Mapa de questões · 2º dia
Questão 96 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

Dia do Músico, do Professor, da Secretária, do Veterinário… Muitas são as datas comemoradas ao longo do ano e elas, ao darem visibilidade a segmentos específicos da sociedade oportunizam uma reflexão sobre a responsabilidade social desses segmentos. Nesse contexto, está inserida a propaganda da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em que se combinam elementos verbais e não verbais para se abordar a estreita relação entre imprensa, cidadania, informação e opinião.
Sobre essa relação, depreende-se do texto da ABI que,
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto publicitário multimodal (linguagem verbal + não verbal)
- ⚡ Nível: Fácil — a relação de causa e efeito entre informação e opinião está escrita literalmente na peça, bastando "traduzi-la" para a alternativa correspondente
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de gêneros multissemióticos e função social da imprensa — Competência de área de Linguagens que avalia a compreensão de textos verbo-visuais de circulação social (H5/H6 da matriz ENEM)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual conclusão sobre a relação entre imprensa, informação e opinião a propaganda da ABI permite depreender?"
- Palavras-chave decisivas: informação, opinião, depreende-se
- Armadilha típica: trocar o sujeito das ações (fazer a imprensa "formar opinião" ou o cidadão "democratizar informação") ou inverter a ordem de causa e efeito sugerida pelo slogan
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecimento de que, segundo a peça, a opinião do indivíduo é uma consequência que depende do acesso prévio à informação — e não o contrário
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Propaganda institucional (publicidade de causa/campanha): peças como a da ABI usam datas comemorativas para reforçar, junto ao público, o papel social de uma categoria profissional — aqui, o compromisso da imprensa com a cidadania.
- Texto verbo-visual (multimodal): o sentido do anúncio é construído pela combinação entre o desenho (perfil humano com o cérebro exposto) e o slogan escrito dentro do próprio cérebro, reforçando que a mensagem trata de um processo mental.
- Relação condicional de causa e efeito: frases do tipo "Se A não ocorre, B não ocorre" indicam que A é pré-requisito de B; entender essa lógica é a chave para decifrar o slogan da campanha.
- Papéis sociais distintos: a peça separa dois agentes — a imprensa, que tem o dever de fazer a informação "chegar", e o cidadão, que é quem processa essa informação e a partir dela forma sua opinião.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "SE A INFORMAÇÃO NÃO CHEGA, A OPINIÃO NÃO SAI." → o slogan, desenhado dentro do cérebro na ilustração, estabelece que a opinião ("sair") só existe se a informação ("chegar") entrar antes — uma relação de dependência direta entre os dois elementos.
- Evidência 2: "1º DE JUNHO — DIA DA IMPRENSA" e a assinatura da ABI → contextualizam a peça como uma celebração institucional que reafirma a função da imprensa perante a sociedade, não uma crítica nem uma proposta de ação do cidadão.
- Evidência 3: a ilustração do perfil humano com o cérebro "aberto", exibindo o texto em seu interior → reforça visualmente que a opinião é um processo que se forma dentro da mente do indivíduo, alimentado por algo externo a ele (a informação).
- Síntese: o texto verbal e a imagem trabalham juntos para afirmar que a formação da opinião do cidadão depende do recebimento prévio da informação — cabendo à imprensa fornecê-la e ao cidadão, a partir dela, elaborar seu próprio julgamento.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Traduzindo a lógica condicional do slogan
A frase-chave da propaganda, "Se a informação não chega, a opinião não sai", é uma estrutura condicional negativa. Por contraposição lógica, "se não A, então não B" equivale a "B só ocorre se A ocorrer antes". Aplicando isso ao slogan: a opinião ("B") só "sai" (existe, é formada) se a informação ("A") "chegar" (for recebida) previamente. Em outras palavras: informação é condição necessária para a existência da opinião.
Subpasso 4.2 — Identificando corretamente os agentes da ação
O próximo passo é não confundir quem pratica cada ação. A propaganda celebra o Dia da Imprensa, portanto é a imprensa quem deve fazer a informação "chegar" até as pessoas — esse é o papel social dela. Já a opinião que "sai" é processada dentro da cabeça representada no desenho, ou seja, é o cidadão (o indivíduo, o leitor/ouvinte) quem forma sua própria opinião a partir dessa informação recebida. Nenhuma alternativa que atribua ao cidadão a tarefa de "democratizar" informação, ou à imprensa a tarefa de "formar opinião" a partir de si mesma, condiz com essa distribuição de papéis.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação lógica
Confrontando a relação decodificada ("informação → condição → opinião do cidadão") com as cinco alternativas, apenas uma preserva ao mesmo tempo (i) o sentido da causalidade (informação antes, opinião depois) e (ii) os agentes corretos (cidadão forma a opinião; a informação é o insumo que ele precisa receber). Essa alternativa é a que afirma que o cidadão precisa ter acesso à informação para formar sua opinião — exatamente o que está escrito, em outras palavras, dentro do cérebro da ilustração.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) para a imprensa exercer seu papel social, ela deve transformar opinião em informação.
❌ Incorreta: inverte o sentido do slogan. A peça não fala em transformar opinião em informação; ao contrário, é a informação que gera a possibilidade de opinião. Além disso, desloca para a imprensa uma ação (formar/transformar) que, no anúncio, pertence ao processo mental do cidadão.
B) para a imprensa democratizar a opinião, ela deve selecionar a informação.
❌ Incorreta: insere a ideia de "seleção" de informação, que não existe no texto, e mantém erroneamente a imprensa como sujeito que "democratiza a opinião" — na peça, quem forma a opinião a partir da informação recebida é o cidadão, não a imprensa.
C) para o cidadão expressar sua opinião, ele deve democratizar a informação.
❌ Incorreta: erro sutil de inversão de papel — no anúncio é a informação que precisa "chegar" até o cidadão (ele é o receptor), e não o cidadão quem deve distribuir ("democratizar") a informação para terceiros; essa é uma função associada à imprensa, não ao indivíduo.
D) para a imprensa gerar informação, ela deve fundamentar-se em opinião.
❌ Incorreta: inverte completamente a relação de causa e efeito da propaganda, que liga a opinião à informação (e não o contrário), além de atribuir à imprensa uma ação — "gerar informação a partir de opinião" — que não está sugerida em nenhum ponto do texto ou da imagem.
E) para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso à informação.
✅ Correta: reproduz com fidelidade a lógica condicional do slogan da ABI — sem informação chegando, não há opinião saindo; logo, o acesso à informação é apresentado como condição necessária para que o cidadão forme sua opinião, preservando tanto a causalidade quanto os agentes corretos do anúncio.
🏆 Gabarito: E — a propaganda afirma, verbal e visualmente, que a opinião do cidadão depende do acesso prévio à informação fornecida pela imprensa; apenas a alternativa E reproduz essa relação de causa e efeito sem inverter agentes ou sentido.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que mantém, ao mesmo tempo, o agente correto (o cidadão é quem forma a opinião) e o sentido correto da dependência (a informação precisa chegar antes, como condição, e não como consequência).
- Padrão de cobrança: questões de Linguagens no ENEM recorrem com frequência a peças publicitárias e institucionais multimodais, pedindo que o candidato "depreenda" (infira) o sentido global do texto verbo-visual sem extrapolar o que está escrito.
- Generalização: em anúncios curtos organizados em torno de um slogan central, a alternativa correta costuma ser uma paráfrase direta e literal desse slogan — desconfie de opções que introduzem verbos ou papéis (como "selecionar", "democratizar", "fundamentar-se") ausentes do texto original.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que trocam o sujeito da ação em relação ao slogan (tirando o cidadão do papel de quem forma a opinião) e, em seguida, as que invertem a ordem causal informação → opinião.
- Conexões: função social da imprensa e cidadania; leitura de gêneros multissemióticos (charges, cartazes, campanhas publicitárias institucionais) — temas recorrentes na prova de Linguagens.
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