Mapa de questões · 2º dia
Questão 122 — ENEM 2016 PPL
Árvore é cortada para dar lugar à propaganda sobre preservação ambiental
“Uma criança abraça uma árvore com o sorriso no rosto. No fundo verde, uma mensagem exalta a importância da preservação da natureza e lembra o Dia da Árvore”. O que seria um roteiro padrão para uma peça publicitária virou motivo de revolta e indignação em uma cidade do interior de São Paulo. Isso porque uma empresa de outdoor derrubou uma árvore centenária em um terreno para a instalação de suas placas.
A empresa teria informado que tinha autorização da prefeitura e da polícia ambiental para cortar a árvore. Sobre a propaganda, a empresa disse que foi “uma infeliz coincidência”, já que não sabia o que iria ser anunciado.
Em nota, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista, informou que não há nenhuma autorização em nome da empresa para o corte da árvore.
A multa, segundo a polícia ambiental, varia entre R$ 100 e R$ 1 000 por árvore ou planta cortada.
Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 21 set. 2015 (adaptado).
O texto apresenta uma crítica ao uso social de um outdoor . Essa crítica está associada ao fato de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura crítica de texto jornalístico/publicitário
- ⚡ Nível: Médio — exige distinguir o fato central (a crítica social do texto) de detalhes informativos que apenas complementam a notícia
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificação de crítica implícita/ironia em texto multimodal com fins publicitários (Competência de Área 1 — reconhecer usos sociais da linguagem)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual fato do texto explica a crítica feita ao uso social do outdoor?"
- Palavras-chave decisivas: crítica, uso social, outdoor
- Armadilha típica: confundir "crítica ao uso social do outdoor" com qualquer informação verdadeira presente no texto (a multa, a negativa da Secretaria, a fala da empresa, o uso da criança). Essas informações são dados da notícia, mas não são, em si, o motivo da crítica.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a crítica nasce do contraste entre o conteúdo do anúncio (preservação ambiental) e a ação da empresa (derrubar uma árvore centenária) — ou seja, a ironia estrutural do caso, não um detalhe isolado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Uso social da linguagem/mídia: todo texto publicitário carrega uma função social pretendida (aqui, sensibilizar sobre preservação ambiental); a crítica do jornalista incide sobre o descompasso entre essa função pretendida e a prática real da empresa anunciante.
- Ironia situacional: ocorre quando um fato contradiz diretamente o discurso que o acompanha. Nesse texto, o outdoor que deveria promover a preservação da natureza foi viabilizado destruindo a natureza — a própria condição de existência da peça publicitária nega sua mensagem.
- Diferença entre fato-detalhe e fato-central: em textos jornalísticos, vários dados (valor da multa, declarações da empresa, posição de órgãos públicos) servem para contextualizar e comprovar a denúncia, mas o núcleo da crítica é sempre o fato definidor de todo o episódio — aqui, o corte da árvore para instalar a propaganda ambiental.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Uma criança abraça uma árvore com o sorriso no rosto. No fundo verde, uma mensagem exalta a importância da preservação da natureza" → descreve o conteúdo do outdoor: uma mensagem pró-natureza, positiva e apelativa.
- Evidência 2: "uma empresa de outdoor derrubou uma árvore centenária em um terreno para a instalação de suas placas" → revela o fato que gera o escândalo: a própria estrutura publicitária substituiu fisicamente a árvore que sua mensagem celebrava.
- Síntese: o título do texto já entrega a chave de leitura — "Árvore é cortada para dar lugar à propaganda sobre preservação ambiental". A crítica não está em nenhum detalhe jurídico ou factual isolado (multa, autorização, desculpa da empresa, imagem da criança), mas no paradoxo central: uma campanha que deveria defender árvores fez uma árvore centenária ser derrubada em seu próprio lugar.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fato-gatilho da notícia
O texto é construído em torno de um único episódio: uma empresa de outdoor cortou uma árvore centenária para instalar, naquele exato terreno, uma placa publicitária que fala sobre a importância de preservar a natureza. Esse é o fato que organiza toda a reportagem — os demais parágrafos (autorização, multa, declaração da empresa) são desdobramentos que comprovam e detalham esse fato principal, mas não o substituem.
Subpasso 4.2 — Localizar onde está a "crítica ao uso social do outdoor"
A pergunta não pede "o que a notícia informa", mas sim "por que o texto critica o uso social do outdoor". O uso social de um outdoor é comunicar uma mensagem à população. Nesse caso, o outdoor deveria comunicar preservação ambiental — só que sua própria instalação exigiu destruir o bem que ele dizia defender. A crítica, portanto, está na contradição entre o meio (destruir uma árvore) e o fim declarado (preservar árvores). Essa contradição só se sustenta em um fato: a árvore centenária foi derrubada exatamente para dar lugar à campanha ambiental.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação lógica
Se a árvore não tivesse sido derrubada para instalar a placa — se, por exemplo, o corte tivesse ocorrido por outro motivo, sem relação com a propaganda —, não haveria "infeliz coincidência" nem manchete, porque não existiria contradição alguma entre mensagem e ato. É exatamente a substituição da árvore pela campanha que cria o efeito de ironia que sustenta toda a crítica do texto. Isso confirma que o fato central é o descrito na alternativa D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) uma multa de R$ 100 a R$ 1000 ser aplicada por corte de árvore ou de planta.
❌ Incorreta: esse valor é uma informação complementar do último parágrafo, citada para mostrar a punição prevista em lei — mas é genérica (vale para qualquer corte de árvore) e não é a razão pela qual esse outdoor específico foi criticado.
B) a Secretaria do Meio Ambiente ter negado a autorização do corte da árvore.
❌ Incorreta: essa informação apenas reforça que a empresa mentiu (ou agiu ilegalmente) ao afirmar ter autorização. É um agravante jurídico do caso, não o fundamento da crítica ao "uso social do outdoor" em si — a crítica existiria mesmo que a autorização fosse verdadeira, pois o paradoxo entre mensagem e ato continuaria de pé.
C) a empresa informar que foi uma "infeliz coincidência" o corte da árvore.
❌ Incorreta: essa fala é a tentativa de defesa da empresa diante da crítica já existente — ou seja, é uma consequência da polêmica, não sua causa. Confundir esse item com o motivo da crítica é inverter causa e efeito.
D) uma campanha ambiental ter substituído uma árvore centenária.
✅ Correta: este é o núcleo do escândalo relatado pelo texto. A crítica ao uso social do outdoor decorre exatamente da contradição entre o discurso publicitário (preservação da natureza) e a prática que viabilizou esse discurso (destruição de uma árvore centenária para instalar a placa). É esse paradoxo, anunciado já no título, que dá sentido a toda a indignação relatada.
E) a empresa utilizar a imagem de uma criança na campanha.
❌ Incorreta: a imagem da criança abraçando a árvore é apenas a descrição do conteúdo visual do outdoor, um recurso publicitário comum para gerar empatia. Por si só, usar essa imagem não gera crítica alguma — o problema é o contexto em que ela foi usada (sobre o local de uma árvore recém-derrubada).
🏆 Gabarito: D — a crítica do texto nasce do contraste entre a mensagem pró-natureza do outdoor e o fato de que, para exibi-la, a empresa derrubou justamente uma árvore centenária, esvaziando de sentido a própria campanha.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que aponta o fato estruturante da notícia — a substituição física de uma árvore centenária por uma campanha que fala em preservá-la —, que é a fonte real da ironia e, portanto, da crítica do texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra, em Linguagens, a identificação do "efeito de sentido" ou da "crítica" de um texto jornalístico/publicitário, testando se o candidato sabe separar o fato central (motivo da crítica) de fatos periféricos (dados, declarações, punições) que apenas contextualizam a notícia.
- Generalização: em questões sobre "crítica" ou "ironia" em textos midiáticos, procure sempre o ponto de contradição entre discurso e prática — normalmente ele está anunciado no título ou no primeiro parágrafo, funcionando como a "chave de leitura" de todo o texto.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que citam apenas dados factuais isolados (valores, declarações oficiais, falas de defesa) sem relação direta de causa com o escândalo relatado — eles quase sempre são "ruído informativo", não o cerne da crítica.
- Conexões: este tipo de questão dialoga com o estudo de ironia e humor em charges e textos verbo-visuais e com linguagem publicitária e persuasão, temas recorrentes na prova de Linguagens do ENEM.
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