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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 112ENEM 2016 Reaplicação

Disponível em: www.pcspeed.com.br. Acesso em: 1 maio 2012 (adaptado).

A carta manifesta reconhecimento de uma empresa pelos serviços prestados pelos consultores da PC Speed. Nesse contexto, o uso da norma-padrão

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística e Adequação ao Gênero Textual (registro formal em carta comercial)
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta parece óbvia à primeira vista, mas o texto oferece quatro distratores que soam plausíveis por atribuírem juízos de valor (exagero, dificuldade, elitismo) ao mesmo fenômeno linguístico corretamente descrito apenas na alternativa correta.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a função da norma-padrão de acordo com o gênero textual e a situação comunicativa (Competência de Área 1 de Linguagens — reconhecer usos da norma-padrão de acordo com as demandas de uso da língua).
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o efeito de sentido produzido pelo uso da norma-padrão nesta carta de reconhecimento profissional?"
  • Palavras-chave decisivas: norma-padrão, gênero, contexto comunicativo (empresa → empresa)
  • Armadilha típica: interpretar formalidade como sinônimo de exagero, rebuscamento ou obstáculo à compreensão — como se toda linguagem culta fosse automaticamente negativa ou desnecessária. As alternativas A, B, D e E exploram exatamente essa confusão entre "formal" e "difícil/exagerado/elitista".
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o uso da norma-padrão está adequado ao gênero carta comercial/institucional e cumpre uma função social e comunicativa específica — sinalizar profissionalismo —, sem prejudicar a clareza nem revelar afetação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Norma-padrão: variedade linguística de prestígio, sistematizada pela gramática normativa, empregada preferencialmente em situações formais de comunicação (documentos oficiais, correspondência empresarial, discursos institucionais).
  • Gênero textual carta comercial/institucional: possui estrutura fixa e convencional — local e data, vocativo ("Prezado Senhor"), corpo com linguagem formal, fórmula de despedida ("Atenciosamente") e identificação do remetente com cargo. Essas convenções não são acessórias: constituem o próprio gênero.
  • Adequação linguística: princípio sociolinguístico segundo o qual não existe variedade "certa" ou "errada" em si, mas adequada ou inadequada ao contexto de produção, ao interlocutor e à finalidade do texto. Uma carta de diretor para uma empresa de consultoria exige registro formal; a mesma formalidade seria inadequada em uma mensagem entre amigos.
  • Função pragmática da formalidade: em contextos corporativos, o registro formal não é apenas estética — ele constrói a imagem de seriedade, credibilidade e profissionalismo entre as partes envolvidas na comunicação.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Manifestamos nossa apreciação pelo excelente trabalho executado pela equipe de consultores desta empresa" → uso do plural institucional ("manifestamos") e vocabulário formal ("apreciação", "executado") típicos da comunicação empresarial, e não de uma conversa informal.
  • Evidência 2: "Queira, por gentileza, transmitir-lhes nossos cumprimentos." e o fechamento "Atenciosamente," → fórmulas de cortesia e de despedida padronizadas, próprias do protocolo epistolar corporativo, reforçando o caráter institucional (e não pessoal) da mensagem.
  • Evidência 3: o remetente assina como "Rivaldo Oliveira Andrade — Diretor Administrativo e Financeiro", e o destinatário é uma consultoria contratada ("Sr. Pedro Alberto") → a relação é profissional, entre representantes de empresas, sem intimidade que justificasse informalidade.
  • Síntese: todos os elementos textuais (vocativo, plural institucional, fórmulas de cortesia, fechamento e identificação por cargo) convergem para um único diagnóstico: a norma-padrão aqui não é excesso nem dificuldade — é o registro esperado e funcional para o gênero "carta de reconhecimento profissional", pois confere seriedade e profissionalismo à relação entre as empresas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o gênero textual e o contexto de produção

O texto é uma carta comercial formal, redigida por um diretor administrativo-financeiro em nome de uma empresa, dirigida a um consultor de outra empresa (PC Speed), com o objetivo de agradecer e reconhecer publicamente um trabalho de consultoria. Esse gênero pressupõe, por convenção social e histórica, o uso da norma-padrão: é assim que se demonstra seriedade institucional em correspondências entre organizações.

Subpasso 4.2 — Relacionar o registro formal à função comunicativa

Como o objetivo é reconhecer formalmente um serviço prestado — algo que pode, inclusive, circular como referência profissional (a carta está publicada no próprio site da consultoria, "Disponível em: www.pcspeed.com.br") —, o uso cuidadoso da norma-padrão reforça a credibilidade tanto de quem escreve quanto de quem é elogiado. Não se trata de exibicionismo linguístico, mas de cumprir o "contrato" implícito do gênero: uma carta de agradecimento empresarial exige formalidade para ser levada a sério como documento institucional.

Subpasso 4.3 — Verificação: a formalidade compromete a compreensão?

Basta reler o texto: cada frase é curta, direta e perfeitamente compreensível ("Manifestamos nossa apreciação...", "Queira transmitir-lhes nossos cumprimentos"). Não há vocabulário raro, construções sintáticas complexas ou ambiguidade. Logo, hipóteses que associam a norma-padrão a "dificuldade de leitura" (alternativa D) ou a "rebuscamento exagerado" (alternativa B) não se sustentam diante do texto real. A formalidade aqui é funcional, não ornamental — confirmando que o efeito de sentido correto é o de adequação ao gênero com ganho de profissionalismo.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) constitui uma exigência restrita ao universo financeiro e é substituível por linguagem informal.

❌ Incorreta: o erro é duplo. Primeiro, a formalidade da carta não decorre de o assunto ser "financeiro" (a carta trata de elogio a um trabalho de consultoria administrativa, não de operações financeiras); a formalidade decorre do gênero carta comercial/institucional, aplicável a qualquer área. Segundo, afirmar que é "substituível por linguagem informal" ignora que a informalidade descaracterizaria o gênero e comprometeria a seriedade da mensagem — a norma-padrão não é uma opção estilística arbitrária, é uma exigência do contexto comunicativo.

B) revela um exagero por parte do remetente e torna o texto rebuscado linguisticamente.

❌ Incorreta: atribui um juízo negativo (exagero, rebuscamento) a um uso linguístico que é, na verdade, proporcional e adequado. O vocabulário da carta é formal, mas simples e claro — não há termos raros, arcaísmos ou construções sintáticas complicadas que caracterizem "rebuscamento". Essa alternativa confunde formalidade com afetação.

C) expressa o formalismo próprio do gênero e atribui profissionalismo à relação comunicativa.

✅ Correta: é exatamente o que a análise das evidências comprovou. A norma-padrão aqui cumpre a função de atender às convenções do gênero carta comercial (formalismo próprio do gênero) e, ao fazê-lo, constrói uma imagem de seriedade e competência entre as partes (profissionalismo na relação comunicativa entre a empresa que elogia e a consultoria elogiada).

D) torna o texto de difícil leitura e atrapalha a compreensão das intenções do remetente.

❌ Incorreta: o texto é curto, objetivo e de leitura fluida — a intenção do remetente (elogiar e agradecer o trabalho da consultoria) está explícita já no primeiro período. Não há qualquer obstáculo de compreensão gerado pela norma-padrão; pelo contrário, a formalidade organiza e clarifica a mensagem dentro do gênero esperado.

E) sugere elevado nível de escolaridade do diretor e realça seus atributos intelectuais.

❌ Incorreta: desloca o foco do gênero textual para uma suposta exibição pessoal de erudição do remetente. O uso da norma-padrão em uma carta comercial não é uma demonstração individual de escolaridade, mas uma convenção social do gênero, esperada de qualquer pessoa que ocupe aquele papel institucional (diretor administrativo-financeiro), independentemente de seus "atributos intelectuais".

🏆 Gabarito: C — a norma-padrão na carta cumpre o papel de atender às convenções do gênero textual (carta comercial/institucional) e, com isso, confere profissionalismo à relação entre a empresa remetente e a consultoria destinatária, sem qualquer prejuízo à clareza ou indício de exagero.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa C é a única que descreve o uso da norma-padrão como algo funcional e adequado ao contexto — as demais atribuem a esse mesmo uso um problema (exagero, dificuldade, elitismo) que o texto, ao ser lido com atenção, não confirma.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a habilidade de relacionar registro linguístico (formal x informal) ao gênero textual e à situação de comunicação — cartas, e-mails corporativos, bilhetes, tirinhas e reportagens são materiais típicos para esse tipo de questão.
  • Generalização: sempre que a questão apresentar um texto de gênero formal (carta comercial, ofício, requerimento, ata) e perguntar sobre o "efeito do uso da norma-padrão", a resposta correta tende a valorizar a adequação ao gênero e a função social da formalidade — nunca a apontar a formalidade como defeito, salvo se o próprio texto trouxer evidências claras de exagero ou incompreensão (o que não é o caso aqui).
  • Dica de eliminação rápida: leia as alternativas em busca de palavras com carga negativa ("exagero", "difícil leitura", "atrapalha") associadas ao uso da norma-padrão — em questões desse tipo, esse é quase sempre o sinal de alternativa errada, pois o ENEM valoriza a variação linguística como fenômeno funcional, não como erro ou vício.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com "Gêneros textuais e esfera de circulação" e com "Preconceito linguístico e variação", ambos recorrentes na parte de Linguagens do ENEM.

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