Mapa de questões · 2º dia
Questão 118 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

Nas peças publicitárias, vários recursos verbais e não verbais são usados com o objetivo de atingir o público-alvo, influenciando seu comportamento. Considerando as informações verbais e não verbais trazidas no texto a respeito da hepatite, verifica-se que
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Gênero publicitário; leitura de texto verbo-visual e estratégias argumentativas (argumento de autoridade)
- ⚡ Nível: Médio — quase todas as alternativas descrevem elementos que de fato existem na peça (o tom lúdico, a cena didática, a preocupação social); o candidato precisa julgar qual delas atribui a esses elementos a função correta
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer, em peça publicitária, a articulação entre recursos verbais e não verbais e a estratégia argumentativa mobilizada para influenciar o comportamento do público-alvo (Competência de Área 1 e 6 — Linguagens)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Considerando imagem e texto juntos, qual estratégia a peça usa para convencer o leitor a se prevenir contra a hepatite?"
- Palavras-chave decisivas: recursos verbais e não verbais, influenciando seu comportamento, verifica-se que
- Armadilha típica: o comando diz "informações verbais e não verbais". Isso é um aviso explícito de que a resposta depende da imagem tanto quanto do texto. Quem analisa só as palavras escritas perde o elemento decisivo — a fotografia da profissional de jaleco e estetoscópio — e cai nos distratores que falam apenas do texto escrito (C, E).
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato identifica qual recurso sustenta a persuasão e qual efeito ele produz. Errar o efeito reprova a alternativa mesmo quando o recurso citado existe.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Argumento de autoridade (discurso autorizado): estratégia persuasiva em que a tese ganha credibilidade não pelo raciocínio em si, mas por quem a enuncia. Um alerta de saúde "vale mais" quando vem de um médico do que quando vem de um desconhecido. Na publicidade, esse recurso costuma ser construído visualmente: basta o jaleco branco e o estetoscópio para o leitor projetar "isto é a fala de um especialista".
- Recursos verbais x não verbais: na peça publicitária, os dois trabalham juntos. O texto informa e instrui; a imagem legitima, emociona ou chama atenção. Nenhum é decorativo.
- Função fática/lúdica: o trocadilho e o humor servem para capturar a atenção e fixar a informação na memória — não para construir credibilidade. Chamar atenção e ser confiável são funções distintas, e a questão explora exatamente essa distinção.
- Publicidade institucional: anúncio em que uma empresa/instituição associa sua marca a uma causa social. Ela informa e presta serviço, mas nunca deixa de se autopromover — a promoção é justamente a associação da marca a um valor positivo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (não verbal — decisiva): ocupando o canto inferior direito, a fotografia de uma profissional da saúde: jaleco branco, estetoscópio ao pescoço, expressão serena e acolhedora → é a assinatura visual do anúncio. Ela não ilustra a doença nem o paciente: ela encarna a fonte da informação. Todo o texto passa a ser lido como se fosse dito por ela — ou seja, avalizado por quem tem competência técnica para dizê-lo.
- Evidência 2 (não verbal — lúdica): o quadro-negro com as letras tridimensionais "A B C D E" e a inscrição "Epa! Hepatite!" (o trocadilho nasce da leitura das letras: A-B-C-D-E...pa!) → recurso de humor e memorização, que fixa os cinco tipos da doença. Chama a atenção — mas quem chama a atenção não é quem dá credibilidade.
- Evidência 3 (verbal): a seção "Algumas maneiras de se prevenir:", com uma lista de imperativos — "Vacine-se contra as hepatites A e B", "Lave SEMPRE bem as mãos", "Certifique-se de que seu médico ou profissional da saúde esteja usando a proteção necessária" → é prescrição objetiva e impessoal, no formato de orientação clínica. Não há opinião, não há "eu acho": é o tom de quem sabe e orienta.
- Síntese: a peça associa três camadas — o trocadilho que prende o leitor, a lista de imperativos que orienta e, sustentando tudo, a imagem da médica que autoriza. A pergunta é qual dessas camadas responde pela força argumentativa. O texto instrui, mas quem confere peso à instrução é a figura da profissional: é o discurso autorizado em ação. Note que até o conteúdo verbal reforça essa autoridade, ao mandar o leitor conferir se "seu médico ou profissional da saúde" está devidamente protegido — o médico é a referência do texto e a imagem do anúncio.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Separar o recurso do efeito
Quase todos os distratores desta questão citam um recurso verdadeiro e lhe atribuem um efeito falso. Então a estratégia é montar a tabela recurso → efeito real:
| Recurso presente na peça | Efeito real | Efeito que o distrator inventa |
|---|---|---|
| Trocadilho "Epa! Hepatite!" + letras no quadro | Atrair atenção, fixar os 5 tipos | "Pacto de confiança médico-população" (A) |
| Foto da médica (jaleco + estetoscópio) | Legitimar o discurso — autoridade | — |
| Lista de imperativos ("Vacine-se", "Lave") | Instruir com objetividade | "Projetada com subjetividade" (E) |
| Marca/instituição anunciante | Autopromoção via causa social | "Deixa de se autopromover" (D) |
| Registro escrito, padrão e didático | Clareza | "Construções coloquiais da oralidade" (C) |
Só uma linha da tabela não tem distrator associado — porque ela é o gabarito.
Subpasso 4.2 — Testar o peso da imagem da profissional
Faça o experimento mental: apague a médica do anúncio. O que se perde? O texto continua informando, e o trocadilho continua divertindo — mas some a resposta para a pergunta que todo leitor faz diante de uma orientação de saúde: "quem está me dizendo isso, e por que devo acreditar?". A figura de jaleco e estetoscópio responde a isso sem uma única palavra. Ela transforma o anúncio, de mensagem publicitária qualquer, em recomendação clínica — e essa transferência de credibilidade é, tecnicamente, o argumento de autoridade, ou discurso autorizado.
Subpasso 4.3 — Verificação
Procuramos a alternativa que (i) identifique o recurso não verbal central — a figura do profissional de saúde — e (ii) nomeie corretamente seu efeito — legitimar o discurso como estratégia argumentativa. A alternativa B cumpre os dois requisitos com precisão terminológica ("discurso autorizado"). As demais acertam o recurso mas erram o efeito (A, E), inventam um traço linguístico ausente (C) ou afirmam o contrário do que a publicidade institucional faz (D). Gabarito: B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) o tom lúdico é empregado como recurso de consolidação de pacto de confiança entre o médico e a população.
❌ Incorreta: o tom lúdico existe (o trocadilho "Epa! Hepatite!" e as letras coloridas no quadro-negro), mas a alternativa lhe atribui a função errada. Humor e trocadilho servem para capturar a atenção e fixar a informação na memória — jamais para construir confiança técnica. Confiança em matéria de saúde não se conquista com piada: ela vem da autoridade de quem fala, isto é, da figura da profissional. A alternativa troca o recurso responsável pelo efeito.
B) a figura do profissional da saúde é legitimada, evocando-se o discurso autorizado como estratégia argumentativa.
✅ Correta: identifica exatamente o eixo persuasivo da peça. A fotografia da mulher de jaleco branco e estetoscópio funciona como aval técnico: tudo o que o anúncio afirma passa a ser lido como recomendação de quem tem competência para fazê-la. O próprio texto reforça essa centralidade ao remeter o leitor ao "seu médico ou profissional da saúde". É a definição de argumento de autoridade — a tese se sustenta pelo prestígio da fonte, e é essa credibilidade que se converte em poder de influenciar o comportamento do público-alvo.
C) o uso de construções coloquiais e específicas da oralidade são recursos de argumentação que simulam o discurso do médico.
❌ Incorreta: a peça não é construída em linguagem coloquial. Tirando a interjeição isolada do trocadilho ("Epa!"), o texto obedece à norma-padrão em registro didático e formal — "Certifique-se da higiene do local e de todos os acessórios", "quando houver a possibilidade de contato de sangue ou secreções contaminadas com o vírus". Não há gíria, não há marcas de fala espontânea, não há sintaxe de oralidade. E o discurso do médico não é simulado pela linguagem: ele é evocado pela imagem — que é justamente o que a alternativa B percebe e esta ignora.
D) a empresa anunciada deixa de se autopromover ao mostrar preocupação social e assumir a responsabilidade pelas informações.
❌ Incorreta: inverte a lógica da publicidade institucional. Uma empresa que financia uma campanha de saúde pública não abre mão de se promover — ela se promove exatamente por isso, associando sua marca a valores socialmente positivos (cuidado, responsabilidade, saúde). É autopromoção por via indireta, e das mais eficientes. Afirmar que a marca "deixa de se autopromover" contraria a natureza do gênero: a peça continua sendo um anúncio, e o anunciante continua ganhando capital de imagem com ele.
E) o discurso evidencia uma cena de ensinamento didático, projetado com subjetividade no trecho sobre as maneiras de prevenção.
❌ Incorreta: é o distrator mais bem construído, porque a cena de ensinamento é real — a peça é literalmente ambientada num quadro-negro escolar, com letras dispostas como numa aula. O erro está na segunda metade: a seção "Algumas maneiras de se prevenir" não é subjetiva. Ela é uma sequência de imperativos objetivos e impessoais ("Vacine-se", "Use água tratada", "Lave SEMPRE bem as mãos", "Certifique-se"), sem qualquer marca de opinião, avaliação pessoal ou 1ª pessoa. Trata-se do oposto de subjetividade: é prescrição técnica. A alternativa acerta o cenário e erra o registro.
🏆 Gabarito: B — a peça convence porque coloca um profissional de saúde (jaleco e estetoscópio) como fiador visual de tudo o que afirma: o trocadilho apenas atrai o olhar, e a lista de imperativos apenas instrui, mas é o discurso autorizado da médica que confere credibilidade e poder de mudar o comportamento do leitor.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que casa recurso e efeito corretamente. A e E acertam o recurso (o lúdico; a cena didática) e erram o efeito; C descreve uma linguagem coloquial que a peça não tem; D nega a autopromoção que é a própria razão de existir do anúncio institucional.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora peças de campanha de saúde pública (hepatite, dengue, HIV, vacinação, tabagismo) e pergunta pela estratégia argumentativa. Os candidatos preferidos são três: argumento de autoridade (o especialista), apelo emocional (a vítima, a família) e humor/trocadilho (a captura da atenção). Saber distinguir os três resolve a maioria dessas questões.
- Generalização: quando o comando mencionar explicitamente "recursos verbais e não verbais", trate isso como uma instrução direta: o elemento decisivo está na imagem. Pergunte-se sempre "quem está falando nesta peça, e como sei disso sem ler nada?". Jaleco, toga, farda e diploma na parede são atalhos visuais universais para o discurso autorizado.
- Dica de eliminação rápida: dois cortes matam três alternativas em segundos. (1) Alternativa que afirme que um anúncio "deixa de se autopromover" está sempre errada — anúncio é anúncio (mata D). (2) Alternativa que atribua "coloquialidade/oralidade" a um texto escrito em norma-padrão (mata C); e alternativa que chame de "subjetivo" um bloco de verbos no imperativo (mata E). Restam A e B, e aí basta perguntar: o que gera confiança — a piada ou o jaleco?
- Conexões: dialoga com as funções da linguagem (conativa/apelativa, dominante na publicidade), com o estudo dos tipos de argumento na redação do ENEM (autoridade, exemplificação, causa e consequência) e com outras campanhas do Ministério da Saúde já cobradas na prova — sempre pelo mesmo viés: identificar o recurso persuasivo e o efeito que ele produz no público-alvo.
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