Mapa de questões · 2º dia
Questão 98 — ENEM 2016 PPL
O passado na tela do computador
Um dos desafios do novo Museu da Imigração é se contrapor à imagem deixada pela exibição do acervo permanente na época do Memorial do Imigrante, muito criticada por dar ênfase demasiada aos imigrantes estrangeiros e pouca atenção aos brasileiros. Era uma representação desproporcional em relação aos números: dos 3,5 milhões de pessoas que passaram pela hospedaria de imigrantes de São Paulo, aproximadamente 1,9 milhão eram estrangeiras (de 75 nacionalidades e etnias) e 1,6 milhão eram brasileiras, oriundas, principalmente, dos estados nordestinos.
HEBMÜLLER, P. Problemas brasileiros , n. 414, nov.-dez. 2012 (adaptado). O autor do texto sobre a digitalização do acervo do novo Museu da Imigração apresenta a ênfase no imigrante estrangeiro como um problema de representação equivocada da imigração em São Paulo. Para tanto, fundamenta seu ponto de vista no(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto argumentativo (identificação da base de um ponto de vista)
- ⚡ Nível: Médio — o texto é curto e direto, mas a alternativa correta concorre com distratores que reaproveitam dados reais do texto (nacionalidades, tecnologia) fora do contexto certo.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento dos argumentos e da base factual que sustentam um posicionamento crítico em texto de divulgação (Competência de Área 1 — reconhecer diferentes marcas linguísticas e estratégias que evidenciam a posição do autor).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Em que dado ou constatação o autor se apoia para dizer que a antiga exibição representou mal a imigração em São Paulo?"
- Palavras-chave decisivas: problema de representação equivocada, fundamenta seu ponto de vista, desproporcional
- Armadilha típica: confundir o tema do texto (imigração, digitalização de acervo, diversidade de nacionalidades) com a base argumentativa específica que sustenta a crítica — ou seja, achar que qualquer informação numérica do texto já é "a resposta", quando na verdade só uma delas explica o porquê da crítica.
- O que a resposta precisa demonstrar: que a crítica do autor não é sobre o conteúdo cultural exposto, nem sobre tecnologia, nem sobre comparação entre museus, mas sim sobre a falta de proporção entre a atenção dada aos imigrantes estrangeiros e aos brasileiros, quando confrontada com os números reais.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Texto argumentativo de divulgação científica/jornalística: apresenta um problema (a antiga exposição do Memorial do Imigrante) e o justifica com dados concretos, técnica típica de textos que buscam persuadir por meio de evidências quantitativas.
- Base do ponto de vista (fundamentação): em textos argumentativos, o autor defende uma tese e a sustenta com fatos, dados ou comparações; a questão pede exatamente esse elo de sustentação, não uma paráfrase do tema geral.
- Desproporção/desequilíbrio como recurso crítico: comparar números (ênfase dada x números reais) é uma estratégia comum para evidenciar distorção de representação — aqui, o autor mostra que a diferença real entre estrangeiros (1,9 milhão) e brasileiros (1,6 milhão) era pequena, mas o tratamento dado a cada grupo na exposição era muito desigual.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "muito criticada por dar ênfase demasiada aos imigrantes estrangeiros e pouca atenção aos brasileiros" → revela que o problema apontado é de tratamento desigual entre dois grupos, não de erro nos dados sobre um único grupo.
- Evidência 2: "Era uma representação desproporcional em relação aos números: [...] aproximadamente 1,9 milhão eram estrangeiras [...] e 1,6 milhão eram brasileiras" → mostra que os números reais das duas populações são próximos (1,9 milhão contra 1,6 milhão), o que reforça que o desequilíbrio estava na exposição, e não na realidade demográfica da hospedaria.
- Síntese: o autor não questiona a existência dos imigrantes estrangeiros nem a tecnologia usada na digitalização; ele evidencia que a antiga exibição desequilibrou a representação, supervalorizando um grupo (estrangeiros) e apagando o outro (brasileiros nordestinos), apesar de os números reais serem quase equivalentes. Esse é o fio condutor que leva à alternativa correta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Localizar a tese do autor
A tese está na primeira frase: o novo Museu da Imigração tem o desafio de "se contrapor à imagem deixada" pela exposição antiga. Isso significa que a exibição anterior deixou uma imagem considerada problemática — e o texto vai explicar por quê.
Subpasso 4.2 — Localizar a justificativa (fundamentação) dessa tese
A frase seguinte explicita o motivo: a antiga exposição foi "muito criticada por dar ênfase demasiada aos imigrantes estrangeiros e pouca atenção aos brasileiros". Em seguida, o autor comprova essa crítica com números: dos 3,5 milhões de pessoas que passaram pela hospedaria, 1,9 milhão eram estrangeiras e 1,6 milhão eram brasileiras. A diferença real entre os dois grupos é pequena (apenas 300 mil pessoas, ou seja, cerca de 54% contra 46% do total) — mas a exposição tratava os estrangeiros como protagonistas quase exclusivos e os brasileiros como coadjuvantes apagados.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao comparar "ênfase demasiada" + "pouca atenção" com "representação desproporcional em relação aos números", fica claro que o autor fundamenta seu ponto de vista no desequilíbrio entre como os grupos costumavam ser representados (muito espaço para um, quase nenhum para o outro), e não na diversidade de nacionalidades, nem na tecnologia, nem em comparação com outros museus. Essa constatação aponta diretamente para a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) panorama apresentado como a atual realidade do imigrante em São Paulo.
❌ Incorreta: o texto não discute a realidade atual do imigrante, mas sim como a exibição histórica (do acervo permanente antigo) tratou de forma desproporcional dados de pessoas que passaram pela hospedaria no passado. Não há qualquer menção a uma suposta representação da "atualidade" do imigrante.
B) uso da tecnologia para aprimorar a imagem do imigrante em São Paulo.
❌ Incorreta: a tecnologia (digitalização do acervo, sugerida pelo título "O passado na tela do computador") é apenas o meio pelo qual o novo museu pretende corrigir o problema, não a base da crítica à antiga exposição. Confundir o instrumento de correção com o argumento da crítica é o erro central desse distrator.
C) diferença entre o Memorial do Imigrante e os demais museus existentes em São Paulo.
❌ Incorreta: o texto compara a antiga exposição do Memorial do Imigrante com o que o novo Museu da Imigração pretende fazer — é uma comparação interna, entre "antes" e "depois" da mesma instituição/acervo, e não uma comparação com "os demais museus" de São Paulo, tema que sequer é mencionado.
D) diversidade de nacionalidades e etnias como parâmetro da imigração em São Paulo.
❌ Incorreta: as "75 nacionalidades e etnias" aparecem apenas como um detalhe que qualifica o grupo de estrangeiros, não como o critério usado pelo autor para criticar a exposição. O parâmetro da crítica é a proporção entre estrangeiros e brasileiros, não a variedade de nacionalidades dentro do grupo estrangeiro.
E) desequilíbrio nas representações usuais dos imigrantes em São Paulo.
✅ Correta: é exatamente o que o texto demonstra — a exposição tradicional dava "ênfase demasiada" a um grupo e "pouca atenção" a outro, uma distorção evidenciada pelo confronto com números reais (1,9 milhão x 1,6 milhão, uma diferença pequena diante do tratamento desigual dado a cada grupo na exibição).
🏆 Gabarito: E — o autor fundamenta sua crítica no desequilíbrio entre a forte visibilidade dada aos imigrantes estrangeiros e a quase invisibilidade dos brasileiros na exposição tradicional, desequilíbrio que os números reais (bem mais próximos entre si) não justificavam.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa E nomeia com precisão o mecanismo de crítica usado no texto — o contraste entre "ênfase demasiada" a um grupo e "pouca atenção" a outro, isto é, um desequilíbrio de representação, e não um problema de dados, tecnologia ou comparação institucional.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente cobra textos curtos de divulgação (jornalística ou científica) pedindo que o estudante identifique não o tema geral, mas o argumento específico ou dado que sustenta uma crítica ou tese do autor — é a diferença entre "do que o texto fala" e "em que o autor se baseia para pensar assim".
- Generalização: sempre que a pergunta usar verbos como "fundamenta", "justifica" ou "baseia-se", procure no texto a relação de causa (o dado/fato) e efeito (a opinião/crítica) — a resposta certa é o elo que liga fato a julgamento, não qualquer informação periférica do texto.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que citem elementos mencionados no texto mas que funcionam como pano de fundo e não como causa da crítica — aqui, tecnologia (B) e nacionalidades (D) aparecem no texto, mas não respondem "por quê" o autor considera a representação equivocada; sobra o contraste numérico/proporcional, que é a alternativa E.
- Conexões: esse tipo de questão dialoga com textos sobre desigualdade de representação em mídia e estatística descritiva (leitura crítica de dados), temas recorrentes tanto em Linguagens quanto em questões de Matemática que exigem interpretação de proporções e porcentagens.
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