Mapa de questões · 2º dia
Questão 93 — ENEM 2015Caderno azul · 2º Dia
Disponível em: www.lacronicadeleon.es. Acesso em: 12 mar. 2012 (adaptado).
A acessibilidade é um tema de relevância tanto na esfera pública quanto na esfera privada. No cartaz, a exploração desse tema destaca a importância de se
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da questão
- Matéria: Espanhol → leitura de gênero publicitário → cartaz de campanha de conscientização
- Habilidade: H7 — relacionar um texto em língua estrangeira, suas estruturas linguísticas e sua função ao uso social que ele cumpre
- Nível: Médio — o vocabulário é simples, mas a questão só se fecha quando você entende a ironia da frase, e não apenas as palavras dela
- Gabarito: revelado no Passo 4
🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando
- O comando, em uma linha: qual atitude o cartaz quer provocar em quem o lê.
- Palavras-chave decisivas: no cartaz, destaca a importância de se, acessibilidade.
- A armadilha: as cinco alternativas falam de cadeirantes e todas são socialmente corretas. Nenhuma delas é uma bobagem. O que separa a certa das outras não é o mérito da ideia, é o destinatário: o cartaz não fala com o cadeirante, fala com quem estaciona na vaga dele.
- O que a resposta precisa mostrar: que você identifica a quem a campanha se dirige e que comportamento ela pede — não apenas que você reconhece o tema geral "acessibilidade".
📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo
- Plaza: em espanhol da Espanha, `plaza` é a vaga de estacionamento (`plaza de aparcamiento`). É um falso amigo perigoso: não é "praça" aqui. Traduzir por "praça" desmonta a frase inteira.
- Llévate: imperativo de `llevarse`, com o pronome `te` colado no fim do verbo — construção normal do imperativo afirmativo em espanhol (`llévate`, `dime`, `siéntate`). Significa "leve com você", "fique com".
- Discapacidad: deficiência. O termo é neutro e institucional em espanhol; `persona con discapacidad` é o equivalente de "pessoa com deficiência".
- Ironia por condicional absurda: o recurso central do cartaz. A estrutura `si + presente, imperativo` ("se você faz X, então faça Y") propõe uma troca impossível de propósito. Ninguém pode "levar" a deficiência de outra pessoa. Ao oferecer o impossível, o texto expõe que quem ocupa a vaga quer o benefício sem ter a condição que o justifica.
- Função apelativa: o cartaz de campanha usa verbo no imperativo e segunda pessoa (`ocupas`, `llévate`) para agir sobre o comportamento do leitor. Sempre que a prova pergunta o que uma peça publicitária "destaca", a resposta é a conduta que ela cobra.
🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado
- Evidência 1: "Si ocupas mi plaza" ("se você ocupa minha vaga") → o interlocutor é alguém que já está usando a vaga reservada, ou seja, um motorista sem deficiência. O cartaz é dirigido a ele, não ao cadeirante.
- Evidência 2: "llévate también mi discapacidad" ("leve também minha deficiência") → a troca proposta é impossível, e é justamente por isso que funciona: expõe que a vaga não é um privilégio, é a contrapartida de uma limitação real.
- Evidência 3: o cartaz mostra a vaga marcada com o símbolo internacional de acessibilidade, ou seja, uma vaga já identificada → não se trata de pedir sinalização. A sinalização existe; o que falta é o cumprimento dela.
- Síntese: o problema denunciado não é a falta de vaga, nem a falta de placa, nem a dificuldade de locomoção. É o desrespeito à vaga que já está reservada e sinalizada.
🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo
4.1 — Traduzir a frase inteira, sem atalhos
"Si ocupas mi plaza, llévate también mi discapacidad" = "Se você ocupa a minha vaga, leve também a minha deficiência."
Repare em quem fala: o "mi" é do cadeirante. Ele se dirige diretamente a quem tomou o lugar dele. É uma fala em primeira pessoa endereçada a um infrator.
4.2 — Entender por que a troca é oferecida
A frase não é um pedido literal. É um argumento em forma de proposta: se você quer a vantagem (a vaga), aceite o pacote completo (a deficiência). Como ninguém aceitaria, fica demonstrado que a vaga nunca foi vantagem — foi compensação. O motorista que estaciona ali está tomando algo que não lhe pertence.
4.3 — Filtrar as alternativas pelo destinatário
Aplique um teste único: a quem cada alternativa se dirige?
- Superar barreiras, ter locomoção facilitada, ter obstáculos eliminados → ações voltadas ao cadeirante ou ao poder público.
- Identificar as vagas → ação de quem projeta e sinaliza o estacionamento.
- Respeitar a vaga → ação de quem dirige e escolhe onde parar.
Só a última tem como sujeito o motorista, que é exatamente com quem o cartaz conversa.
4.4 — Verificação
A alternativa correta precisa, ao mesmo tempo, dirigir-se ao motorista sem deficiência, tratar de vaga de estacionamento e cobrar conduta em vez de infraestrutura. Uma única opção reúne as três. Gabarito: B.
✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas
❌ (A) estimular os cadeirantes na superação de barreiras — Inverte o destinatário. O cartaz não pede nada do cadeirante; ele é a vítima da situação, não o agente a ser mobilizado. Além disso, "superação de barreiras" transfere para a pessoa com deficiência a responsabilidade por um problema criado por terceiros — o oposto da lógica de acessibilidade.
✅ (B) respeitar o estacionamento destinado a cadeirantes — A vaga já existe e já está sinalizada; o que a campanha cobra é o cumprimento dessa reserva. A frase "si ocupas mi plaza" identifica a infração, e a proposta impossível de "llevarse la discapacidad" demonstra por que a vaga não pode ser ocupada por quem não precisa dela. Conduta do motorista: é exatamente isso que o cartaz ataca.
❌ (C) identificar as vagas reservadas aos cadeirantes — Confunde sinalizar com respeitar. A vaga do cartaz está identificada com o símbolo internacional de acessibilidade; se não estivesse, o motorista não teria como ser acusado de ocupá-la. A identificação é o ponto de partida do problema, não a solução proposta.
❌ (D) eliminar os obstáculos para o trânsito de cadeirantes — Extrapola para acessibilidade urbana em geral: rampas, calçadas, degraus. O cartaz trata de um objeto único e delimitado — a vaga de estacionamento. Trocar "vaga" por "trânsito" é ampliar o tema até perder o que a peça de fato diz.
❌ (E) facilitar a locomoção de cadeirantes em estacionamentos — É o distrator mais forte, porque de fato a vaga reservada facilita a locomoção. Mas essa é a consequência da regra, não o comportamento pedido. O cartaz não propõe melhorar o estacionamento; propõe que se pare de desrespeitar a regra que ele já tem.
Gabarito: B — a campanha se dirige ao motorista que ocupa indevidamente a vaga e cobra dele uma única conduta: respeitar a reserva já existente.
🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova
- Por que só B se sustenta: as outras quatro deslocam o destinatário (para o cadeirante, para o poder público, para quem projeta o estacionamento) ou trocam conduta por infraestrutura. B mantém o sujeito da ação onde o cartaz o colocou.
- Como o ENEM cobra isso: em cartaz de campanha, a pergunta quase sempre é "o que a peça quer que o leitor faça". Localize o verbo no imperativo e o pronome de segunda pessoa — eles apontam para o destinatário e, por consequência, para o gabarito.
- A regra geral: ironia por proposta impossível é sempre denúncia de um comportamento. Quando um texto oferece algo que ninguém aceitaria, ele está mostrando que o interlocutor queria só a parte boa.
- Eliminação em 30 segundos: pergunte de cada alternativa "quem faria isso?". Descarte todas cujo sujeito não seja o motorista. Sobra uma.
- Temas que costumam vir junto: falsos amigos do espanhol (`plaza`, `embarazada`, `rato`, `oficina`), imperativo com pronome enclítico e leitura de peças publicitárias com apelo social.
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