Mapa de questões · 2º dia
Questão 110 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia

As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos do início do século XX, como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas denominadas vanguardas.
A máscara remete à
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → História da Arte / Arte Moderna e Vanguardas Europeias
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um objeto artístico concreto (máscara africana) a um conceito abstrato de linguagem visual, mesmo sem domínio prévio de história da arte africana.
- 🎯 Tema/Habilidade: Influência da arte africana nas vanguardas do início do século XX (Cubismo/Primitivismo) — competência de leitura e análise de produções artísticas em diferentes linguagens.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual característica formal da máscara senufo foi absorvida pelos artistas modernos, como Picasso, ao criarem as vanguardas?"
- Palavras-chave decisivas: formas plásticas, vanguardas artísticas, Pablo Picasso
- Armadilha típica: confundir "arte africana" com conceitos aplicáveis a outras vanguardas específicas (como o Futurismo, que valoriza movimento) ou atribuir à máscara qualidades que ela não possui, como fidelidade anatômica ou assimetria.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a inovação buscada pelos vanguardistas nas máscaras africanas estava na forma como elas tratavam a figura humana — não copiando a realidade, mas reduzindo-a a estruturas geométricas essenciais.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Primitivismo: movimento de artistas europeus do início do século XX (Picasso, Matisse, Derain) que se apropriaram de referências formais de objetos "não ocidentais" — máscaras e esculturas africanas, oceânicas — como fonte de renovação da linguagem artística europeia, então presa ao ideal clássico de imitação da realidade.
- Cubismo: vanguarda fundada por Picasso e Braque a partir de 1907, cujo princípio central é a fragmentação e a reconstrução geométrica dos objetos e figuras em planos simultâneos, abandonando a perspectiva tradicional e a representação naturalista.
- Máscara senufo: produção do povo Senufo (região entre Costa do Marfim, Mali e Burkina Faso, na África Ocidental), caracterizada por rostos estilizados, volumes geométricos marcados, traços reduzidos ao essencial (olhos, nariz e boca resumidos a formas básicas) e ausência de preocupação com proporção anatômica realista.
- Síntese das formas: procedimento estético que consiste em reduzir um objeto ou figura a seus elementos estruturais mais essenciais — geralmente geometrizados —, eliminando detalhes acessórios e naturalistas. É exatamente esse procedimento que a arte africana já praticava havia séculos e que os europeus "descobriram" como novidade radical.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos" → o enunciado deixa claro que o objeto de análise é a FORMA (o modo de construir visualmente a figura), não o significado ritual, religioso ou social da máscara.
- Evidência 2: "conduziram [...] a algumas proposições artísticas denominadas vanguardas" → confirma que o efeito histórico dessas formas foi a criação de uma nova linguagem visual — no caso de Picasso, o Cubismo, cuja marca registrada é a geometrização e a simplificação estrutural da figura.
- Síntese: a questão pede que se identifique, na própria imagem da máscara senufo, o traço formal (redução da figura a planos e volumes geométricos essenciais) que Picasso reconheceu como caminho para romper com a tradição realista europeia — esse traço é a síntese das formas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Observar a construção visual da máscara
Uma máscara senufo típica apresenta o rosto humano reduzido a planos geométricos: a área dos olhos é marcada por formas ovais ou losangulares simples, o nariz se resume a uma aresta reta ou triangular, a boca é uma fenda estilizada, e o volume geral do rosto é tratado como um bloco quase cúbico ou cônico. Não há gradações de sombra, texturas de pele ou proporções fiéis ao rosto humano real — tudo é reduzido ao mínimo de elementos capazes de ainda comunicar "rosto".
Subpasso 4.2 — Relacionar essa construção ao impacto sobre Picasso
Em 1907, ao visitar o Musée d'Ethnographie du Trocadéro, em Paris, Picasso teve contato com máscaras e esculturas africanas (entre elas, peças de tradição senufo e fang) e percebeu nelas um princípio que a arte europeia clássica havia abandonado desde o Renascimento: representar não pela cópia fiel da aparência, mas pela construção de uma figura a partir de formas geométricas essenciais. Esse princípio é visível de imediato em "Les Demoiselles d'Avignon" (1907), obra em que os rostos das figuras da direita são tratados como máscaras africanas geometrizadas — e que é considerada o marco inaugural do caminho que levaria ao Cubismo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Se o traço reconhecido por Picasso fosse "proporção" (A), ele teria buscado fidelidade anatômica — o oposto do que o Cubismo faz. Se fosse "movimento" (B), estaríamos falando de Futurismo, não de Cubismo. Se fosse "assimetria" (C), contradiria a simetria estrutural típica das máscaras senufo. Se fosse apenas "valorização estética" (E), seria uma resposta vaga demais, sem conteúdo formal específico. Apenas "sintetização das formas" (D) descreve com precisão o procedimento visual observável na máscara e historicamente absorvido pelas vanguardas: reduzir a figura a estruturas geométricas essenciais.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) preservação da proporção.
❌ Incorreta: é o oposto do que ocorre. A máscara senufo distorce deliberadamente as proporções naturais do rosto humano (olhos, nariz e boca são redimensionados e geometrizados), e foi justamente esse afastamento da fidelidade anatômica clássica que interessou a Picasso — não sua preservação.
B) idealização do movimento.
❌ Incorreta: a máscara é um objeto estático, e sua construção formal não remete a dinamismo, velocidade ou sucessão de instantes. Esse conceito pertence a outra vanguarda — o Futurismo (Boccioni, Marinetti) —, que buscava representar o movimento, tema estranho à escultura ritual africana.
C) estruturação assimétrica.
❌ Incorreta: as máscaras senufo, ao contrário, costumam apresentar forte simetria bilateral em sua construção — eixo central dividindo o rosto em metades equivalentes. A assimetria não é o traço que caracteriza ou explica sua influência sobre Picasso.
D) sintetização das formas.
✅ Correta: a máscara reduz o rosto humano a volumes e planos geométricos essenciais, eliminando detalhes naturalistas. Foi exatamente esse princípio de síntese formal — construir a figura a partir de formas geométricas básicas — que Picasso incorporou ao criar o Cubismo, rompendo com a tradição mimética ocidental.
E) valorização estética.
❌ Incorreta: é uma expressão genérica demais, que poderia ser aplicada a qualquer objeto artístico admirado por qualquer motivo. Ela não descreve nenhuma característica formal específica da máscara, não respondendo ao que o enunciado pede.
🏆 Gabarito: D — a máscara senufo remete à sintetização das formas porque reduz a figura humana a estruturas geométricas essenciais, procedimento que Picasso reconheceu e incorporou à criação do Cubismo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra D é a única que nomeia com precisão o procedimento formal — redução da figura a formas geométricas essenciais — observável na máscara e historicamente responsável por influenciar Picasso e o Cubismo.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa obras de arte (pinturas, esculturas, máscaras, fotografias) para testar se o estudante consegue "ler" elementos formais — linha, volume, cor, composição — e relacioná-los a um contexto histórico ou conceitual, sem exigir memorização de datas ou nomes de obras.
- Generalização: em questões de leitura de imagem artística, a resposta certa quase sempre descreve algo visualmente verificável na própria imagem (forma, composição, técnica), enquanto distratores trazem conceitos de outros movimentos artísticos ou termos vagos demais para serem comprovados pela imagem.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que mencionem "movimento" (associe sempre a Futurismo, não a objetos estáticos como máscaras) e alternativas com adjetivos genéricos como "valorização estética" ou "beleza", que não descrevem nenhuma característica formal concreta — são os primeiros candidatos a erro.
- Conexões: este tema dialoga com o Primitivismo nas artes visuais europeias e com o conceito de Antropofagia Cultural do Modernismo brasileiro (Oswald de Andrade), que também se apropriou de referências não europeias para renovar a linguagem artística nacional.
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