Mapa de questões · 2º dia
Questão 95 — ENEM 2018 PPLCaderno azul · 2º Dia
O fitato, presente em diversos cereais, apresenta a propriedade de associar-se a alguns minerais, proteínas e carboidratos, formando complexos insolúveis e incapazes de serem digeridos por animais monogástricos. Por esse motivo, muitas rações ricas em cereais contêm, na sua formulação final, a enzima fitase como aditivo. O esquema de ação dessa enzima sobre o fitato está representado na figura.

A adição de fitase nessas rações acarretará um aumento da
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Bioquímica (enzimas) e Nutrição Animal
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um esquema estrutural pouco usual (a molécula de fitato) e conectar a ação da fitase a um conceito fisiológico geral.
- 🎯 Tema/Habilidade: Ação catalítica de enzimas sobre substratos complexos e seu impacto na biodisponibilidade de nutrientes (competência de interpretação de processos bioquímicos aplicados à produção animal).
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que acontece de bom, para o animal, quando se adiciona a enzima fitase à ração?"
- Palavras-chave decisivas: fitase, complexos insolúveis, animais monogástricos
- Armadilha típica: confundir o efeito da fitase com um resultado específico demais (só o amido, só o fósforo) ou com um processo que ela não realiza (desnaturar proteína, eliminar nitrogênio).
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a fitase quebra as ligações químicas do fitato, liberando de forma simultânea vários tipos de nutrientes antes presos — e não apenas um grupo isolado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fitato (ácido fítico): molécula de cereais e sementes formada por um anel de inositol ligado a seis grupos fosfato (PO₄); funciona como reserva de fósforo da planta, mas quela (prende por ligação química) cátions como cálcio, além de proteínas e carboidratos.
- Animais monogástricos: aves, suínos e humanos, com estômago simples e sem fitase própria em quantidade suficiente — por isso o fitato atravessa o trato digestivo quase intacto, arrastando os nutrientes que carrega.
- Fitase: enzima hidrolase que quebra as ligações éster-fosfato do fitato, liberando progressivamente os grupos fosfato e, com eles, os minerais, proteínas e carboidratos antes quelados.
- Biodisponibilidade de nutrientes: fração de um nutriente que pode efetivamente ser absorvida e usada pelo organismo. Um nutriente pode estar presente na ração e mesmo assim indisponível, se estiver preso a um complexo insolúvel — é exatamente esse o problema que o fitato causa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (texto): "o fitato... associa-se a alguns minerais, proteínas e carboidratos, formando complexos insolúveis e incapazes de serem digeridos" → revela que o problema nutricional não é a falta desses nutrientes na ração, mas o fato de estarem "presos" numa forma que o animal não consegue digerir/absorver.
- Evidência 2 (imagem): o esquema mostra o anel do fitato com três setas rotuladas "Fitase →" apontando exatamente para os pontos de ligação: (1) o grupo O₄P ligado ao cálcio (Ca), (2) o grupo O₄P que conecta Ca a uma Proteína, e (3) o grupo PO₄ que conecta o anel ao Amido. → revela que a fitase age em múltiplos pontos, quebrando simultaneamente as ligações que prendem cálcio, o complexo cálcio-proteína e o amido ao esqueleto fosfatado do fitato.
- Síntese: juntando texto e imagem, a fitase promove a hidrólise das ligações fosfoéster do fitato, e cada ligação rompida libera um nutriente diferente (mineral, proteína, carboidrato) que passa a estar disponível — em forma solúvel e digerível — para ser absorvido pelo intestino do animal monogástrico.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o problema original
Sem fitase na ração, o fitato mantém intactas suas ligações com cálcio, proteínas e amido. Esses complexos são insolúveis e não se dissolvem no meio aquoso do trato digestivo, logo não conseguem ser hidrolisados pelas enzimas digestivas do próprio animal (proteases, amilases). Resultado: parte do valor nutricional da ração é "perdida" nas fezes, mesmo estando presente no alimento.
Subpasso 4.2 — Analisar a ação da fitase no esquema
A imagem mostra três setas de "Fitase" atacando pontos-chave do anel de fitato: a ligação com o Ca isolado, a ligação com o complexo Ca–Proteína e a ligação com o Amido. Ao catalisar a hidrólise dessas ligações éster-fosfato, a fitase libera progressivamente cálcio, proteína e carboidrato (amido) do esqueleto fosfatado — cada um passa a existir como molécula livre, solúvel e acessível às demais enzimas digestivas (proteases digerem a proteína liberada, amilases digerem o amido liberado, e os íons de cálcio ficam livres para absorção intestinal).
Subpasso 4.3 — Verificação
O efeito da fitase não se restringe a um único tipo de molécula: ela libera minerais (cálcio, e também fósforo, do próprio grupo fosfato), proteínas e carboidratos ao mesmo tempo. Isso corresponde exatamente ao "aumento da disponibilidade de nutrientes" de forma ampla — não só de amido, não só de proteína, mas do conjunto de substâncias antes aprisionadas no complexo insolúvel. Esse resultado confirma o gabarito oficial: B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) eliminação de produtos nitrogenados.
❌ Incorreta: "produtos nitrogenados" remete a excretas do metabolismo proteico (como ureia e amônia, eliminados por via renal/excretora), algo relacionado ao catabolismo de aminoácidos — processo completamente distinto da ação da fitase, que atua sobre ligações fosfoéster do fitato, e não sobre o metabolismo de excreção nitrogenada.
B) disponibilidade de nutrientes.
✅ Correta: a fitase hidrolisa as ligações que prendiam cálcio, proteína e amido ao fitato, transformando-os de complexos insolúveis e indigeríveis em moléculas livres, solúveis e passíveis de digestão e absorção — ou seja, aumenta exatamente a biodisponibilidade desses nutrientes para o animal.
C) desnaturação de proteínas.
❌ Incorreta: desnaturação é a perda da estrutura tridimensional de uma proteína (por calor, pH extremo, etc.), um processo físico-químico diferente de hidrólise enzimática de ligação fosfoéster. A fitase não desnatura a proteína; ela apenas rompe a ligação que unia a proteína (via cálcio) ao fitato, liberando-a intacta para posterior digestão por proteases.
D) assimilação de fitato.
❌ Incorreta: é o oposto do que ocorre. A fitase degrada/hidrolisa o fitato — ela não promove sua assimilação (absorção/incorporação), mas sim sua quebra em fragmentos menores, liberando os nutrientes que estavam ligados a ele.
E) absorção de amido.
❌ Incorreta: essa alternativa capta apenas parte do efeito mostrado no esquema. É verdade que a fitase libera o amido preso ao fitato, mas ela também libera cálcio e proteína — restringir a resposta só ao amido ignora a abrangência do processo retratado na figura, sendo uma alternativa incompleta diante da opção mais geral e correta (B).
🏆 Gabarito: B — a fitase rompe as ligações fosfoéster do fitato, liberando simultaneamente minerais, proteínas e carboidratos antes indisponíveis, aumentando a disponibilidade geral de nutrientes para o animal monogástrico.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve corretamente o efeito amplo e correto da fitase: liberar, de uma só vez, minerais, proteínas e carboidratos presos ao fitato, tornando-os biodisponíveis.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente testa a lógica "enzima quebra substrato → libera produto útil ao organismo", usando contextos aplicados (nutrição animal, indústria de alimentos, biotecnologia) para avaliar se o estudante entende catálise enzimática além da sala de aula.
- Generalização: sempre que uma enzima digestiva ou aditivo alimentar for citado, pergunte-se: "o que essa enzima libera ou desbloqueia?" — a resposta correta quase sempre está ligada ao aumento de disponibilidade/absorção de algo, e não à sua eliminação, desnaturação ou assimilação inversa.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que mencionem processos que a enzima citada não realiza (aqui, "desnaturação" e "eliminação de nitrogenados" não têm relação com hidrólise de fosfoéster); depois, entre as opções restantes, prefira sempre a mais abrangente e coerente com o esquema, descartando a que for específica demais (amido) frente à mais completa (nutrientes em geral).
- Conexões: temas relacionados incluem digestão enzimática em monogástricos vs. ruminantes, biotecnologia de aditivos em ração animal (fitases, proteases, amilases exógenas) e o papel do fósforo como nutriente limitante na produção pecuária.
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