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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 93ENEM 2018 PPLCaderno azul · 2º Dia

Uma idosa residente em uma cidade do interior do país foi levada a um hospital por sua neta. Ao examiná-la, o médico verificou que a senhora apresentava um quadro crônico de edema linfático nos membros inferiores e nos seios, concluindo ser um caso de elefantíase ou filariose linfática. Preocupada com a possibilidade de adquirir a mesma doença, a neta perguntou ao médico como era possível se prevenir.

Qual foi a orientação dada à jovem pelo médico?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Parasitologia, doenças tropicais negligenciadas e profilaxia de doenças vetoriais
  • ⚡ Nível: Fácil — basta reconhecer o agente causador da filariose e associá-lo ao seu vetor para eliminar as demais alternativas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Filariose linfática (elefantíase) e prevenção de doenças transmitidas por vetores — relacionar agente etiológico, vetor e medida profilática
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual orientação de prevenção é coerente com a forma de transmissão da filariose linfática?"
  • Palavras-chave decisivas: edema linfático crônico, elefantíase ou filariose linfática, como se prevenir
  • Armadilha típica: associar a filariose à água contaminada (como se fosse esquistossomose) ou a zoonoses de mamíferos — o nome popular "elefantíase" induz a esse erro
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a filariose é transmitida por um vetor artrópode (mosquito), logo a prevenção eficaz é o controle desse vetor

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Filariose linfática (elefantíase): doença tropical negligenciada causada pelo nematódeo Wuchereria bancrofti, que se aloja nos vasos e linfonodos, provocando obstrução linfática progressiva, edema crônico e o espessamento de pele que dá nome à doença.
  • Vetor biológico: o mosquito Culex quinquefasciatus é o transmissor no Brasil. Ao picar uma pessoa infectada, a fêmea ingere microfilárias do sangue; elas se desenvolvem no mosquito e são inoculadas em nova picada, completando o ciclo.
  • Profilaxia baseada no vetor: como a transmissão depende da picada, as medidas eficazes são as mesmas de outras arboviroses urbanas: repelentes, roupas que cubram a pele, telas em portas/janelas, mosquiteiros e eliminação de criadouros do mosquito.
  • Contraponto (transmissão hídrica): a esquistossomose, causada por um platelminto cujas larvas penetram na pele em água doce com caramujos infectados, tem mecanismo totalmente diferente — o que descarta a alternativa B.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "edema linfático nos membros inferiores e nos seios" → sintoma clássico de obstrução do sistema linfático por vermes adultos, assinatura clínica da filariose, não de doença hídrica, zoonótica ou hereditária.
  • Evidência 2: "elefantíase ou filariose linfática" → o enunciado já nomeia a doença, exigindo do candidato recuperar o agente (W. bancrofti) e, principalmente, o vetor (Culex), dado decisivo para a resposta.
  • Síntese: a questão não pede o diagnóstico (já dado), mas a transferência do conhecimento "vetor = mosquito" para "prevenção = evitar picadas" — raciocínio de causa e efeito.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o mecanismo de transmissão

A filariose linfática, causada pelo nematódeo Wuchereria bancrofti, depende obrigatoriamente de um hospedeiro intermediário artrópode — o mosquito Culex quinquefasciatus — para completar seu ciclo e infectar novos hospedeiros. Sem a picada do mosquito infectado, não há transmissão.

Subpasso 4.2 — Traduzir o mecanismo em medida profilática

Sendo doença vetorial, a prevenção individual eficaz é evitar o contato com o mosquito: repelentes, telas em janelas/portas, mosquiteiros à noite (pico de atividade do Culex) e roupas compridas. Em saúde pública, soma-se o combate a criadouros (água parada, esgoto a céu aberto).

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as alternativas, só a opção A relaciona a prevenção (repelentes e telas) ao vetor real (mosquito). As demais atribuem à doença mecanismos que não correspondem à biologia da W. bancrofti (água, zoonose, hereditariedade, sedentarismo), confirmando A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Usar repelentes e telas em janelas, já que a doença é transmitida por mosquito.

✅ Correta: a filariose é transmitida pela picada do Culex quinquefasciatus infectado com microfilárias de W. bancrofti. Repelentes e telas reduzem o contato com o vetor, medida coerente com o mecanismo real de transmissão.

B) Evitar nadar em rios, lagos e lagoas da região, já que a doença é transmitida pela água contaminada.

❌ Incorreta: descreve a transmissão da esquistossomose (cercárias de Schistosoma mansoni penetrando a pele em água com caramujos Biomphalaria), não da filariose. A confusão surge por ambas serem parasitoses tropicais negligenciadas, mas com vetores/vias distintas.

C) Evitar contato com animais de zoológicos, uma vez que se trata de uma zoonose veiculada por grandes mamíferos.

❌ Incorreta: a filariose humana não é zoonose de mamíferos — o homem é o principal reservatório, e a transmissão é exclusivamente por vetor artrópode. A alternativa explora a associação equivocada entre "elefantíase" e o animal elefante.

D) Realizar exames médicos periódicos para detectar precocemente a doença, já que se trata de uma enfermidade hereditária.

❌ Incorreta: é doença infecciosa parasitária de transmissão vetorial, sem qualquer componente genético/hereditário. A justificativa apresentada é conceitualmente falsa.

E) Manter uma dieta balanceada e prática regular de atividades físicas, uma vez que a doença está associada ao sedentarismo.

❌ Incorreta: a filariose não tem relação causal com sedentarismo ou alimentação. Essas medidas previnem doenças crônico-degenerativas, não parasitoses de transmissão vetorial.

🏆 Gabarito: A — a filariose linfática é transmitida pela picada do Culex quinquefasciatus, portanto a única orientação profilática coerente é evitar o contato com o vetor por meio de repelentes e telas em janelas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que associa corretamente a doença ao seu real mecanismo de transmissão — o vetor artrópode.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a relação "doença → agente → vetor/via → profilaxia", tanto em arboviroses urbanas (dengue, zika, chikungunya, febre amarela) quanto em doenças tropicais negligenciadas (filariose, malária, Chagas, esquistossomose, leishmaniose).
  • Generalização: diante de sintomas de doença parasitária e pergunta sobre prevenção, identifique primeiro a via de transmissão (vetor, água, contato, ingestão) — a resposta correta é sempre a medida coerente com essa via, nunca com o nome popular ou os sintomas da doença.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que descrevem mecanismos de outras doenças conhecidas (água → esquistossomose/hepatite A; mamíferos → zoonoses como raiva/leptospirose) e as sem base parasitológica (hereditariedade, sedentarismo) — sobra a que cita o vetor correto.
  • Conexões: Wuchereria bancrofti; Culex quinquefasciatus; doenças tropicais negligenciadas; controle de vetores e saúde pública no Brasil.

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