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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensArtesMédio

Questão 131ENEM 2016 Reaplicação

SEVERINI, G. A hieroglífica dinâmica do Bal Tabarin. Óleo sobre tela, 161,6 x 156,2 cm. Museu de Arte Moderna, Nova Iorque, 1912.

Disponível em: www.moma.org. Acesso em: 11 maio 2013.

TEXTO II

A existência dos homens criadores modernos é muito mais condensada e mais complicada do que a das pessoas dos séculos precedentes. A coisa representada, por imagem, fica menos fixa, o objeto em si mesmo se expõe menos do que antes. Uma paisagem rasgada por um automóvel, ou por um trem, perde em valor descritivo, mas ganha em valor sintético. O homem moderno registra cem vezes mais impressões do que o artista do século XVIII.

LÉGER, F. Funções da pintura. São Paulo: Nobel, 1989.

A vanguarda europeia, evidenciada pela obra e pelo texto, expressa os ideais e a estética do

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → História da Arte, vanguardas europeias do início do século XX (Futurismo)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar uma imagem (pintura fragmentada) com um texto teórico e diferenciar o Futurismo de outras vanguardas visualmente parecidas, como o Cubismo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Vanguardas artísticas europeias — Futurismo; leitura integrada de linguagem verbal e não verbal (competência de área de Linguagens)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual movimento de vanguarda a pintura de Severini e o texto teórico representam, e qual sua proposta estética?"
  • Palavras-chave decisivas: "mais condensada e mais complicada", "automóvel, ou por um trem", "cem vezes mais impressões"
  • Armadilha típica: olhar só para a fragmentação geométrica da pintura e marcar Cubismo, ignorando que o texto verbal fala explicitamente de velocidade, máquinas e vida moderna — marca registrada do Futurismo, não do Cubismo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar, no texto teórico, o vocabulário-chave da estética futurista (velocidade, síntese de impressões, vida moderna) e associá-lo à composição fragmentada e dinâmica da tela.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Futurismo: vanguarda italiana lançada por Filippo Marinetti no Manifesto Futurista (1909) e estendida às artes plásticas pelo Manifesto Técnico da Pintura Futurista (1910), assinado por Boccioni, Carrà, Russolo, Balla e Severini. Exalta a velocidade, as máquinas, o automóvel, o trem e a vida urbana moderna como novos valores estéticos, rompendo com a tradição e com a arte "descritiva" e estática.
  • Dinamismo e simultaneidade: procedimento futurista de sobrepor, numa única imagem, diferentes instantes de um movimento (ou diferentes pontos de vista), buscando traduzir visualmente a sensação de velocidade e a multiplicação de sensações do "homem moderno".
  • Cubismo (para contraste): movimento de Braque e Picasso que fragmenta o objeto em múltiplos planos geométricos simultâneos para questionar a perspectiva única renascentista; seu foco é a forma e o ponto de vista, não a velocidade ou a vida moderna.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem — Texto I): a tela de Severini, Dinamismo Coreográfico do Bal Tabarin, mostra dançarinos de um salão de baile parisiense dissolvidos em planos triangulares que se repetem e se sobrepõem, com fragmentos de palavras como "POLKA" e "VALSE" espalhados pela composição → sugere corpos captados em vários instantes sucessivos do movimento da dança, não uma cena parada.
  • Evidência 2 (texto II): "Uma paisagem rasgada por um automóvel, ou por um trem, perde em valor descritivo, mas ganha em valor sintético" → o automóvel e o trem, símbolos máximos da modernidade técnica, aparecem como fonte de uma nova forma de ver o mundo, que abandona a descrição fiel em troca de uma síntese dinâmica de sensações.
  • Evidência 3 (texto II): "O homem moderno registra cem vezes mais impressões do que o artista do século XVIII" → reforça a ideia de multiplicidade e simultaneidade de percepções como novo valor estético, exatamente o que a fragmentação dinâmica da pintura tenta representar.
  • Síntese: a pintura fragmentada de um corpo em movimento (dança) somada a um texto que celebra a velocidade das máquinas modernas (carro, trem) e a multiplicação de impressões só converge para uma vanguarda: o Futurismo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o autor e a obra

Gino Severini foi um pintor italiano, um dos cinco signatários do Manifesto Técnico da Pintura Futurista (1910), ao lado de Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Luigi Russolo e Giacomo Balla. Em Dinamismo Coreográfico do Bal Tabarin (1912), ele retrata o movimento dos dançarinos de um cabaré parisiense fragmentando o espaço e os corpos em planos que se interpenetram — técnica que os futuristas chamavam de "compenetrazione" (interpenetração de planos), usada para sugerir que várias fases de um mesmo movimento coexistem na tela.

Subpasso 4.2 — Relacionar a pintura com o Texto II

O Texto II descreve a existência do "homem criador moderno" como mais condensada e complicada que a dos séculos anteriores, e cita justamente o automóvel e o trem — os mesmos símbolos de velocidade e progresso técnico presentes no Manifesto Futurista de Marinetti, que chega a declarar um carro de corrida "mais belo que a Vitória de Samotrácia". A frase central — "perde em valor descritivo, mas ganha em valor sintético" — resume o programa estético futurista: abandonar a representação fiel e estática (mímese tradicional) em favor de uma síntese visual de múltiplas sensações simultâneas, tal como a fragmentação dinâmica que Severini aplica aos dançarinos do Bal Tabarin.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando imagem e texto: a tela materializa visualmente o que o Texto II descreve em palavras — a tentativa de capturar, num único plano pictórico, impressões sucessivas de um corpo (ou de uma cena) em movimento acelerado, no ritmo da vida moderna. Fragmentação geométrica associada a tema de velocidade, máquina e multiplicação de impressões é a assinatura conceitual do Futurismo, confirmando a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Cubismo, que questionava o uso da perspectiva por meio da fragmentação geométrica.

❌ Incorreta: é verdade que a pintura usa fragmentação em planos geométricos — técnica que os futuristas de fato herdaram e adaptaram do Cubismo —, mas o Cubismo não tem como preocupação central a velocidade, o automóvel, o trem ou a "vida moderna acelerada" citados no Texto II. Seu objetivo é decompor a forma dos objetos e questionar o ponto de vista único da perspectiva renascentista, não celebrar o dinamismo da modernidade.

B) Expressionismo alemão, que criticava a arte acadêmica, usando a deformação das figuras.

❌ Incorreta: o Expressionismo alemão (grupos como Die Brücke e Der Blaue Reiter) usa distorção de cor e forma para expressar angústia existencial e crítica social subjetiva, não para representar velocidade ou simultaneidade de movimento. O texto não fala de sofrimento ou crítica à arte acadêmica, e sim de valorização positiva da máquina.

C) Dadaísmo, que rejeitava a instituição artística, propondo a antiarte.

❌ Incorreta: o Dadaísmo (Duchamp, Tristan Tzara) nasceu como reação irônica à Primeira Guerra Mundial, negando as instituições artísticas por meio de ready-mades e do nonsense. Não há no texto nem na pintura qualquer traço de ironia ou negação da arte; ao contrário, há exaltação positiva da velocidade e do progresso técnico.

D) Futurismo, que propunha uma nova estética, baseada nos valores da vida moderna.

✅ Correta: o Futurismo exaltava explicitamente a velocidade, as máquinas (automóvel, trem), a vida urbana e o dinamismo como novos valores estéticos — exatamente o que descreve o Texto II — e essa proposta é representada visualmente pela fragmentação dinâmica dos corpos em movimento na pintura de Severini.

E) Neoplasticismo, que buscava o equilíbrio plástico, com utilização da direção horizontal e vertical.

❌ Incorreta: o Neoplasticismo (movimento De Stijl, com Mondrian) busca abstração geométrica pura, organizada em linhas retas horizontais e verticais e cores primárias, em nome do equilíbrio e da universalidade — o oposto do caos figurativo e dinâmico da tela de Severini e da valorização da velocidade presente no Texto II.

🏆 Gabarito: D — o Futurismo é o único movimento cujo programa estético une, ao mesmo tempo, a fragmentação dinâmica do corpo em movimento (a pintura) e a exaltação da velocidade das máquinas modernas — automóvel e trem — como fonte de uma nova percepção artística (o texto).

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só o Futurismo combina fragmentação visual com o tema explícito de velocidade, máquina e vida moderna presente no Texto II; nenhuma outra vanguarda listada reúne esses dois traços simultaneamente.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma cruzar uma obra de vanguarda (pintura, colagem, escultura) com um trecho de manifesto ou texto teórico do próprio movimento, pedindo que o aluno reconheça o vocabulário-chave da estética descrita, não apenas o estilo visual.
  • Generalização: quando a fragmentação geométrica de uma imagem vier acompanhada de um texto que valoriza velocidade, máquina ou multiplicidade de sensações, pense Futurismo; quando o texto falar de forma, volume e ponto de vista, pense Cubismo.
  • Dica de eliminação rápida: procure a palavra-gatilho no texto de apoio — "automóvel"/"trem"/"velocidade" → Futurismo; "sonho"/"inconsciente" → Surrealismo; "ready-made"/"ironia" → Dadaísmo; "linhas retas"/"cores primárias" → Neoplasticismo. Isso elimina de 2 a 3 alternativas em poucos segundos.
  • Conexões: o Manifesto Futurista de Marinetti (1909) e sua influência sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 no Brasil, que absorveu ideias futuristas de ruptura com a tradição na obra de autores como Oswald de Andrade.

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