Mapa de questões · 2º dia
Questão 106 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia
Embora particularidades na produção mediada pela tecnologia aproximem a escrita da oralidade, isso não significa que as pessoas estejam escrevendo errado Muitos buscam, tão somente, adaptar o uso da linguagem ao suporte utilizado: “O contexto é que define o registro de língua. Se existe um limite de espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas, como faria no papel”, afirma um professor do Departamento de Linguagem e Tecnologia do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar a capacidade do destinatário de interpretar corretamente a mensagem emitida. No entendimento do pesquisador, a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em outras situações. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atualidade, o emprego social da língua revela-se muito mais significativo do que seu uso escolar, conforme ressalta a diretora de Divulgação Científica da UFMG: “A dinâmica da língua oral é sempre presente. Não falamos ou escrevemos da mesma forma que nossos avós”. Some-se a isso o fato de os jovens se revelarem os principais usuários das novas tecnologias, por meio das quais conseguem se comunicar com facilidade. A professora ressalta, porém, que as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos.
SILVA JR., M. G.; FONSECA, V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51, set.-nov. 2012 (adaptado).
Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação, usos particulares da escrita foram surgindo.
Diante dessa nova realidade, segundo o texto, cabe à escola levar o aluno a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística, Registro e Interpretação de Texto
- ⚡ Nível: Médio — o texto não é difícil de ler, mas as alternativas são semanticamente próximas (sobretudo D e E), exigindo atenção fina ao trecho final do texto
- 🎯 Tema/Habilidade: Adequação da linguagem ao contexto de uso (registro linguístico em ambientes digitais) — competência ligada à leitura crítica e à variação linguística
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo a defesa dos especialistas citados no texto, qual deve ser o papel da escola diante da escrita mediada pela tecnologia?"
- Palavras-chave decisivas: cabe à escola, segundo o texto, nova realidade
- Armadilha típica: confundir "papel da escola" com "ensinar somente a linguagem formal no digital" — essa é justamente a postura que o texto critica, não a que ele defende
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de localizar, no próprio texto, a conclusão dos especialistas sobre a função da escola, sem projetar opinião pessoal sobre "internetês" ou sobre certo/errado na escrita digital
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Variação linguística: a língua muda conforme região, grupo social, idade e, sobretudo, situação comunicativa; não existe "erro" absoluto, existe adequação (ou não) ao contexto.
- Registro linguístico: grau de formalidade/informalidade escolhido para falar ou escrever, definido pelo contexto — quem fala, com quem, onde e por qual suporte.
- Adequação linguística: competência de selecionar a variedade/registro certo para cada situação; é essa habilidade, e não a "norma culta pura" isolada, que a linguística contemporânea valoriza como objetivo do ensino de língua.
- Letramento digital: capacidade de reconhecer e operar as convenções próprias de cada gênero e suporte tecnológico (chat, e-mail, rede social, comentário), que não são intercambiáveis entre si.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "O contexto é que define o registro de língua. Se existe um limite de espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas" → mostra que adaptar a escrita ao meio digital é escolha funcional, não erro de português.
- Evidência 2: "a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos, o que acaba por desestimular o aluno" → crítica direta a um ensino que trata um único registro (o formal) como se servisse para toda e qualquer situação.
- Evidência 3: "as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos" → síntese propositiva: o que falta não é "corrigir" a escrita digital, e sim desenvolver a percepção de que cada situação pede um código diferente.
- Síntese: o texto não defende que a escola imponha a linguagem formal ao ambiente digital (repetiria o erro criticado), nem que ignore as normas (contrariaria "dominar outros códigos"). A posição defendida é intermediária: formar o aluno para perceber as diferenças entre os registros exigidos por cada ambiente.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Localizar a tese central sobre o papel da escola
O comando pede exatamente o que "cabe à escola" fazer diante da nova realidade tecnológica. Isso direciona a busca para os trechos em que os especialistas falam sobre ensino e aprendizagem, não sobre a tecnologia em si. Dois pontos do texto tratam disso: a crítica ao ensino de "um registro utilizado apenas em contextos específicos" e a afirmação de que "as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos".
Subpasso 4.2 — Traduzir a tese para os termos das alternativas
"Ter discernimento quanto às distintas situações" significa reconhecer que cada ambiente comunicativo — rede social, chat, trabalho escolar, e-mail formal — pede um uso diferente da língua. Essa ideia de reconhecer diferenças contextuais entre ambientes digitais é reformulada, quase como paráfrase, na alternativa que fala em "perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais".
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando essa paráfrase com as cinco alternativas, apenas uma reproduz fielmente a lógica de "reconhecer diferenças entre contextos" sem cair nos extremos que o texto rejeita (impor um único registro formal ou ignorar a norma). Essa alternativa converge exatamente com o gabarito oficial: a letra E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.
❌ Incorreta: reproduz a postura que o texto denuncia — a escola "insistir em ensinar um registro utilizado apenas em contextos específicos". Impor a linguagem formal a todo o ambiente digital ignora que "o contexto é que define o registro de língua".
B) buscar alternativas para estabelecer melhores contatos on-line.
❌ Incorreta: desloca o foco para "eficácia de relacionamento social" on-line, tema mais próximo de estratégias de interação do que da discussão linguística do texto, que trata de registro, adequação e discernimento entre códigos.
C) adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes suportes tecnológicos.
❌ Incorreta: contraria frontalmente a tese do texto, que defende o oposto — o registro varia conforme o suporte ("se existe um limite de espaço, naturalmente, o sujeito irá usar mais abreviaturas"). Uniformizar a norma anularia essa adaptação funcional que o texto valoriza.
D) desenvolver habilidades para compreender os textos postados na web.
❌ Incorreta (pegadinha fina): restringe indevidamente a tese em dois pontos — limita-se à compreensão (leitura), enquanto o texto discute produção e recepção; e limita-se à "web", enquanto o texto fala de múltiplos suportes e aparatos tecnológicos.
E) perceber as especificidades das linguagens em diferentes ambientes digitais.
✅ Correta: reformula com precisão o fechamento do texto — "as pessoas precisam ter discernimento quanto às distintas situações, a fim de dominar outros códigos". Perceber especificidades de cada ambiente digital é ter esse discernimento contextual apontado como função da escola.
🏆 Gabarito: E — cabe à escola desenvolver no aluno a percepção de que cada ambiente digital exige um uso próprio da língua, formando o discernimento necessário para transitar entre diferentes registros sem tratar nenhum deles como único ou universal.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa que capta, sem distorção, a ideia central do texto — reconhecer diferenças contextuais entre linguagens digitais — evitando o extremo de impor um único registro formal (A e C) e o recorte estreito de restringir a questão à leitura na web (D) ou fugir do eixo linguístico do texto (B).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre "internetês", variação linguística e preconceito linguístico, sempre valorizando a adequação da língua ao contexto de uso em detrimento da lógica de "certo x errado" absoluto.
- Generalização: em questões sobre variação linguística, a alternativa correta quase sempre defende a adequação situacional, e quase nunca a imposição de uma única norma "correta" para todos os usos.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que proponha "uma mesma norma" ou "linguagem formal" aplicada a todos os suportes — isso contraria a lógica de adequação linguística que sustenta praticamente todo texto desse tipo no ENEM.
- Conexões: preconceito linguístico e pluralidade de normas (sociolinguística de Marcos Bagno); gêneros textuais digitais e multiletramentos.
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