Mapa de questões · 2º dia
Questão 144 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia
O Esquema I mostra a configuração de uma quadra de basquete. Os trapézios em cinza, chamados de garrafões, correspondem a áreas restritivas.

Visando atender as orientações do Comitê Central da Federação Internacional de Basquete (Fiba) em 2010, que unificou as marcações das diversas ligas, foi prevista uma modificação nos garrafões das quadras, que passariam a ser retângulos, como mostra o Esquema II.

Após executadas as modificações previstas, houve uma alteração na área ocupada por cada garrafão, que corresponde a um(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Geometria Plana: área do trapézio e área do retângulo (comparação de figuras)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas duas fórmulas de área e uma subtração; a dificuldade real está em ler corretamente qual medida é base e qual é altura nos esquemas
- 🎯 Tema/Habilidade: Resolver situação-problema envolvendo cálculo e comparação de áreas de figuras planas em contexto real (Competência de Área 2 — Matemática)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Calcule a área do garrafão antes (trapézio) e depois (retângulo) e diga de quanto foi a variação — e se ela é aumento ou diminuição."
- Palavras-chave decisivas: alteração na área, cada garrafão, aumento/diminuição
- Armadilha típica: a altura do trapézio é a medida de 580 cm — a que aponta para dentro da quadra, ligando a linha de fundo à linha do lance livre. Quem olha a figura no automático assume que 600 cm (a medida vertical no desenho) é a altura, porque "altura parece ser a de cima para baixo". Não é: no trapézio deitado do Esquema I, 600 cm e 360 cm são as bases paralelas, e 580 cm é a distância entre elas — ou seja, a altura.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato lê a figura corretamente, aplica a fórmula do trapézio sem esquecer o "÷ 2" e compara as duas áreas, atentando ao sinal da variação.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Área do trapézio: A = (B + b) × h ÷ 2, onde B é a base maior, b é a base menor e h é a distância perpendicular entre as duas bases paralelas. O fator ÷ 2 é o erro campeão de omissão — e o ENEM sempre coloca uma alternativa esperando por ele.
- Área do retângulo: A = base × altura.
- Interpretação geométrica do "÷ 2": repare que (B + b) ÷ 2 é a média das bases. Então o trapézio tem exatamente a mesma área de um retângulo cuja base é a média das bases do trapézio e de mesma altura. Guardar isso transforma a comparação desta questão numa conta de cabeça, como se verá no Subpasso 4.3.
- Identificar base e altura numa figura girada: "altura" não significa "a medida desenhada na vertical". Altura é sempre a medida perpendicular às bases paralelas. No Esquema I, as bases (600 e 360) estão na vertical e a altura (580) está na horizontal — a figura está "deitada".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (Esquema I — garrafão antigo, o trapézio cinza): as duas medidas paralelas são 600 cm (junto à linha de fundo, a base maior) e 360 cm (junto à linha do lance livre, a base menor); entre elas, a medida 580 cm → este é o trapézio: B = 600 cm, b = 360 cm, h = 580 cm.
- Evidência 2 (Esquema II — garrafão novo, o retângulo cinza): as medidas indicadas são 490 cm e 580 cm → este é o retângulo: 490 cm × 580 cm.
- Evidência 3 (a constante escondida): a medida 580 cm aparece nos dois esquemas, inalterada → o comprimento do garrafão (da linha de fundo até a linha do lance livre) não mudou com a reforma da FIBA. O que mudou foi só a "largura" da figura — e é essa constância que abre o caminho para a solução rápida.
- Síntese: a comparação se dá entre um trapézio de bases 600 e 360 e altura 580, e um retângulo de lados 490 e 580. Como a medida 580 é comum às duas figuras, o problema se reduz a comparar a média das bases do trapézio com a largura do retângulo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Área do garrafão antigo (trapézio)
Aplicando a fórmula do trapézio com B = 600 cm, b = 360 cm e h = 580 cm:
A₁ = (B + b) × h ÷ 2
A₁ = (600 + 360) × 580 ÷ 2
A₁ = 960 × 580 ÷ 2
A₁ = 480 × 580
A₁ = 278 400 cm²
> Detalhe da conta: 480 × 580 = 480 × 500 + 480 × 80 = 240 000 + 38 400 = 278 400.
Subpasso 4.2 — Área do garrafão novo (retângulo)
A₂ = base × altura
A₂ = 490 × 580
A₂ = 490 × 580 = 284 200
A₂ = 284 200 cm²
> Detalhe da conta: 580 × 490 = 580 × 500 − 580 × 10 = 290 000 − 5 800 = 284 200.
Agora a variação:
ΔA = A₂ − A₁ = 284 200 − 278 400 = +5 800 cm²
O resultado é positivo, logo houve aumento de 5 800 cm².
Subpasso 4.3 — Verificação (o caminho de 10 segundos)
Vale conferir o resultado por um segundo caminho, muito mais rápido — e que serve de checagem independente. Como o "÷ 2" da fórmula do trapézio equivale a tomar a média das bases, as duas figuras podem ser vistas como retângulos de mesma altura 580 cm:
- Trapézio ≡ retângulo de largura (600 + 360) ÷ 2 = 480 cm, altura 580 cm
- Retângulo novo: largura 490 cm, altura 580 cm
Mesma altura nas duas figuras! Então a diferença de área depende só da diferença de largura:
ΔA = 580 × (490 − 480) = 580 × 10 = 5 800 cm²
Os dois métodos batem: aumento de 5 800 cm², o que corresponde à alternativa A. Repare como a média das bases (480) ficou abaixo da largura do novo retângulo (490) — é por isso que a área cresceu, e por pouco.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) aumento de 5 800 cm².
✅ Correta: é exatamente ΔA = 284 200 − 278 400 = 5 800 cm², confirmado pelo caminho alternativo 580 × (490 − 480) = 5 800 cm². O sinal positivo indica aumento, coerente com o fato de a largura efetiva do garrafão ter passado de 480 cm (média das bases do trapézio) para 490 cm.
B) aumento de 75 400 cm².
❌ Incorreta: resulta de tratar o garrafão antigo como um retângulo de base menor, usando só 360 cm e ignorando a base de 600 cm: 360 × 580 = 208 800, e daí 284 200 − 208 800 = 75 400. O erro é desprezar que a figura antiga é um trapézio — ela se alarga em direção à linha de fundo, e essa parte que se alarga foi simplesmente esquecida no cálculo.
C) aumento de 214 600 cm².
❌ Incorreta: vem de subtrair as bases em vez de somá-las na fórmula do trapézio: (600 − 360) ÷ 2 × 580 = 120 × 580 = 69 600, e então 284 200 − 69 600 = 214 600. A fórmula do trapézio pede a soma das bases (é a média delas que dá a largura equivalente); a diferença entre as bases não tem qualquer significado de área.
D) diminuição de 63 800 cm².
❌ Incorreta: decorre de tratar o garrafão antigo como um retângulo de base maior, usando só os 600 cm: 600 × 580 = 348 000, e daí 284 200 − 348 000 = −63 800. Esse erro superestima a área antiga (o trapézio não mantém os 600 cm ao longo de todo o comprimento — ele estreita até 360 cm), e por isso inverte o sinal da resposta, sugerindo uma redução que não existe.
E) diminuição de 272 600 cm².
❌ Incorreta: é o erro clássico de esquecer o "÷ 2" da fórmula do trapézio: (600 + 360) × 580 = 960 × 580 = 556 800, e então 284 200 − 556 800 = −272 600. Sem dividir por 2, a área do trapézio sai dobrada, o que produz um resultado absurdo — uma área maior que a de um retângulo de 600 cm × 580 cm, impossível para uma figura que cabe dentro dele.
🏆 Gabarito: A — o trapézio tem área (600 + 360) × 580 ÷ 2 = 278 400 cm² e o retângulo, 490 × 580 = 284 200 cm²; a diferença é de +5 800 cm², ou seja, um aumento de 5 800 cm².
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: com a altura 580 cm comum às duas figuras, a área depende só da largura efetiva — que passou de 480 cm (média entre 600 e 360) para 490 cm. Como 490 > 480, a área cresceu, e cresceu 580 × 10 = 5 800 cm². Nenhuma outra alternativa é compatível com esse raciocínio.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra área de figuras planas quase sempre em contexto real (quadras, terrenos, telhados, painéis solares, pisos) e quase sempre por comparação — "quanto aumentou", "quanto sobrou", "quantos m² a mais". As unidades costumam vir em cm e os números, grandes, para punir erro de escala.
- Generalização: todo trapézio equivale, em área, a um retângulo de mesma altura cuja base é a média das bases. Sempre que você precisar comparar um trapézio com um retângulo de mesma altura, não calcule as duas áreas: compare direto a média das bases com o lado do retângulo e multiplique a diferença pela altura comum. É a diferença entre 10 segundos e 2 minutos de prova.
- Dica de eliminação rápida: antes de calcular, decida só o sinal. A média das bases do trapézio é (600 + 360) ÷ 2 = 480 cm; o retângulo novo tem 490 cm. Como 490 > 480 e a altura é a mesma, a área só pode ter aumentado — o que elimina D e E de imediato, sem uma conta sequer. Em seguida, note que a mudança foi pequena (de 480 para 490 cm, uns 2%), o que torna implausíveis os saltos de 75 400 cm² (B) e 214 600 cm² (C). Sobra A.
- Conexões: áreas de polígonos (paralelogramo, losango, trapézio) e sua decomposição em retângulos e triângulos; conversão de unidades de área (1 m² = 10 000 cm², logo o aumento equivale a 0,58 m² por garrafão); e problemas de comparação de áreas em plantas baixas e terrenos, recorrentes na prova.
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