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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensArtesMédio

Questão 97ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

O rap, palavra formada pelas iniciais de rhythm and poetry (ritmo e poesia), junto com as linguagens da dança (o break dancing) e das artes plásticas (o grafite), seria difundido, para além dos guetos, com o nome de cultura hip hop. O break dancing surge como uma dança de rua. O grafite nasce de assinaturas inscritas pelos jovens com sprays nos muros, trens e estações de metrô de Nova York. As linguagens do rap, do break dancing e do grafite se tornaram os pilares da cultura hip hop.

DAYRELL, J. A música entra em cena: o rap e o funk na socialização da juventude. Belo Horizonte: UFMG, 2005 (adaptado).

Entre as manifestações da cultura hip hop apontadas no texto, o break se caracteriza como um tipo de dança que representa aspectos contemporâneos por meio de movimentos

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Linguagens artísticas urbanas (cultura hip hop, dança de rua)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto não entrega a resposta pronta; exige relacionar a origem histórica do break dance a características de movimento que só quem conhece o contexto sociocultural do hip hop consegue inferir com segurança.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Manifestações artísticas populares e sua relação com o contexto social de produção (Competência de Área 6 de Linguagens — compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida e integradora social).
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica de movimento do break dance traduz, em forma de dança, aspectos da vida contemporânea?"
  • Palavras-chave decisivas: break, aspectos contemporâneos, movimentos
  • Armadilha típica: associar o break a imagens estereotipadas de dança formal (passos marcados, cadência, sapateado), quando na verdade sua marca é justamente a ruptura com padrões coreográficos fixos — daí o próprio nome "break" (quebra).
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o break nasceu como resposta corporal espontânea ao ritmo acelerado e imprevisível da vida nas metrópoles, e não como técnica rígida ou gesto de protesto formalizado.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Cultura hip hop: movimento cultural surgido nos bairros negros e latinos do Bronx, em Nova York, nos anos 1970, formado por quatro elementos — o rap, o DJing, o grafite e o break dancing (b-boying) — como resposta criativa à marginalização social e à precariedade urbana.
  • Break dancing (breaking): dança de rua nascida nas "rodas" (cyphers) de bairros populares, marcada por improviso, disputas (battles), movimentos acrobáticos no chão (footwork, power moves, freezes) e forte componente de estilo pessoal e competição.
  • Dança como linguagem corporal: toda dança comunica sentidos por meio do corpo em movimento; no caso do break, o corpo "traduz" em gestos a velocidade, a fragmentação e a imprevisibilidade típicas da experiência urbana contemporânea.
  • Contexto de origem: o texto-base situa o break dancing entre rap e grafite como pilares da cultura hip hop nascida "para além dos guetos", reforçando que sua estética é indissociável da vivência da rua e da cidade.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o break dancing surge como uma dança de rua" → isso indica que o break não nasceu em estúdios ou escolas de dança formal, mas no espaço público, informal e mutável da rua — o mesmo cenário caótico e dinâmico da metrópole.
  • Evidência 2: "junto com as linguagens da dança [...] e das artes plásticas [...] seria difundido, para além dos guetos, com o nome de cultura hip hop" → situa o break como expressão de comunidades marginalizadas, cuja arte se constrói de forma espontânea, com poucos recursos e muita criatividade — características que se manifestam no corpo por meio da improvisação.
  • Síntese: o enunciado pede que se conecte a origem urbana e popular do break (evidenciada no texto) às qualidades específicas do seu movimento corporal. A resposta correta precisa unir "rua/cidade" (contexto) a um tipo de movimento que reflita a lógica dessa vida urbana — não um movimento rígido, suave ou cadenciado, mas um movimento livre, rápido e não previsível: o improviso.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que caracteriza o movimento do break

O break dancing é historicamente descrito como uma dança de duelo (battle), praticada em rodas formadas nas ruas e festas de bairro. Cada b-boy ou b-girl entra no centro da roda e cria, na hora, uma sequência de movimentos para superar o adversário e impressionar o público. Não existe uma coreografia fixa e obrigatória: o dançarino responde ao ritmo do breakbeat tocado pelo DJ, ao gesto do rival e à energia do momento. Essa lógica de resposta imediata, sem roteiro prévio, é o que se chama de improviso.

Subpasso 4.2 — Relacionar o improviso à "vida urbana contemporânea"

A vida nas grandes cidades — sobretudo nas periferias de onde o hip hop emergiu — é marcada por imprevisibilidade, velocidade, fragmentação e necessidade constante de adaptação: o trânsito, o barulho, a correria, a alternância brusca de estímulos. O break "traduz" corporalmente essa experiência: seus movimentos quebrados, angulares, cheios de giros, quedas e recuperações repentinas, não seguem uma linha previsível — assim como a própria dinâmica urbana não segue. Por isso a dança é lida como expressão da dinâmica da vida urbana, e não como sua negação ou crítica direta.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção que une "movimentos improvisados" a "expressão da dinâmica da vida urbana" (alternativa B) descreve com precisão histórica e conceitual o break dancing. As demais atribuem ao break qualidades que pertencem a outras linguagens de dança (movimentos retos, suaves, cadenciados, marcados pela sola do sapato) ou funções que não correspondem ao seu papel original (crítica, protesto formal, contestação).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) retilíneos, como crítica aos indivíduos alienados.

❌ Incorreta: o break não se caracteriza por movimentos retilíneos — pelo contrário, é rico em giros, curvas, quedas e mudanças bruscas de plano (do chão ao ar). Além disso, sua função histórica não é criticar "indivíduos alienados", mas expressar identidade, pertencimento e resistência de jovens marginalizados.

B) improvisados, como expressão da dinâmica da vida urbana.

✅ Correta: o break dancing nasce e se desenvolve em batalhas de improviso nas ruas, respondendo ao ritmo e ao contexto do momento. Esse caráter espontâneo e não coreografado traduz corporalmente a imprevisibilidade, a velocidade e a fragmentação da vida nas grandes cidades — exatamente o que o enunciado pede.

C) suaves, como sinônimo da rotina dos espaços públicos.

❌ Incorreta: os movimentos do break são vigorosos, acrobáticos e por vezes bruscos (footwork rápido, power moves, freezes), o oposto de "suaves". Também não representam "rotina", já que o break nasce justamente como ruptura com o cotidiano estabelecido — daí o nome "quebra" (break).

D) ritmados pela sola dos sapatos, como símbolo de protesto.

❌ Incorreta: essa descrição se aproxima mais de danças como o sapateado (tap dance) ou o flamenco, centradas no som produzido pelos pés no chão. O break, ao contrário, envolve o corpo inteiro — mãos, cabeça, costas, ombros — e não tem como marca sonora o bater de sapatos.

E) cadenciados, como contestação às rápidas mudanças culturais.

❌ Incorreta: "cadenciado" sugere ritmo constante e previsível, característica que contraria a essência quebrada e sincopada do break. Além disso, a dança não surge para "contestar" as mudanças culturais rápidas — ela nasce como parte integrante e expressiva dessas próprias mudanças, não como reação contrária a elas.

🏆 Gabarito: B — o break dancing se define por movimentos improvisados, criados em tempo real nas batalhas de rua, que espelham corporalmente a velocidade, a imprevisibilidade e a fragmentação típicas da vida urbana contemporânea.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa B associa corretamente a técnica do break (improviso, ausência de coreografia fixa) ao seu significado social (tradução corporal da dinâmica urbana); as demais alternativas descrevem qualidades de movimento incompatíveis com o break ou atribuem a ele funções que não correspondem à sua origem histórica.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente traz textos sobre manifestações culturais populares (hip hop, funk, capoeira, cultura afro-brasileira) pedindo que o estudante relacione a forma artística (ritmo, movimento, estética) ao contexto social que a produziu — não basta decorar definições, é preciso entender a lógica histórica por trás da manifestação.
  • Generalização: em questões sobre linguagens artísticas populares, a alternativa correta costuma ser aquela que conecta uma característica formal real da manifestação (como ela se apresenta na prática) a um sentido social coerente com sua origem — evite alternativas que "embelezam" a resposta com termos vagos como "crítica", "protesto" ou "contestação" sem base textual.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que descrevem movimentos "suaves" ou "cadenciados" (C e E) — todo conhecimento básico sobre break associa a dança a energia, velocidade e ruptura, nunca a suavidade ou constância. Em seguida, elimine D por confundir break com sapateado.
  • Conexões: o tema dialoga com questões sobre cultura afro-brasileira e diáspora negra (capoeira, funk, samba) e com o debate sobre arte marginal versus arte institucionalizada, comum em provas de Sociologia e Artes do ENEM.

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