Mapa de questões · 2º dia
Questão 124 — ENEM 2016 Reaplicação

ROTELLA, M. Marilyn , 1962.
Disponível em: www.moma.org. Acesso em: 30 maio 2016.
A técnica de décollage, utilizada pelo artista Mimmo Rotella em sua obra Marilyn, é um procedimento artístico representativo da década de 1960 por
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → Movimentos artísticos do século XX (Nouveau Réalisme) e técnicas de apropriação de imagens (décollage)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer a técnica do décollage praticada por Mimmo Rotella e relacionar o procedimento (rasgar e sobrepor cartazes) ao efeito estético-conceitual que ele produz
- 🎯 Tema/Habilidade: A obra "Marilyn" de Mimmo Rotella e a criação de sentido pela justaposição de linguagens visuais distintas — leitura crítica de obra de arte e de seus procedimentos técnicos
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o objetivo/efeito estético que a técnica empregada por Rotella na obra Marilyn (1962) busca alcançar?"
- Palavras-chave decisivas: Rotella, Marilyn, 1962, décollage (a técnica que a questão pressupõe conhecida a partir da imagem reproduzida)
- Armadilha típica: confundir décollage com colagem tradicional que "acrescenta" material, ou associá-la superficialmente a ideias da moda — reciclagem/sustentabilidade (B) e nostalgia do passado (C) soam plausíveis, mas descrevem o oposto do que a técnica faz.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o décollage rasga e expõe camadas pré-existentes de cartazes publicitários e cinematográficos, fazendo linguagens diferentes se encontrarem numa mesma superfície e gerarem sentido novo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Nouveau Réalisme: movimento francês lançado em 1960 pelo crítico Pierre Restany, reunindo artistas que transformavam objetos e materiais do cotidiano urbano e da cultura de consumo em matéria-prima artística (Yves Klein, Arman, César, Jacques Villeglé, Mimmo Rotella).
- Décollage (ou "affiche lacérée"): procedimento inverso ao da colagem. Em vez de colar recortes sobre uma superfície, o artista arranca camadas de cartazes já sobrepostos nos muros da cidade, expondo fragmentos de anúncios, cartazes de cinema e tipografias de épocas diferentes, acidentalmente justapostos.
- Apropriação e recontextualização: ao retirar uma imagem de seu ambiente original (rua, publicidade, cartaz de cinema) e realocá-la no espaço da arte, o artista provoca leitura crítica sobre a saturação de imagens da cultura de massa — procedimento também caro à Pop Art, contemporânea a Rotella.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: a referência "ROTELLA, M. Marilyn, 1962." → é a ficha técnica da obra reproduzida: identifica o autor (Mimmo Rotella), o título (série dedicada a Marilyn Monroe) e a data, situando a obra no auge do Nouveau Réalisme e no mesmo momento em que a imagem de Marilyn virava ícone da cultura pop (ano dos famosos retratos serigráficos de Andy Warhol).
- Evidência 2: os traços visuais típicos do décollage — rasgos, sobreposição de camadas de papel, fragmentos de letras e rostos de cartazes distintos — revelam o procedimento do artista: ele não desenha nem recorta uma imagem nova; ele expõe e recombina imagens que já existiam em campos diferentes (cinema, publicidade, tipografia de rua).
- Síntese: a chave da questão é conectar o "como" (décollage de cartazes sobrepostos, arrancados em camadas) ao "para quê" (cruzamento de universos visuais distintos numa mesma superfície, produzindo significados ausentes nos cartazes originais isolados).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o autor e a técnica
Mimmo Rotella (1918-2006) é o principal expoente do décollage dentro do Nouveau Réalisme. Diferentemente de um colagista, ele trabalha por subtração: percorre a cidade recolhendo cartazes publicitários e de cinema já degradados pela sobreposição de múltiplas afixações e os leva ao ateliê, onde continua o processo de rasgar e descolar camadas.
Subpasso 4.2 — Relacionar a técnica ao propósito conceitual
O resultado é uma superfície em que fragmentos de imagens e textos de proveniências distintas — um rosto de atriz, uma letra de título de filme, um pedaço de anúncio comercial — passam a coexistir na mesma composição. Esse encontro forçado entre "campos de expressão diferentes" (imagem fotográfica de cinema, tipografia publicitária, textura do papel rasgado) é o que gera a leitura crítica da obra: novos sentidos emergem do acaso dessa sobreposição, não de uma imagem desenhada do zero.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao testar essa leitura contra as alternativas, apenas uma descreve corretamente esse duplo movimento — fazer conviver linguagens diferentes e, a partir disso, produzir significado novo — sem recorrer a ideias estranhas ao contexto da obra (sustentabilidade, conservação, apagamento do gesto manual). Essa é a alternativa D, confirmando o gabarito.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) visar a conservação das representações e dos registros visuais.
❌ Incorreta: o décollage faz exatamente o oposto de conservar. O gesto do artista é destrutivo por natureza — ele rasga, arranca e expõe camadas, deteriorando deliberadamente o registro visual original em vez de preservá-lo.
B) basear-se na reciclagem de material gráfico, contribuindo para a sustentabilidade.
❌ Incorreta: embora o suporte físico (o cartaz) seja reaproveitado, a "sustentabilidade" é uma pauta ambiental contemporânea, anacrônica ao projeto estético de Rotella nos anos 1960. O objetivo do artista não é ecológico, mas semântico-visual — criar novas leituras a partir do cruzamento de imagens.
C) encobrir o passado, abrindo caminho para novas formas plásticas, pela releitura.
❌ Incorreta: é a armadilha mais sedutora, pois o décollage de fato lida com material do passado (cartazes antigos e sobrepostos). Mas o verbo "encobrir" inverte a lógica da técnica: Rotella não cobre o passado, ele descobre — arranca camadas para revelar o que estava por baixo. A direção do gesto é de exposição, não de ocultação.
D) fazer conviver campos de expressão diferentes e integrar novos significados.
✅ Correta: descreve com precisão o duplo efeito do décollage — a justaposição acidental de linguagens distintas (cartaz de cinema, publicidade, tipografia, textura do papel rasgado) que, ao conviverem na mesma superfície, geram sentidos inéditos, ausentes em cada fragmento isolado.
E) abolir o trabalho manual do artista na confecção das imagens recontextualizadas.
❌ Incorreta: o gesto manual é central, não abolido. É justamente a escolha de onde rasgar, quais camadas expor e como compor os fragmentos que constitui a autoria de Rotella — o décollage é tão dependente da mão do artista quanto qualquer pintura ou colagem tradicional.
🏆 Gabarito: D — a obra de Rotella usa o rasgo e a sobreposição de cartazes para fazer conviver linguagens visuais diferentes (cinema, publicidade, tipografia), integrando-as em significados novos que não existiam nos fragmentos originais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve o décollage pelo que ele realmente é — um procedimento de justaposição e ressignificação, e não de conservação, reciclagem ecológica, ocultação do passado ou eliminação do gesto autoral.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o reconhecimento de técnicas e movimentos artísticos ligados à cultura de massa do século XX (Pop Art, Nouveau Réalisme, arte conceitual), pedindo que o estudante infira o propósito estético de um procedimento a partir de pistas visuais e da ficha técnica da obra (autor, título, data).
- Generalização: em questões sobre técnicas de apropriação de imagens (colagem, fotomontagem, ready-made, décollage), a alternativa correta quase sempre valoriza o diálogo entre linguagens diferentes e a criação de sentido novo — nunca a preservação do original, a nostalgia pura, motivações ambientais anacrônicas ou a negação do trabalho do artista.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que atribuam propósito ecológico/sustentável a um movimento artístico dos anos 1960 (anacronismo) e as que neguem o gesto manual do artista — toda técnica de apropriação depende de uma escolha autoral deliberada.
- Conexões: compare com a colagem cubista de Braque e Picasso (que acrescenta materiais), com a fotomontagem dadaísta de Hannah Höch e John Heartfield (crítica política pela montagem de recortes) e com a Pop Art de Andy Warhol, que no mesmo ano de 1962 também retratou Marilyn Monroe, reforçando o quanto a atriz se tornou símbolo da saturação de imagens da cultura de massa nesse período.
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