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Mapa de questões · 2º dia
MatemáticaMatemáticaMédio

Questão 180ENEM 2016Caderno azul · 2º Dia

Em 2011, um terremoto de magnitude 9,0 na escala Richter causou um devastador tsunami no Japão, provocando um alerta na usina nuclear de Fukushima. Em 2013, outro terremoto, de magnitude 7,0 na mesma escala, sacudiu Sichuan (sudoeste da China), deixando centenas de mortos e milhares de feridos. A magnitude de um terremoto na escala Richter pode ser calculada por

sendo E a energia, em kWh, liberada pelo terremoto e E0 uma constante real positiva. Considere que E1 e E2 representam as energias liberadas nos terremotos ocorridos no Japão e na China, respectivamente.

Qual a relação entre E1 e E2?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Logaritmos (propriedades operatórias) e Funções Logarítmicas aplicadas
  • ⚡ Nível: Médio — exige transformar diferença de magnitudes em razão de energias usando propriedades de logaritmo, sem cálculo numérico complexo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Resolução de situações-problema com logaritmos (Competência 5/Habilidade H21 da Matriz ENEM) aplicada a um contexto de Física (escala Richter)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Dada a fórmula que relaciona magnitude e energia liberada em um terremoto, encontre como E₁ (energia do terremoto do Japão, magnitude 9,0) se relaciona matematicamente com E₂ (energia do terremoto da China, magnitude 7,0)."
  • Palavras-chave decisivas: magnitude 9,0, magnitude 7,0, E = E(E₀) (fórmula logarítmica dada)
  • Armadilha típica: achar que, como a magnitude aumentou 2 unidades (de 7 para 9), a energia também dobra ou aumenta "linearmente" (erro da alternativa A) — a escala Richter é logarítmica, não linear, então pequenas variações de magnitude escondem variações gigantescas de energia.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de isolar a razão E₁/E₂ a partir da diferença M₁ − M₂, aplicando corretamente a propriedade do logaritmo do quociente (subtração de logaritmos = log do quociente).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Escala Richter (contexto físico): mede a magnitude de um terremoto a partir da energia liberada, usando uma relação logarítmica — por isso, cada unidade a mais na escala representa uma energia muitas vezes maior, não apenas "um pouco mais".
  • Fórmula da questão: M = (2/3) · log₁₀(E/E₀), em que M é a magnitude, E é a energia liberada (em kWh) e E₀ é uma constante positiva de referência.
  • Propriedade do quociente de logaritmos: log(a) − log(b) = log(a/b). É essa propriedade que permite eliminar a constante E₀ ao subtrair as duas equações de magnitude.
  • Definição de logaritmo: log₁₀(x) = k ⟺ x = 10^k. Usada no fim para "desfazer" o logaritmo e isolar a razão E₁/E₂.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "terremoto de magnitude 9,0 [...] no Japão" → define M₁ = 9,0, associado a E₁.
  • Evidência 2: "terremoto, de magnitude 7,0 [...] em Sichuan" → define M₂ = 7,0, associado a E₂.
  • Evidência 3: "M = (2/3) · log₁₀(E/E₀), sendo E a energia [...] e E₀ uma constante real positiva" → fórmula-modelo válida para ambos os terremotos, com a mesma constante E₀ nos dois casos (isso é o que permite cancelá-la).
  • Síntese: o problema fornece duas magnitudes conhecidas (9,0 e 7,0) geradas pela mesma fórmula logarítmica com a mesma constante E₀. Basta escrever a equação para cada terremoto, subtrair uma da outra para eliminar E₀ e log₁₀(E₀), e isolar a razão E₁/E₂.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Escrever a equação de cada terremoto

Aplicando a fórmula M = (2/3) · log₁₀(E/E₀) para cada evento:

Japão: 9,0 = (2/3) · log₁₀(E₁/E₀)

China: 7,0 = (2/3) · log₁₀(E₂/E₀)

Subpasso 4.2 — Subtrair as duas equações para eliminar E₀

Subtraindo a segunda da primeira:

9,0 − 7,0 = (2/3) · log₁₀(E₁/E₀) − (2/3) · log₁₀(E₂/E₀)

2 = (2/3) · [log₁₀(E₁/E₀) − log₁₀(E₂/E₀)]

Pela propriedade do quociente de logaritmos, log₁₀(E₁/E₀) − log₁₀(E₂/E₀) = log₁₀[(E₁/E₀) ÷ (E₂/E₀)] = log₁₀(E₁/E₂), pois a constante E₀ se cancela na divisão:

2 = (2/3) · log₁₀(E₁/E₂)

Subpasso 4.3 — Isolar E₁/E₂ e verificar

Multiplicando os dois lados por 3/2:

log₁₀(E₁/E₂) = 2 × (3/2) = 3

Pela definição de logaritmo, log₁₀(E₁/E₂) = 3 significa que E₁/E₂ = 10³. Logo:

E₁ = 10³ · E₂

Verificação de sentido físico: o terremoto do Japão (magnitude 9,0) liberou mil vezes mais energia que o de Sichuan (magnitude 7,0), o que é coerente com a natureza logarítmica da escala Richter (cada 2 pontos a mais correspondem a 10³ vezes mais energia, já que o expoente do log é 2/3). Esse resultado bate exatamente com a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) E₁ = E₂ + 2

❌ Incorreta: trata a relação entre as energias como se fosse linear e aditiva (soma de 2), ignorando completamente que a fórmula dada é logarítmica. Essa alternativa reproduz o erro de confundir a diferença de magnitudes (2 unidades na escala Richter) com uma diferença direta nas energias — mas a escala Richter existe justamente para "comprimir" variações de energia astronomicamente grandes em uma escala numérica pequena.

B) E₁ = 10² · E₂

❌ Incorreta: quem calcula log₁₀(E₁/E₂) = 2 (esquecendo de multiplicar pelo inverso de 2/3, ou seja, esquecendo de "desfazer" o coeficiente 2/3 da fórmula) chega a essa razão. É o erro de tratar a fórmula como se fosse M = log₁₀(E/E₀), sem o fator 2/3 que a questão explicita.

C) E₁ = 10³ · E₂

✅ Correta: é exatamente o resultado obtido subtraindo as equações de magnitude, aplicando a propriedade do logaritmo do quociente e isolando E₁/E₂ = 10^[(M₁−M₂)×3/2] = 10^(2×1,5) = 10³.

D) E₁ = 10^(9/7) · E₂

❌ Incorreta: surge de um erro comum — dividir diretamente as magnitudes (9/7) e usar esse valor como expoente de 10, em vez de trabalhar com a diferença das magnitudes (9 − 7) dentro da propriedade logarítmica correta. Confunde razão de magnitudes com diferença de magnitudes.

E) E₁ = (9/7) · E₂

❌ Incorreta: comete o mesmo erro de dividir as magnitudes (9/7), mas ainda pior, trata esse valor como um fator multiplicativo direto sobre a energia, sem nenhuma relação com a estrutura logarítmica da fórmula fornecida. É a alternativa mais distante do raciocínio correto.

🏆 Gabarito: C — a subtração das equações de magnitude elimina a constante E₀ e, pela propriedade do logaritmo do quociente, mostra que E₁ = 10³ · E₂: o terremoto do Japão liberou mil vezes mais energia que o de Sichuan.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C respeita a estrutura logarítmica da fórmula M = (2/3)·log₁₀(E/E₀): a diferença de 2,0 pontos entre as magnitudes se traduz em 10³ vezes mais energia, e nenhuma outra alternativa preserva corretamente essa transformação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora contextualizar logaritmos em fenômenos naturais (terremotos, som em decibéis, pH, crescimento populacional) justamente para testar se o estudante entende por que se usa uma escala logarítmica — comprimir variações extremas em números pequenos e manejáveis.
  • Generalização: sempre que uma grandeza (magnitude, nível sonoro, pH) for dada por uma fórmula do tipo Y = k·log(X/X₀), a razão entre dois valores de X se obtém subtraindo as equações para cancelar a constante e depois "desfazendo" o logaritmo com uma potência de base 10 (ou da base do log usado).
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que trate a relação como soma ou razão direta das magnitudes (como A, D e E) — se a fórmula tem "log" nela, a resposta quase sempre envolve uma potência de 10, nunca uma soma ou fração simples das magnitudes.
  • Conexões: o mesmo raciocínio aparece em questões sobre nível de intensidade sonora em decibéis (β = 10·log(I/I₀)) e sobre pH (pH = −log[H⁺]) — domine a manipulação de log(a) − log(b) = log(a/b) e ela resolve todas essas variações.

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