem dirige.
  • Síntese: a imagem prova, por experiência direta, a tese que o texto verbal enuncia — e o alvo dessa prova e desse pedido de mudança é claramente o condutor distraído pelo telefone, não o pedestre nem a população em geral. Verbal e não verbal trabalham juntos para convencer o motorista a largar o celular no trânsito.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a função da imagem

A imagem não é meramente ilustrativa: ela é uma "armadilha visual" deliberada. Ao repetir a mesma cena emoldurada como tela de smartphone diversas vezes, o anunciante obriga o olhar do leitor a varrer o quadro em busca de diferenças — exatamente como o olhar de um motorista varre o trânsito enquanto mexe no celular. A criança, pequena e pouco destacada, fica quase invisível nesse "ruído visual" repetitivo. Esse efeito só existe por causa da multiplicação de imagens (não verbal); um único texto verbal jamais produziria essa experiência de quase não ver.

Subpasso 4.2 — Conectar a imagem ao texto verbal

A frase "SE VOCÊ NÃO PERCEBEU A CRIANÇA AQUI, IMAGINE NO TRÂNSITO" funciona como uma ponte explícita entre o que acabou de acontecer com o leitor (não ter visto a criança na imagem) e o que pode acontecer com um motorista distraído no trânsito real. É um argumento por analogia: "se você falhou aqui, num anúncio parado e sem pressa, falharia — com risco de vida — numa situação real de trânsito". Essa analogia só é possível porque a imagem foi construída para gerar a falha de percepção; verbal e não verbal são, portanto, indissociáveis na construção do argumento.

Subpasso 4.3 — Verificação: identificar o destinatário e a intenção

O trecho final — "Trânsito sem celular. Atenda a esse chamado. Seja você a mudança no trânsito." — usa imperativos e a segunda pessoa para se dirigir a quem efetivamente usa o celular enquanto conduz (motorista de carro, moto, bicicleta motorizada etc.), pedindo que essa pessoa mude de comportamento. Não é um alerta genérico à "população" nem uma orientação equilibrada para "pedestres e motoristas": o apelo é assimétrico e mira quem está no controle de um veículo. Confirmando as alternativas, apenas a opção D nomeia corretamente esse alvo (o motorista) e essa finalidade (mudar seu comportamento quanto ao uso do celular no trânsito).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) manifestar a preocupação do governo com a segurança dos pedestres.

❌ Incorreta: o anúncio é assinado pela campanha "Parada pela Vida" (uma iniciativa da sociedade civil/ONG, como indica a fonte "www.paradapelavida.com.br"), não há qualquer menção a órgão governamental; além disso, o texto não apenas "manifesta preocupação" — ele convoca uma ação concreta do leitor.

B) associar a utilização do celular às ocorrências de atropelamento de crianças.

❌ Incorreta: é a distratora mais forte, pois usa os mesmos elementos do anúncio (celular + criança), mas inverte a lógica argumentativa. O texto não está estabelecendo uma relação de causa e efeito estatística ("celular causa atropelamento de crianças") como se fosse um dado ou denúncia; ele usa a criança como recurso ilustrativo dentro de um teste de percepção para, em seguida, pedir uma mudança de atitude do motorista. Associar não é a finalidade argumentativa — é apenas o meio usado para chegar a ela.

C) orientar pedestres e motoristas quanto à utilização responsável do telefone móvel.

❌ Incorreta: o texto não fala em uso "responsável" nem se dirige a pedestres; o pedido verbal é categórico — "trânsito sem celular" — e não admite um meio-termo de uso moderado. Também não há nenhuma orientação dirigida a quem caminha pelas ruas.

D) influenciar o comportamento de motoristas em relação ao uso de celular no trânsito.

✅ Correta: a imagem (experiência de quase não ver a criança) e o texto verbal (advertência + chamado imperativo "atenda a esse chamado", "seja você a mudança") trabalham juntos, de forma indissociável, para convencer especificamente quem dirige a abandonar o uso do celular ao volante. É exatamente essa fusão entre não verbal e verbal que caracteriza a "estratégia argumentativa" perguntada no comando.

E) alertar a população para os riscos da falta de atenção no trânsito das grandes cidades.

❌ Incorreta: generaliza demais o alvo (população, não motoristas) e a causa (falta de atenção genérica, não o uso do celular especificamente); a palavra "celular" está ausente dessa alternativa, mas é o elemento central e explícito de toda a peça publicitária, tanto na imagem (telas de smartphone) quanto no texto ("trânsito sem celular").

🏆 Gabarito: D — a combinação entre a imagem que simula a distração visual e o texto verbal que convoca diretamente o leitor-motorista ("atenda a esse chamado") revela que a finalidade argumentativa da peça é mudar o comportamento de quem dirige em relação ao celular no trânsito.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D nomeia corretamente o destinatário (motorista) e a ação pretendida (mudar o comportamento quanto ao celular), que é o que a fusão entre imagem e texto verbal comprova.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz anúncios, campanhas e cartazes de conscientização (trânsito, saúde, meio ambiente) e pergunta pela "estratégia argumentativa" ou pelo "efeito de sentido" da combinação verbal/não verbal — nunca basta descrever a imagem, é preciso apontar a intenção comunicativa por trás dela.
  • Generalização: em textos multimodais persuasivos, procure sempre o verbo de comando ou o chamado final (imperativo, "atenda", "seja você") — ele costuma revelar com precisão quem é o interlocutor-alvo e qual mudança de comportamento se espera dele.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que citam agentes ou públicos não mencionados no texto (aqui, "governo" em A e "pedestres" em C) e as que trocam a finalidade persuasiva por uma simples descrição de tema ou associação de ideias (B) ou por um alerta genérico sem o elemento central "celular" (E).
  • Conexões: compare com outras questões de leitura de charges, tirinhas e anúncios publicitários do ENEM, e com o conceito de "funções da linguagem" (aqui predomina a função conativa/apelativa, voltada para provocar uma ação no receptor).

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