Mapa de questões · 2º dia
Questão 99 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 2º Dia
O sucesso adaptativo dos répteis relaciona-se, dentre outros fatores, ao surgimento de um revestimento epidérmico de queratina para economia de água metabólica.
Essa característica seria prejudicial em anfíbios, pois acarretaria problemas
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia comparada de vertebrados (anfíbios × répteis) e trocas gasosas
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar uma estrutura (pele queratinizada) com uma função fisiológica indireta (respiração), e não apenas decorar conceitos isolados
- 🎯 Tema/Habilidade: Adaptações evolutivas e correlação estrutura-função nos vertebrados terrestres (habilidade de interpretar processos fisiológicos e sua relação com estruturas anatômicas)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Se a pele dos anfíbios ganhasse queratina (como nos répteis), qual sistema fisiológico seria prejudicado e por quê?"
- Palavras-chave decisivas: queratina, economia de água metabólica, prejudicial em anfíbios
- Armadilha típica: associar a queratina a qualquer estrutura corporal genérica (ossos, coração, intestino) só porque "pele" soa como revestimento externo desconectado dos outros sistemas — sem lembrar que, em anfíbios, a pele é literalmente um órgão respiratório acessório.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a impermeabilização da pele eliminaria a respiração cutânea, e que essa via é indispensável porque os pulmões dos anfíbios são estruturalmente ineficientes.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Pele dos anfíbios: fina, úmida, altamente vascularizada e rica em glândulas mucosas; funciona como superfície de trocas gasosas (respiração cutânea), complementando os pulmões.
- Queratina e impermeabilização: proteína estrutural que torna o tegumento resistente e impermeável à água — vantajosa para répteis (que vivem em ambientes secos e precisam reter água), mas letal para uma respiração que depende de umidade e permeabilidade.
- Pulmões saculiformes dos anfíbios: têm superfície interna pouco pregueada (baixa área de troca) e vascularização limitada, sendo insuficientes, sozinhos, para suprir toda a demanda de O₂/CO₂ do animal — daí a dependência da pele.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "revestimento epidérmico de queratina para economia de água metabólica" → identifica a queratina como um impermeabilizante, adaptação típica dos répteis para reduzir perda de água por evaporação.
- Evidência 2: "seria prejudicial em anfíbios, pois acarretaria problemas" → pede o sistema fisiológico diretamente dependente da permeabilidade cutânea, que os anfíbios preservam justamente por não terem essa camada queratinizada.
- Síntese: a questão testa se o candidato sabe que a ausência de queratina nos anfíbios não é uma "falha evolutiva", mas uma condição necessária para manter a pele funcional como superfície respiratória — logo, adquirir queratina comprometeria as trocas gasosas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entender o papel adaptativo da queratina nos répteis
Nos répteis, a queratina forma escamas que reduzem drasticamente a perda de água por evaporação cutânea, permitindo a colonização de ambientes terrestres secos. Essa é a "economia de água metabólica" citada no enunciado: menos água perdida pela pele significa menos água que precisa ser reposta pela ingestão ou pelo metabolismo.
Subpasso 4.2 — Transpor essa característica para o corpo de um anfíbio
Anfíbios dependem de uma pele fina, úmida e permeável por dois motivos interligados: (1) ela permite a troca de gases respiratórios diretamente através da superfície corporal (respiração cutânea), pois os capilares sanguíneos ficam muito próximos do meio externo; (2) essa via compensa a baixa eficiência dos pulmões saculiformes, que têm pouca área interna de troca. Se essa pele fosse revestida por queratina, a barreira impermeável bloquearia a difusão de O₂ e CO₂ através dela, eliminando a respiração cutânea.
Subpasso 4.3 — Verificação
Sem a via cutânea, o anfíbio ficaria dependente exclusivamente dos pulmões pouco eficientes, insuficientes para sustentar sozinhos as trocas gasosas do animal — configurando um problema respiratório grave. Esse raciocínio aponta diretamente para a alternativa E, que menciona "pequena capacidade dos pulmões de realizar trocas gasosas" como consequência da perda da via cutânea.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) circulatórios, em razão da limitação na força contrátil do coração tricavitário.
❌ Incorreta: o coração tricavitário (dois átrios e um ventrículo) é a condição normal e funcional dos anfíbios, adequada ao seu metabolismo ectotérmico. A força contrátil do coração não tem relação alguma com a presença ou ausência de queratina na pele.
B) excretórios, em razão de incapacidade renal de processar níveis elevados de urina.
❌ Incorreta: os rins dos anfíbios já processam normalmente grandes volumes de urina diluída (mecanismo de eliminação de excesso de água, já que vivem em ambientes úmidos). A queratinização da pele não interfere na fisiologia renal.
C) digestivos, em razão da limitação do intestino em absorver alimentos muito diluídos.
❌ Incorreta: a digestão e a absorção intestinal não dependem da permeabilidade da pele; não há nenhuma relação funcional entre queratina epidérmica e capacidade digestiva.
D) locomotores, em razão de incapacidade óssea de sustentar um animal mais pesado.
❌ Incorreta: a queratina é uma proteína do tegumento (pele), não interfere na estrutura óssea ou no sistema esquelético, tornando essa relação inexistente.
E) respiratórios, em razão da pequena capacidade dos pulmões de realizar trocas gasosas.
✅ Correta: a pele permeável é uma via respiratória complementar essencial nos anfíbios, exatamente porque os pulmões são pouco eficientes (saculiformes, com pequena área de troca). Impermeabilizá-la com queratina eliminaria essa via e exporia a limitação pulmonar, causando um sério comprometimento respiratório.
🏆 Gabarito: E — a queratinização da pele bloquearia a respiração cutânea, revelando a insuficiência dos pulmões saculiformes dos anfíbios para sozinhos realizar as trocas gasosas necessárias.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E conecta corretamente a estrutura (pele impermeabilizada) à função efetivamente dependente dela (respiração), pois nenhum outro sistema citado (circulatório, excretor, digestivo, locomotor) depende da permeabilidade cutânea para funcionar.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a correlação estrutura-função em fisiologia comparada, pedindo que o candidato preveja consequências de alterar uma característica anatômica (aqui, a pele) sobre um processo fisiológico específico.
- Generalização: sempre que uma questão trocar uma estrutura de um grupo animal por outra semelhante (ex.: pele de réptil em anfíbio), pergunte-se "que função vital essa estrutura original desempenhava, além da citada no enunciado?" — a resposta certa geralmente está na função que se perde.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que atribuem à pele uma função que ela não exerce diretamente (circulação, excreção, digestão, locomoção) e busque a única ligada a trocas com o meio externo — respiração.
- Conexões: respiração cutânea e pulmonar em anfíbios; adaptações dos répteis à vida terrestre (escamas, ovo amniótico, excreção de ácido úrico).
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