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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 112ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

Na exposição “A Artista Está Presente”, no MoMa, em Nova Iorque, a performer Marina Abramovic fez uma retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou uma performance marcante. Em 2010, de 14 de março a 31 de maio, seis dias por semana, num total de 736 horas, ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras. Ao redor, o público assistia a essas cenas recorrentes.

ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar.
Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em: 4 nov. 2013.

O texto apresenta uma obra da artista Marina Abramovic, cuja performance se alinha a tendências contemporâneas e se caracteriza pela

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → arte contemporânea e performance art
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um relato descritivo e associá-lo a um conceito teórico da arte contemporânea sem que o texto nomeie esse conceito diretamente.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Estética relacional e performance art — reconhecer manifestações artísticas contemporâneas a partir da leitura de um relato (competência de leitura e análise de linguagens artísticas).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica central define a performance de Marina Abramović como alinhada às tendências da arte contemporânea?"
  • Palavras-chave decisivas: trocava com cada um deles um longo olhar, um a um, tendências contemporâneas
  • Armadilha típica: escolher uma alternativa que soa "bonita" e genericamente associada à arte contemporânea (como "inovação", "educação" ou "democratização da arte"), mas que não é sustentada pelos fatos concretos narrados no texto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato identifica, com base apenas no que o texto descreve, o mecanismo específico de construção de sentido da obra — não uma impressão genérica sobre arte contemporânea.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Performance art: linguagem artística em que a própria ação do artista, seu corpo e sua presença em tempo real constituem a obra — não há um objeto fixo (tela, escultura) a ser contemplado à distância, mas um acontecimento vivido e finito no tempo.
  • Estética relacional: conceito consolidado pela crítica de arte contemporânea (associado a Nicolas Bourriaud, anos 1990) segundo o qual certas obras tomam como matéria-prima as relações humanas, e não um espaço simbólico privado e autônomo — a obra só se completa quando alguém interage com ela.
  • Coautoria do espectador: tendência da arte contemporânea de deslocar o público de posição passiva (mero observador) para posição ativa, cuja presença, reação e interação são parte constitutiva do sentido final da obra.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "recebia os visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras" → revela que a obra não tem conteúdo fixo transmitido pela artista; o sentido nasce do encontro individual, silencioso e único entre ela e cada pessoa.
  • Evidência 2: "num total de 736 horas, ela repetia a mesma postura" → mostra que a permanência física e temporal é o próprio suporte da obra — não existe peça acabada, existe processo, e cada repetição gera um encontro novo e irrepetível.
  • Síntese: o texto não descreve nem uma aula (não há transmissão de conteúdo), nem uma reorganização do espaço expositivo com várias linguagens combinadas, nem uma ruptura declarada com a elitização da arte. Descreve, isso sim, uma sequência de encontros de olhos em que sentido é construído em conjunto, a cada troca — exatamente a lógica da negociação colaborativa de sentidos.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o núcleo da ação descrita

O relato apresenta uma performance de longuíssima duração (14 de março a 31 de maio de 2010, seis dias por semana, totalizando 736 horas), na qual Marina Abramović permanece sentada e, no centro do gesto artístico, recebe visitantes um a um para uma troca de olhar silenciosa. Não há fala, não há objeto artístico tradicional a ser exposto — o que existe é um encontro presencial e mudo entre dois sujeitos, repetido centenas de vezes com pessoas diferentes.

Subpasso 4.2 — Relacionar o gesto à teoria da arte contemporânea

Um dos eixos mais fortes da arte a partir da segunda metade do século XX é o deslocamento do eixo de sentido do objeto (a obra acabada, contemplada à distância, com significado fechado pelo artista) para a relação (o processo vivido em conjunto por artista e público). Em "A Artista Está Presente", cada visitante contribuía com sua própria presença e seu próprio olhar — o sentido da performance não estava pronto de antemão nem era controlado apenas por Abramović: ele era produzido, negociado, a cada nova troca de olhares. É esse mecanismo — sentido construído colaborativamente na interação direta — que caracteriza a obra como alinhada às tendências contemporâneas.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as cinco alternativas, apenas uma nomeia exatamente esse mecanismo, sem acrescentar informação que o texto não autoriza: a que fala em "negociação colaborativa de sentidos entre a artista e a pessoa com quem interage". As demais descrevem fenômenos que o relato não comprova (inovação, função pedagógica, integração de linguagens artísticas, ruptura com a elitização), por isso devem ser descartadas.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) inovação de uma proposta de arte relacional que adentra um museu.

❌ Incorreta: o erro está na palavra "inovação". A performance art e a arte relacional já eram práticas plenamente consolidadas quando Abramović realizou essa obra em 2010 — a própria artista performava desde os anos 1970, e o conceito de estética relacional já havia sido sistematizado pela crítica desde os anos 1990. Também é impreciso dizer que esse tipo de arte "adentra" o museu como algo estranho a ele: performances e instalações relacionais circulam em museus há décadas. Não há, portanto, novidade a ser destacada.

B) abordagem educacional estabelecida na relação da artista com o público.

❌ Incorreta: nada no texto indica intenção pedagógica, transmissão de conteúdo ou processo de ensino-aprendizagem. A relação descrita é de presença silenciosa e troca de olhar, não de instrução. Esse erro costuma surgir de quem associa automaticamente "museu" a "espaço educativo", ignorando a especificidade da performance narrada.

C) redistribuição do espaço do museu, que integra diversas linguagens artísticas.

❌ Incorreta: o texto não menciona reorganização física da sala expositiva nem combinação de diferentes linguagens artísticas (como vídeo, escultura, dança, música). Descreve-se uma única ação performática — a artista sentada, recebendo visitantes —, sem qualquer indício de hibridismo de linguagens ou intervenção espacial ampliada.

D) negociação colaborativa de sentidos entre a artista e a pessoa com quem interage.

✅ Correta: é exatamente o que o texto descreve — um encontro individual e silencioso em que o sentido da obra emerge da troca de olhar entre a artista e cada visitante. Essa é a marca central da arte relacional contemporânea: o público deixa de ser espectador passivo e passa a coautor do sentido, negociado a cada novo encontro, um a um.

E) aproximação entre artista e público, o que rompe com a elitização dessa forma de arte.

❌ Incorreta: embora haja proximidade física e afetiva entre a artista e cada visitante, nada no texto indica ruptura com a elitização da arte. A performance ocorreu justamente em um dos museus mais renomados e institucionalizados do mundo, o MoMA, mantendo o circuito tradicional de acesso à arte contemporânea. Trata-se de uma inferência que extrapola o que o relato efetivamente autoriza.

🏆 Gabarito: D — a performance de Marina Abramović caracteriza-se pela negociação colaborativa de sentidos entre artista e público, marca central da estética relacional na arte contemporânea.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que descreve, sem extrapolar o texto, o mecanismo efetivamente narrado — a construção de sentido em tempo real entre dois sujeitos, mediada apenas pelo olhar e pela presença.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente apresenta relatos sobre arte contemporânea (performance, instalação, intervenção urbana, arte relacional) pedindo que o candidato reconheça, a partir de uma descrição concreta, o conceito teórico que ela ilustra — sem exigir conhecimento prévio de nomes de teóricos, mas exigindo leitura atenta e literal do relato.
  • Generalização: em questões sobre movimentos ou tendências artísticas, a alternativa correta costuma se apoiar estritamente nos elementos descritos no texto (ações, verbos, sujeitos envolvidos), enquanto as erradas acrescentam juízos de valor ou consequências sociais amplas não comprovadas (como "inovação", "educação" ou "deselitização").
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que atribua à obra um efeito social generalizado que o texto não menciona (educação, deselitização) ou que use adjetivos fortes sem sustentação textual (inovação); fique com a alternativa que apenas descreve, com precisão, a ação central relatada.
  • Conexões: performance art e body art (tradição que inclui artistas como Yoko Ono e Chris Burden); estética relacional (Nicolas Bourriaud) e obras participativas de artistas brasileiros como Lygia Clark e Hélio Oiticica, temas também recorrentes em questões de linguagens no ENEM.

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