Mapa de questões · 2º dia
Questão 95 — ENEM 2016 PPL

Disponível em: www.e-faro.info. Acesso em: 19 nov. 2012 (adaptado).
A charge apresenta uma interpretação dos efeitos da crise econômica espanhola e questiona o(a)
A decisão política de salvar a moeda única europeia. B congelamento dos salários dos funcionários. C apatia da população em relação à política. D confiança dos cidadãos no sistema bancário. E plano do governo para salvar instituições financeiras.
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → Leitura e interpretação de charge (texto multimodal) sobre a crise econômica espanhola
- ⚡ Nível: Médio — a resposta certa não está em nenhuma frase isolada da charge, é preciso costurar os elementos verbais e visuais para chegar à crítica central
- 🎯 Tema/Habilidade: Compreensão crítica de gêneros textuais em língua estrangeira (charge) — competência de área de Linguagens que cobra reconhecer o posicionamento ideológico de um texto multimodal
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a charge, ao mostrar os efeitos da crise espanhola, está criticando de fato?"
- Palavras-chave decisivas: interpretación, efectos de la crisis, cuestiona
- Armadilha típica: parar a leitura nos efeitos superficiais da crise (cortes de salário, de pensões, de auxílios) e escolher uma alternativa que menciona apenas um desses efeitos isolados, sem perceber para onde esses cortes estão sendo direcionados
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato identificou o alvo real da crítica da charge — não o sofrimento da população em si, mas a lógica política por trás dele
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Charge como gênero argumentativo: usa recursos verbais (rótulos, balões de fala) e não verbais (desenho, expressão facial, disposição espacial) para construir uma crítica de forma condensada e muitas vezes irônica
- Léxico econômico em espanhol: sueldo (salário), jubilados (aposentados), ayudas (auxílios/subsídios sociais), rescate (resgate financeiro) — vocabulário-chave para decifrar o cenário retratado
- Contexto histórico (crise da dívida soberana europeia, 2008–2012): países como a Espanha usaram dinheiro público para socorrer bancos em dificuldade, ao mesmo tempo em que aplicavam medidas de austeridade sobre trabalhadores, aposentados e famílias — é exatamente esse paradoxo que a charge encena
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "FUNCIONARIOS: REDUCCIÓN DE SUELDO" / "JUBILADOS: BAJADA DE PENSIONES" / "FAMILIAS: SUPRESIÓN DE AYUDAS" → três grupos sociais diferentes estão sendo apresentados como sacrificados simultaneamente, cada um perdendo algo essencial (renda do trabalho, aposentadoria, apoio social)
- Evidência 2: os três "canos" que saem de cada grupo se unem em um único funil que desemboca em um recipiente com o rótulo "FONDO DE RESCATE PARA LOS BANCOS" → revela o destino final de todos esses cortes: não é para equilibrar as contas públicas de forma abstrata, é especificamente para capitalizar o resgate dos bancos
- Evidência 3: a pergunta "¿PERO TIENE ESTO SENTIDO?", posicionada ao lado da cena em que um homem despeja moedas no fundo de resgate enquanto uma figura bem-vestida observa com uma sacola de dinheiro → é o comentário crítico explícito do chargista, questionando a coerência/justiça dessa transferência de recursos
- Síntese: a charge constrói um fluxo visual direto — sacrifício da população (salários, pensões, auxílios) alimentando o fundo de resgate bancário — e fecha com uma pergunta retórica que denuncia essa lógica. O questionamento da charge, portanto, não é sobre um efeito isolado da crise, mas sobre a política de socorro às instituições financeiras às custas da população.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Mapear os elementos da parte superior da charge
Na parte de cima do desenho, três grupos são identificados com etiquetas claras: funcionários (redução de salário), aposentados (queda das pensões) e famílias (corte de auxílios). Isso mostra que a crise atinge camadas distintas da sociedade civil — trabalhadores ativos, inativos e o núcleo familiar — todos perdendo renda ou proteção social ao mesmo tempo.
Subpasso 4.2 — Interpretar o funil e o destino dos recursos
O elemento gráfico central é o funil: ele conecta visualmente cada perda individual a um único ponto de chegada, o "Fondo de Rescate para los Bancos". Esse recurso de charge (convergência de várias setas/canos em um só destino) é a chave de leitura: o chargista não está apenas listando problemas, está mostrando uma relação de causa e efeito — os cortes existem para financiar o resgate bancário. É esse nexo causal que sustenta a crítica.
Subpasso 4.3 — Verificação com a pergunta final
A frase "¿Pero tiene esto sentido?" confirma a leitura: o chargista questiona diretamente se faz sentido penalizar trabalhadores, aposentados e famílias para socorrer bancos. Cruzando essa pergunta com o funil, chega-se a uma única conclusão possível: a charge questiona o plano do governo de usar sacrifícios da população para salvar instituições financeiras — o que corresponde exatamente à alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) decisão política de salvar a moeda única europeia.
❌ Incorreta: o símbolo do euro aparece apenas como ícone genérico de dinheiro dentro do fundo de resgate; a charge não trata da preservação da moeda comum europeia como projeto político, e sim do destino de recursos arrecadados com cortes sociais.
B) congelamento dos salários dos funcionários.
❌ Incorreta: a charge fala em "reducción de sueldo" (redução), não em congelamento, e trata esse ponto apenas como um dos três efeitos apresentados — não é ele isoladamente que a charge questiona, mas o conjunto de sacrifícios direcionado ao resgate bancário.
C) apatia da população em relação à política.
❌ Incorreta: não há na charge nenhum indício de indiferença ou passividade popular; ao contrário, o próprio chargista assume uma postura ativa de crítica, o que é o oposto de apatia.
D) confiança dos cidadãos no sistema bancário.
❌ Incorreta: a charge não aborda a percepção ou o grau de confiança da população nos bancos; o foco está no fluxo de recursos imposto pelo governo, não em uma atitude subjetiva dos cidadãos.
E) plano do governo para salvar instituições financeiras.
✅ Correta: o funil que liga os cortes em salários, pensões e auxílios ao "fondo de rescate para los bancos", somado à pergunta "¿Pero tiene esto sentido?", evidencia que a charge questiona justamente a política/plano de usar sacrifícios sociais para socorrer bancos e demais instituições financeiras.
🏆 Gabarito: E — a charge conecta visualmente os cortes impostos a trabalhadores, aposentados e famílias ao fundo de resgate bancário, e a pergunta final questiona exatamente essa lógica: o plano do governo de salvar instituições financeiras às custas da população.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa E sintetiza a relação causal desenhada pela charge (sacrifício popular → resgate bancário), que é o verdadeiro alvo da crítica, e não um efeito isolado da crise.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz charges e cartuns sobre crises econômicas e políticas de austeridade, pedindo que o aluno identifique o posicionamento crítico do autor, não apenas os fatos retratados.
- Generalização: em questões de charge, o comando pede quase sempre "o que o texto questiona/critica" — a resposta certa nunca é um elemento isolado do desenho, mas a relação de causa e efeito ou a ironia construída entre as partes.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que citam apenas um "efeito" pontual mostrado no desenho (como salários ou pensões) sem mencionar o destino final dos recursos — a charge sempre aponta para uma conclusão, não para um dado isolado.
- Conexões: crise da dívida soberana europeia (2008–2012), políticas de austeridade fiscal, o conceito de bancos "grandes demais para quebrar" ("too big to fail").
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