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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 105ENEM 2016 Reaplicação

Disponível em: http://portal.saude.gov.br. Acesso em: 8 nov. 2013 (adaptado).

Na campanha publicitária, há uma tentativa de sensibilizar o público-alvo, visando levá-lo à doação de sangue. Analisando a estratégia argumentativa utilizada, percebe-se que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto publicitário e recursos argumentativos
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta certa exige perceber a função retórica da pergunta-e-resposta, e não apenas descrever a imagem ou o tom emocional do anúncio.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeitos de sentido em textos publicitários multimodais; reconhecimento de estratégias argumentativas (competência de leitura crítica de gêneros do campo jornalístico-midiático).
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual efeito de sentido essa campanha de doação de sangue produz por meio da forma como articula texto e imagem?"
  • Palavras-chave decisivas: campanha, doação de sangue, efeito de sentido/recurso argumentativo
  • Armadilha típica: deixar-se levar pelo apelo emocional da imagem (uma jovem sorridente, de aparência saudável, com camisa polo) e escolher a alternativa que fala em "comoção" ou "compaixão" apenas porque soa coerente com o tema da doença — sem checar se essa é de fato a estratégia central do texto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar o recurso argumentativo estruturante do anúncio — a pergunta retórica seguida de resposta — e o efeito que ele produz sobre o leitor/público-alvo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Gênero publicitário de utilidade pública: campanhas que não vendem produto, mas promovem uma causa social (aqui, a doação de sangue), usando recursos verbais e visuais para persuadir o leitor a agir.
  • Pergunta retórica seguida de resposta: estratégia argumentativa em que se antecipa uma objeção do leitor ("Para doar sangue você precisa conhecer a pessoa?") e se responde a ela de forma a desarmar essa objeção ("Pronto. Agora você já conhece a Bianca."), conduzindo o leitor a repensar sua crença.
  • Multimodalidade: articulação entre texto verbal (frases fragmentadas em blocos, como legendas soltas) e imagem (foto da jovem), em que o sentido do anúncio nasce da relação entre os dois planos, não de cada um isoladamente.
  • Justaposição/contraste de informações: os blocos de texto misturam dados triviais da adolescente ("adoro música pop", "sou fã de futebol", "tenho 15 anos") com a informação central ("tenho leucemia e preciso de doação de sangue"), construindo a ideia de que ela é uma pessoa comum, como qualquer outra.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "PARA DOAR SANGUE VOCÊ PRECISA CONHECER A PESSOA? PRONTO. AGORA VOCÊ JÁ CONHECE A BIANCA." → é uma pergunta seguida imediatamente de uma resposta construída pelo próprio texto: o anúncio simula e neutraliza, em tempo real, a objeção mais comum de quem hesita em doar sangue.
  • Evidência 2: "Assim como ela, milhares de pessoas precisam de doação de sangue." / "Seja para quem for, seja doador." → o texto generaliza o caso individual de Bianca para "milhares de pessoas" e fecha com um apelo que dispensa qualquer vínculo pessoal ("para quem for"), reforçando que o critério de "conhecer o doente" é irrelevante e deve ser abandonado.
  • Síntese: a estrutura pergunta-resposta não serve só para "apresentar" Bianca; ela expõe, para o leitor, um pensamento equivocado muito comum — o de que só se doa sangue para quem se conhece — e o convida a refletir sobre essa crença e superá-la, doando "para quem for". É exatamente esse mecanismo de questionar uma prática e induzir reflexão que a alternativa correta descreve.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a estrutura do texto e da imagem

O anúncio é composto por frases curtas, dispostas como se fossem falas ou legendas soltas ao redor da fotografia de uma adolescente (Bianca), de aparência saudável e comum: camisa polo, sorriso, referências a música pop, futebol, cinema e livros. No meio desses dados triviais, surge a frase central: "TENHO LEUCEMIA E PRECISO DE DOAÇÃO DE SANGUE." A imagem reforça verbalmente essa normalidade: nada na foto (um fragmento mostra apenas o busto dela, com uma camisa polo comum) indica se tratar de alguém gravemente doente — e é exatamente esse o efeito buscado: aproximar o leitor de uma jovem "igual a qualquer outra".

Subpasso 4.2 — Isolar o recurso argumentativo central

O elemento que estrutura toda a campanha — e que aparece logo na segunda linha do anúncio, em destaque — é o par pergunta/resposta: "PARA DOAR SANGUE VOCÊ PRECISA CONHECER A PESSOA? PRONTO. AGORA VOCÊ JÁ CONHECE A BIANCA." Esse recurso não é decorativo: ele nomeia diretamente uma crença que trava a decisão de muitas pessoas em relação à doação de sangue (a de que seria preciso ter algum vínculo com quem vai receber o sangue) e a desmonta com uma resposta irônica e rápida ("Pronto"). Ao fazer isso, o texto não está apenas "apresentando" a personagem — está colocando em xeque, diante do leitor, a lógica de só ajudar quem se conhece.

Subpasso 4.3 — Verificação: conectar o recurso ao efeito de sentido

Se o texto se limitasse a comover o leitor com a história de Bianca, bastaria apresentar seus dados pessoais e a doença, sem a construção pergunta-resposta. O fato de o anúncio abrir espaço, logo no início, para simular e refutar uma objeção do leitor mostra que o objetivo argumentativo primário é fazer o público repensar (refletir sobre) a ideia de que a doação deveria ser direcionada apenas a conhecidos — e não simplesmente emocioná-lo com uma imagem triste. Essa leitura converge exatamente com a alternativa C, que fala em "reflexão por parte do público-alvo" diante da "crítica à prática de escolher para quem doar".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) a exposição de alguns dados sobre a jovem procura provocar compaixão, visto que, em razão da doença, ela vive de maneira diferente dos demais jovens de sua idade.

❌ Incorreta: o texto faz exatamente o oposto — os dados escolhidos (música pop, futebol, cinema, livros, 15 anos) mostram que Bianca vive como qualquer outra adolescente, e não "de maneira diferente". A estratégia não é destacar a excepcionalidade da doença, mas sua banalidade dentro de uma vida comum.

B) a campanha defende a ideia de que, para doar, é preciso conhecer o doente, considerando que foi preciso apresentar a jovem para gerar identificação.

❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. A campanha não defende que seja preciso conhecer o doente — ela questiona e desconstrói essa exigência, mostrando que "conhecer" a pessoa (por meio do próprio anúncio) é só um recurso retórico para depois generalizar: "Seja para quem for, seja doador."

C) o questionamento seguido da resposta propõe reflexão por parte do público-alvo, visto que o texto critica a prática de escolher para quem doar.

✅ Correta: é exatamente o par "PARA DOAR SANGUE VOCÊ PRECISA CONHECER A PESSOA? PRONTO." que estrutura o convite à reflexão. Ao simular e refutar essa objeção, o anúncio critica o comportamento de condicionar a doação a um vínculo pessoal com o receptor, preparando o terreno para o apelo final ("Seja para quem for, seja doador").

D) as escolhas verbais associadas à imagem parecem contraditórias, pois constroem uma aparência incompatível com a de uma jovem doente.

❌ Incorreta: não há contradição — há coerência proposital. O texto e a imagem trabalham juntos, de forma deliberada, para mostrar Bianca como uma jovem "normal", e essa normalidade é reforçada, não contrariada, pelas escolhas verbais (gostos, idade, hobbies). Chamar isso de "contradição" é confundir uma estratégia de humanização com uma falha de coerência.

E) a campanha explora a expressão da jovem a fim de gerar comoção no leitor, levando-o a doar sangue para as pessoas com leucemia.

❌ Incorreta: erra o alvo em dois pontos — o apelo final do texto ("Seja para quem for, seja doador") é para qualquer pessoa que precise de sangue, não apenas para "pessoas com leucemia"; além disso, o foco argumentativo não está na "expressão" fotográfica da jovem (nem há ênfase descritiva sobre expressão facial no texto verbal), e sim no mecanismo pergunta-resposta que desconstrói um pré-conceito sobre a doação.

🏆 Gabarito: C — a campanha estrutura-se em torno de uma pergunta retórica respondida pelo próprio texto, mecanismo que expõe e critica a ideia de que só se doa sangue a quem se conhece, convidando o público-alvo a refletir sobre essa crença e a doar "para quem for".

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa C nomeia corretamente o recurso argumentativo central do anúncio (pergunta seguida de resposta) e associa esse recurso ao efeito de sentido pretendido (reflexão crítica do leitor sobre a prática de "escolher para quem doar").
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz campanhas publicitárias de utilidade pública (saúde, meio ambiente, causas sociais) pedindo que o candidato identifique o recurso argumentativo/persuasivo usado e o efeito de sentido gerado — não basta "sentir" a emoção do texto, é preciso nomear a estratégia.
  • Generalização: em textos publicitários e multimodais, a alternativa correta costuma ser a que descreve com precisão o mecanismo linguístico ou composicional usado (pergunta-resposta, contraste, ironia, jogo de palavras) e o conecta ao propósito comunicativo do texto — desconfie de opções que apenas repetem o tema (doença, tristeza, comoção) sem explicar o "como" da argumentação.
  • Dica de eliminação rápida: releia a segunda linha do texto (geralmente onde recursos retóricos como perguntas ficam concentrados) antes de olhar as alternativas; qualquer opção que contrarie o sentido literal de trechos como "Seja para quem for" (alternativas B e E, que restringem o público-alvo) pode ser descartada de imediato.
  • Conexões: compare com outras questões de linguagens sobre "funções da linguagem" (a função apelativa/conativa é dominante nesse gênero) e sobre "gêneros do campo jornalístico-midiático", eixo em que campanhas publicitárias de utilidade pública aparecem com frequência no ENEM.

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