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Questão 93ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

Why am I compelled to write? Because the writing saves me from this complacency I fear. Because I have no choice. Because I must keep the spirit of my revolt and myself alive. Because the world I create in the writing compensates for what the real world does not give me. By writing I put order in the world, give it a handle so I can grasp it.

ANZALDÚA, G. E. Speaking in tongues: a letter to third world women writers. In: HERNANDEZ, J. B. (Ed.). Women writing resistance: essays on Latin America and the Caribbean. Boston: South End, 2003.

Gloria Evangelina Anzaldúa, falecida em 2004, foi uma escritora americana de origem mexicana que escreveu sobre questões culturais e raciais. Na citação, o intuito da autora é evidenciar as

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Inglês → Interpretação de texto → identificação do propósito de um trecho
  • Habilidade: H6 — associar vocábulos e expressões de um texto em língua estrangeira moderna ao seu tema
  • Nível: Médio — o texto é curto e sem vocabulário difícil, mas as cinco alternativas são todas verdadeiras em algum grau; o trabalho é escolher a que cobre o trecho inteiro
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: o que Gloria Anzaldúa quer deixar evidente ao escrever essa sequência de frases.
  • Palavras-chave decisivas: o intuito da autora, evidenciar. Não se pergunta o que ela sente nem o que ela consegue: pergunta-se qual é o propósito do trecho.
  • A armadilha: confundir uma parte do texto com o todo. Quatro das cinco alternativas repetem, em português, uma das frases que a autora escreveu. Estão corretas como informação isolada e erradas como resposta, porque o comando pede o propósito do conjunto.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você reconhece a estrutura do trecho — uma pergunta seguida de várias respostas — e não só o conteúdo de cada frase.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • "Compelled": particípio de "to compel", "obrigar", "impelir". "Why am I compelled to write?" = "Por que sou impelida a escrever?". Não é "por que gosto de escrever" — há uma força que empurra, e a autora vai listar quais são.
  • "Because" em anáfora: anáfora é a repetição de uma palavra no início de frases seguidas. Aqui because ("porque") abre cinco orações consecutivas. Cada uma introduz uma causa. Repetir o conector é o recurso que transforma o parágrafo numa lista de motivos — e é esse recurso que responde à questão.
  • "Complacency": acomodação, conformismo satisfeito. "The writing saves me from this complacency I fear" = "a escrita me salva desse conformismo que eu temo". Falso cognato perigoso: em português, "complacência" soa como tolerância com o outro; em inglês, é a acomodação consigo mesmo.
  • "Compensates for": "to compensate for" = "compensar", "suprir uma falta". "The world I create in the writing compensates for what the real world does not give me" = "o mundo que crio na escrita compensa o que o mundo real não me dá".
  • "Give it a handle so I can grasp it": "handle" é a alça, o cabo; "to grasp", agarrar — e também compreender. "Dou ao mundo uma alça para que eu possa segurá-lo". É metáfora de entendimento, não de transformação.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "Why am I compelled to write?" → o trecho abre com uma pergunta sobre causa. Tudo o que vem depois é resposta a ela. Essa primeira linha já define a função do parágrafo.
  • Evidência 2: "Because the writing saves me... Because I have no choice. Because I must keep the spirit of my revolt... Because the world I create..." → quatro conectores causais em sequência. A autora não desenvolve nenhum dos motivos: ela os enumera.
  • Evidência 3: "Because the world I create in the writing compensates for what the real world does not give me" → esta é uma das razões da lista. Aparece uma vez, no meio, e não organiza o trecho.
  • Evidência 4: "By writing I put order in the world" → outra razão, esta na última frase. Também é um item da lista, não a tese do parágrafo.
  • Síntese: o trecho tem uma pergunta e um bloco de respostas. O propósito não está no conteúdo de nenhuma resposta isolada — está no fato de haver várias, empilhadas pelo mesmo conector.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Mapear a estrutura antes de traduzir

Antes de decidir entre as alternativas, desenhe o esqueleto do parágrafo:

  • Linha 1: pergunta → "Why am I compelled to write?"
  • Linhas 2 a 5: quatro respostas iniciadas por "Because"
  • Linha 6: uma quinta resposta, reescrita sem o conector → "By writing I put order in the world"

Cinco respostas para uma pergunta. Esse é o texto inteiro.

4.2 — Testar cada alternativa contra a estrutura

A pergunta certa a fazer é: "esta alternativa cobre as cinco linhas ou apenas uma?"

  • "compensações advindas da escrita" → cobre só a quarta linha.
  • "possibilidades de mudar o mundo real" → não cobre nenhuma linha; a autora cria outro mundo, não muda o real.
  • "maneiras de ela lidar com seus medos" → cobre parcialmente a primeira linha, e ainda assim distorce: o medo é do conformismo, não é o objeto do texto.
  • "escolhas que ela faz para ordenar o mundo" → cobre a última linha, e colide com a segunda ("I have no choice", "não tenho escolha").
  • "razões pelas quais ela escreve" → cobre as cinco.

4.3 — Verificação

O comando pede o intuito. Um parágrafo que pergunta "por quê?" e responde cinco vezes "porque" tem por intuito apresentar razões. Gabarito: A.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) razões pelas quais ela escreve — Única alternativa que dá conta do trecho inteiro. A pergunta inicial "Why am I compelled to write?" ("Por que sou impelida a escrever?") pede causas, e a autora emenda cinco delas, quatro marcadas pelo conector because. Enumerar motivos é exatamente o que o parágrafo faz.

(B) compensações advindas da escrita — Extrapola uma parte para o todo. A compensação aparece em uma única linha — "compensates for what the real world does not give me" ("compensa o que o mundo real não me dá") — e é apenas um dos motivos listados. Tomar esse item como o propósito do texto ignora os outros quatro.

(C) possibilidades de mudar o mundo real — Inverte o que está escrito. A autora diz "the world I create in the writing" — o mundo que ela cria na escrita, um mundo à parte, justamente porque o real não lhe dá o que precisa. Em nenhum ponto ela propõe transformar a realidade externa. O distrator vive da associação automática entre escrita engajada e mudança social.

(D) maneiras de ela lidar com seus medos — Troca o objeto do texto. O único medo citado é o do conformismo — "this complacency I fear" —, e ele aparece como motivo para escrever, não como problema a ser administrado. Além disso, "maneiras" sugere métodos, e a autora não descreve nenhum procedimento: ela dá causas.

(E) escolhas que ela faz para ordenar o mundo — Contradiz uma frase literal do texto. A segunda linha é "Because I have no choice" — "porque não tenho escolha". Falar em escolhas é dizer o oposto do que a autora afirma. A ordenação do mundo, por sua vez, é o último motivo da lista, e não o eixo do parágrafo.

Gabarito: A — o trecho é uma pergunta sobre causa seguida de cinco respostas encadeadas por "because"; seu propósito é apresentar as razões de escrever, e as demais alternativas isolam uma dessas razões ou invertem o que está no texto.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só A se sustenta: B, D e E recortam uma linha e a apresentam como sendo o texto todo; C afirma algo que o texto não diz. A é a única formulação com a mesma abrangência do parágrafo.
  • Como o ENEM cobra isso: a prova de Inglês adora textos curtos, de vocabulário acessível, em que todas as alternativas parecem plausíveis. O que separa a correta é sempre a abrangência, não a veracidade. Alternativa verdadeira mas parcial é o distrator padrão do exame.
  • A regra geral: quando o comando pedir intuito, propósito, objetivo ou finalidade, olhe para a organização do texto — conectores repetidos, pergunta inicial, paralelismo — e não para o significado de cada frase separada.
  • Eliminação em 30 segundos: conte quantos "because" há no trecho. São quatro seguidos. Um texto que repete um conector causal quatro vezes está listando causas, e só uma alternativa fala em razões.
  • Temas que costumam vir junto: conectores de causa e consequência ("because", "since", "therefore", "thus"), falsos cognatos ("complacency", "pretend", "actually"), voz autoral e identidade em textos de escritoras latino-americanas.

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