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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 131ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

Questão 131 - ENEM 2015 -

TEXTO II

Lucian Freud é, como ele próprio gosta de relembrar às pessoas, um biólogo. Mais propriamente, tem querido registrar verdades muito específicas sobre como é tomar posse deste determinado corpo nesta situação particular, neste específico espaço de tempo.

SMEE, S. Freud. Köin: Taschen, 2010.

Considerando a intencionalidade do artista, mencionada no Texto II, e a ruptura da arte no século XX com o parâmetro acadêmico, a obra apresentada trata do(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Interpretação de linguagem visual e das rupturas estéticas do século XX com o academicismo
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a fala verbal do artista (Texto II) com o conhecimento histórico de que a arte do século XX rompeu com o ideal acadêmico de beleza, sem cair em alternativas que soam "bonitas" mas contradizem o texto.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Leitura articulada de linguagens verbal e não verbal para compreender a intencionalidade artística e as rupturas com o cânone acadêmico na arte moderna/contemporânea
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Some a intenção declarada pelo artista no Texto II à ideia de que a arte do século XX rompeu com o padrão acadêmico e diga do que trata a obra."
  • Palavras-chave decisivas: biólogo, verdades muito específicas, ruptura ... com o parâmetro acadêmico
  • Armadilha típica: confundir "verdades específicas sobre o corpo" com busca por perfeição ou beleza idealizada (o erro das alternativas B e D), quando o texto afirma exatamente o oposto: precisão documental de um corpo real, não sua idealização.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que retratar "verdades específicas" de um corpo em um tempo e espaço concretos equivale a um realismo não idealizado, dissociado dos cânones clássicos de beleza e proporção.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Parâmetro acadêmico: tradição de ensino da pintura ocidental consolidada nas academias de belas-artes (séculos XVIII-XIX), que valorizava a idealização das formas — corpos proporcionais, harmônicos e "belos", seguindo cânones herdados da escultura greco-romana e do Renascimento.
  • Ruptura do século XX: movimentos como Cubismo, Futurismo e Expressionismo abandonam esse ideal cada um a seu modo — fragmentando planos, distorcendo volumes ou, no caso de pintores figurativos contemporâneos, expondo o corpo "cru", sem qualquer embelezamento.
  • Lucian Freud e o olhar de biólogo: Freud (1922-2011), neto de Sigmund Freud, tornou-se célebre por retratos e nus que mostram a carne tal como ela é — pele flácida, volumes irregulares, textura de gordura e músculo — recusando a suavização e a idealização típicas da pintura acadêmica clássica.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto II): "é ... um biólogo" → o artista se compara a um cientista que observa e registra, não a alguém que embeleza ou romantiza; é uma postura de precisão quase clínica diante do corpo.
  • Evidência 2 (Texto II): "verdades muito específicas sobre como é tomar posse deste determinado corpo nesta situação particular, neste específico espaço de tempo" → o foco está no corpo real, único e contingente — o oposto de um corpo idealizado, atemporal e genérico, que seria o padrão da Academia ou de um suposto "belo contemporâneo".
  • Evidência 3 (imagem que abre o conjunto, Texto I): a pintura mostra uma cena de baile inteiramente fragmentada em planos geométricos sobrepostos — figuras recortadas, chapéus, rostos e mãos dissolvidos entre triângulos e curvas, com palavras como "POLKA" e "VALSE" recortadas na composição. É um exemplo visual claro de como a arte do início do século XX (linguagem próxima do Cubismo/Futurismo) já rompia com a representação mimética e idealizada da Academia, ainda que por um caminho formal diferente do de Freud: a fragmentação da forma, e não o realismo cru do corpo.
  • Síntese: a mesma "ruptura com o parâmetro acadêmico" citada no comando aparece de duas maneiras distintas no conjunto de textos: no Texto I, pela fragmentação cubista/futurista da imagem; no Texto II, pelo relato de Freud sobre recusar a idealização em nome de um realismo específico e não embelezado. A pergunta cobra exatamente essa segunda chave — o que caracteriza a obra à luz da fala do próprio artista.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a intenção declarada pelo artista

Freud não diz que busca beleza, harmonia ou um padrão ideal de forma. Ele afirma registrar "verdades muito específicas" sobre um corpo determinado, numa situação e num tempo particulares. Isso é o oposto de generalizar ou idealizar: é particularizar, documentar o corpo tal como ele se apresenta de fato, com suas imperfeições, assimetrias e texturas — postura equiparada à de um biólogo diante de um organismo.

Subpasso 4.2 — Relacionar essa intenção com a ruptura do século XX

A Academia ensinava que a pintura devia buscar a perfeição da forma — o corpo humano representado segundo cânones de proporção e beleza idealizada, como no nu clássico. O século XX rompe com isso por vários caminhos: o Cubismo/Futurismo fragmenta a forma (visível no Texto I), o Expressionismo a distorce para expressar emoção, e pintores figurativos como Freud despem o corpo de qualquer embelezamento, retratando-o "como é", com um olhar quase científico.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando as duas informações — intenção do artista (registrar verdades específicas de um corpo real) e ruptura com o academicismo (abandono do ideal de perfeição) — chega-se a um resultado único: um realismo que não idealiza, que não busca aperfeiçoar o corpo, mas ser fiel à sua condição concreta e particular. Entre as cinco alternativas, apenas uma descreve exatamente isso, e é nela que a leitura converge.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) exaltação da figura masculina.

❌ Incorreta: nada no Texto II qualifica o corpo retratado por sexo ou o eleva a um ideal; a expressão usada é "este determinado corpo", neutra e centrada na especificidade biológica, não numa celebração de gênero.

B) descrição precisa e idealizada da forma.

❌ Incorreta: a palavra "precisa" até dialoga com a minúcia do olhar biológico de Freud, mas "idealizada" contradiz frontalmente o texto — ele busca a verdade de um corpo real e específico, exatamente o oposto de idealizar.

C) arranjo simétrico e proporcional dos elementos.

❌ Incorreta: simetria e proporção são critérios do cânone acadêmico clássico, justamente o parâmetro que o comando afirma ter sido rompido no século XX; nada no Texto II sugere preocupação de Freud com organização geométrica da composição — o interesse dele é existencial e biológico, não compositivo.

D) representação do padrão do belo contemporâneo.

❌ Incorreta: Freud não persegue nenhum "padrão" de beleza, nem clássico nem contemporâneo; sua proposta é escapar de qualquer padrão pré-definido para registrar a singularidade de um corpo determinado, em um tempo e lugar específicos.

E) fidelidade à forma realista isenta do ideal de perfeição.

✅ Correta: sintetiza com exatidão a fala do artista (biólogo que registra "verdades específicas" de um corpo determinado) somada à ruptura do século XX com o academicismo (abandono do ideal de perfeição e de beleza idealizada), resultando num realismo que expõe o corpo em sua condição concreta, particular e imperfeita.

🏆 Gabarito: E — a obra trata da fidelidade à forma realista isenta do ideal de perfeição, pois une a intenção "biológica" e documental de Freud à ruptura do século XX com o padrão idealizado de beleza da Academia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E concilia as duas pontas do comando — a intenção documental e biológica declarada por Freud e a ruptura histórica da arte do século XX com o ideal acadêmico de perfeição.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma cruzar a declaração de um artista ou crítico com o conhecimento de movimentos e rupturas estéticas; a armadilha é sempre a mesma — ler rápido demais o texto verbal e responder com "achismo" de história da arte, em vez de parafrasear com fidelidade o que o texto realmente diz.
  • Generalização: sempre que o comando pedir para "considerar a intencionalidade do artista", a alternativa correta nasce da paráfrase fiel da citação, e não de associações genéricas com "beleza", "harmonia" ou "arte".
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que contenha "idealizada", "belo", "perfeição" ou "simétrico/proporcional" — são marcas do cânone acadêmico que o próprio enunciado diz ter sido rompido; sobra quase sempre a opção que fala em realismo sem idealização.
  • Conexões: compare esse tema com o Realismo do século XIX (Courbet, corpos e cenas do cotidiano sem embelezamento) e com o Expressionismo (distorção da forma para expressar uma verdade emocional) — dois outros modos de romper com o ideal acadêmico de beleza, cada um por um caminho diferente do de Freud.

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