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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 103ENEM 2018 PPLCaderno azul · 2º Dia

Gregor Mendel, no século XIX, investigou os mecanismos da herança genética observando algumas características de plantas de ervilha, como a produção de sementes lisas (dominante) ou rugosas (recessiva), característica determinada por um par de alelos com dominância completa. Ele acreditava que a herança era transmitida por fatores que, mesmo não percebidos nas características visíveis (fenótipo) de plantas híbridas (resultantes de cruzamentos de linhagens puras), estariam presentes e se manifestariam em gerações futuras.

A autofecundação que fornece dados para corroborar a ideia da transmissão dos fatores idealizada por Mendel ocorre entre plantas

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética Mendeliana (1ª Lei de Mendel; monoibridismo)
  • ⚡ Nível: Médio — exige entender por que apenas a autofecundação do híbrido (e não da linhagem pura) revela a existência do fator recessivo "oculto".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Padrões de herança genética (Mendel) — interpretar e avaliar dados experimentais na construção do conhecimento científico (Habilidade 15/16 da Matriz de Referência de Ciências da Natureza).
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual cruzamento por autofecundação prova, com dados observáveis, que o fator recessivo continuava presente mesmo sem aparecer no fenótipo dos híbridos?"
  • Palavras-chave decisivas: autofecundação, fornece dados para corroborar, transmissão dos fatores
  • Armadilha típica: confundir "fenótipo dominante" com "linhagem pura". Uma planta pode ter fenótipo dominante (sementes lisas) sendo geneticamente pura (RR) OU híbrida (Rr) — só o cruzamento de uma delas produz descendência que comprova a hipótese de Mendel.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a autofecundação escolhida gera uma prole segregada (dois fenótipos diferentes), pois é exatamente essa segregação que comprova que o fator recessivo não desapareceu, apenas ficou "mascarado" no híbrido.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Linhagem pura (homozigoto): indivíduo com os dois alelos idênticos para o gene em questão — RR (dominante) ou rr (recessivo). Ao se autofecundar, gera descendência geneticamente idêntica a ela mesma (RR × RR → só RR; rr × rr → só rr). Não há novidade a ser explicada.
  • Híbrido (heterozigoto, Rr): indivíduo que recebeu um alelo dominante (R) de um progenitor e um recessivo (r) do outro. Como a dominância é completa, seu fenótipo é idêntico ao do homozigoto dominante (sementes lisas) — o alelo r está presente, mas não se manifesta.
  • Hipótese central de Mendel (Lei da Segregação): os "fatores" (hoje, alelos) não se misturam nem desaparecem; eles se separam na formação dos gametas e podem se recombinar nas gerações seguintes. A prova experimental dessa hipótese é justamente ver o caráter recessivo "reaparecer" depois de ter ficado oculto por uma geração.
  • Proporção 3:1: ao autofecundar um híbrido Rr, os gametas R e r se combinam ao acaso (quadro de Punnett: RR, Rr, Rr, rr), gerando 1 RR : 2 Rr : 1 rr — fenotipicamente, 3 partes lisas para 1 parte rugosa. É essa proporção estatística, obtida experimentalmente por Mendel em milhares de ervilhas, que sustentou toda a sua teoria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "fatores que, mesmo não percebidos nas características visíveis (fenótipo) de plantas híbridas [...] estariam presentes e se manifestariam em gerações futuras" → o enunciado está descrevendo exatamente o comportamento do alelo recessivo dentro do híbrido: ele existe, mas fica invisível até a geração seguinte.
  • Evidência 2: "A autofecundação que fornece dados para corroborar a ideia da transmissão dos fatores" → a questão não pede qualquer autofecundação, mas especificamente aquela cujo resultado (dados observáveis na prole) comprove que o fator "escondido" realmente estava lá.
  • Síntese: juntando as duas evidências, conclui-se que só a autofecundação de uma planta híbrida — que fenotipicamente parece pura (lisa), mas carrega o alelo recessivo — pode gerar uma prole mista (lisas e rugosas) que sirva de prova experimental. Autofecundar linhagens puras (RR ou rr) não gera nenhuma novidade fenotípica, logo não comprova nada sobre a "transmissão de fatores ocultos".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o genótipo da planta híbrida

Seja R o alelo para semente lisa (dominante) e r o alelo para semente rugosa (recessivo). Uma planta híbrida tem genótipo Rr. Como a dominância é completa, seu fenótipo é liso — idêntico ao de uma planta pura RR. Só o exame da descendência pode revelar a diferença entre RR e Rr.

Subpasso 4.2 — Montar o cruzamento de autofecundação Rr × Rr

Cada planta Rr produz dois tipos de gametas em igual proporção: R e r. Na autofecundação, esses gametas se combinam ao acaso:

| ♂ \ ♀ | R | r |

|---|---|---|

| R | RR | Rr |

| r | Rr | rr |

Resultado genotípico: 1 RR : 2 Rr : 1 rr.

Resultado fenotípico: 3 lisas (RR + Rr) : 1 rugosa (rr).

Subpasso 4.3 — Verificação

O aparecimento de sementes rugosas (rr) na prole de um cruzamento entre duas plantas de fenótipo liso é o dado experimental decisivo: prova que o "fator" recessivo não sumiu na geração híbrida, apenas ficou mascarado, e reapareceu quando dois alelos r se encontraram novamente. Essa é precisamente a proporção 3:1 que Mendel observou e usou para formular a Lei da Segregação. Isso bate com a alternativa que descreve plantas híbridas, de fenótipo dominante, que geram sementes lisas e rugosas.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) híbridas, de fenótipo dominante, que produzem apenas sementes lisas.

❌ Incorreta: descreve incorretamente o resultado da autofecundação de um híbrido. Rr × Rr sempre produz também sementes rugosas (proporção 3:1); "apenas lisas" seria o resultado de RR × RR, não de um cruzamento entre híbridos.

B) híbridas, de fenótipo dominante, que produzem sementes lisas e rugosas.

✅ Correta: são plantas Rr (híbridas), fenotipicamente lisas (dominante se expressa), cuja autofecundação gera 3 lisas : 1 rugosa. É exatamente essa segregação — o "reaparecimento" do caráter recessivo — que fornece o dado experimental que corrobora a hipótese de Mendel sobre fatores ocultos transmitidos entre gerações.

C) de linhagem pura, de fenótipo dominante, que produzem apenas sementes lisas.

❌ Incorreta: descreve RR × RR. Por ser homozigota, toda a prole é geneticamente idêntica aos pais (só RR), sem nenhuma segregação fenotípica. Não há dado novo capaz de comprovar a existência de um fator recessivo oculto.

D) de linhagem pura, de fenótipo recessivo, que produzem sementes lisas e rugosas.

❌ Incorreta: linhagem pura recessiva é rr. A autofecundação rr × rr produz exclusivamente descendência rr (100% rugosas) — nunca sementes lisas, pois não há alelo dominante no cruzamento.

E) de linhagem pura, de fenótipo recessivo, que produzem apenas sementes rugosas.

❌ Incorreta: essa descrição do resultado (rr × rr → só rugosas) está genotipicamente correta, mas é um resultado trivial e esperado — não prova a transmissão de fatores ocultos, já que não há nada "escondido" numa linhagem pura recessiva a ser revelado.

🏆 Gabarito: B — apenas a autofecundação de híbridos (Rr × Rr) produz uma prole segregada em lisas e rugosas, evidenciando experimentalmente que o alelo recessivo permanecia presente, ainda que oculto no fenótipo da geração híbrida — o núcleo da Lei da Segregação de Mendel.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só o cruzamento Rr × Rr gera uma prole com dois fenótipos diferentes a partir de pais fenotipicamente iguais; esse é o único cenário em que o "fator oculto" reaparece de forma mensurável, comprovando a hipótese de Mendel.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra genética mendeliana pedindo para identificar, em um enunciado longo e contextualizado, qual cruzamento gera segregação 3:1 (monoibridismo) — sem usar necessariamente os símbolos R/r no texto, forçando o candidato a "traduzir" o problema para um cruzamento genético.
  • Generalização: sempre que a questão perguntar "qual cruzamento comprova/evidencia a existência de um fator recessivo escondido", a resposta é o cruzamento entre dois heterozigotos (Aa × Aa), porque é o único capaz de fazer o caráter recessivo reaparecer na prole.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa com "linhagem pura" que produza "apenas" um fenótipo — homozigotos autofecundados nunca geram variação, logo nunca "provam" nada sobre fatores ocultos. Sobra apenas a opção que combina "híbrida" + "dois fenótipos na prole".
  • Conexões: Lei da Segregação (1ª Lei de Mendel); proporções genotípicas e fenotípicas (1:2:1 e 3:1); heterozigose e dominância completa.

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