Mapa de questões · 2º dia
Questão 101 — ENEM 2016 PPL
A palavra e a imagem têm o poder de criar e destruir, de prometer e negar. A publicidade se vale deste recurso linguístico-imagético como seu principal instrumento. Vende a ficção como o real, o normal como algo fantástico; transforma um carro em um símbolo de prestígio social, uma cerveja em uma loira bonita, e um cidadão comum num astro ou estrela, bastando tão somente utilizar o produto ou serviço divulgado. Assim , fazer o banal tornar-se o ideal é tarefa ordinária da linguagem publicitária. ALMEIDA, W. M. A linguagem publicitária e o estrangeirismo. Língua Portuguesa , n. 35, jan. 2012.
Alguns elementos linguísticos estabelecem relações entre as diferentes partes do texto. Nesse texto, o vocábulo “ Assim” (ℓ. 9) tem a função de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Coesão textual (função dos conectivos/operadores argumentativos)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar o conectivo à estrutura lógica do parágrafo, sem exigir conhecimento gramatical técnico
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da função coesiva de elementos linguísticos no texto (Competência de Área 1 — recursos linguísticos como estratégia de construção de sentido)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que papel o conectivo 'Assim' desempenha ao ligar a frase final às ideias anteriores do texto?"
- Palavras-chave decisivas: "Assim", "relações entre as diferentes partes do texto", "função"
- Armadilha típica: confundir o "assim" conclusivo/sintetizador com um "assim" de oposição (como se contrariasse o que foi dito) ou de adição (como se trouxesse um exemplo novo), ignorando que a frase que ele introduz é um resumo generalizante do que já foi exemplificado.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de perceber que o conectivo amarra o bloco de exemplos anteriores numa afirmação única e condensada, e não que introduz, contraria ou explica algo novo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Operadores argumentativos (conectivos): palavras ou expressões que articulam partes do texto, sinalizando a relação lógico-semântica entre elas (adição, oposição, causa, conclusão, síntese etc.). A leitura correta de um conectivo depende sempre do que vem antes e depois dele.
- Conclusão por síntese: um tipo específico de conclusão em que o conectivo não apenas fecha um raciocínio causal, mas recolhe várias ideias/exemplos espalhados no texto e os resume numa única formulação geral — é o efeito de "amarrar tudo o que foi dito numa frase só".
- Coesão sequencial: mecanismo que garante a progressão textual ligando orações, períodos e parágrafos entre si; "assim" atua aqui como elo sequencial entre o parágrafo de exemplos e a conclusão do texto.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "transforma um carro em um símbolo de prestígio social, uma cerveja em uma loira bonita, e um cidadão comum num astro ou estrela" → o texto apresenta três exemplos concretos e paralelos de como a publicidade transforma o banal em algo idealizado.
- Evidência 2: "Assim, fazer o banal tornar-se o ideal é tarefa ordinária da linguagem publicitária." → após os exemplos, o texto formula uma afirmação geral que resume, em uma frase só, o padrão comum a todos eles.
- Síntese: o "Assim" da linha 9 não introduz informação nova nem contraria o que veio antes: ele recolhe o conjunto de exemplos (carro, cerveja, cidadão comum) e os condensa na generalização final — "fazer o banal tornar-se o ideal" —, funcionando como uma síntese conclusiva do argumento desenvolvido até ali.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Mapeando a arquitetura do parágrafo
O texto se organiza em três movimentos: (1) uma tese inicial sobre o poder da palavra e da imagem ("têm o poder de criar e destruir, de prometer e negar"); (2) uma sequência de exemplificações concretas de como a publicidade usa esse poder (carro→prestígio, cerveja→loira bonita, cidadão comum→astro); e (3) uma frase de fechamento, iniciada por "Assim", que generaliza o que os exemplos ilustraram. Entender essa arquitetura é o primeiro passo para classificar corretamente o conectivo, pois sua função só se revela quando comparamos o que vem antes (os exemplos) com o que vem depois (a generalização).
Subpasso 4.2 — Testando o valor semântico de "Assim"
Em português, "assim" pode assumir valores distintos conforme o contexto: (a) valor modal, equivalente a "dessa maneira"; (b) valor conclusivo/consecutivo, equivalente a "portanto", "deste modo", "logo". Para saber qual valor está em jogo, substituímos mentalmente o conectivo por seus equivalentes e observamos qual mantém o sentido: "Portanto, fazer o banal tornar-se o ideal é tarefa ordinária da linguagem publicitária" — a substituição funciona perfeitamente, confirmando o valor conclusivo. Mas é preciso ir além: essa conclusão não decorre de uma relação de causa e efeito isolada (não há um "porque" implícito), e sim do acúmulo de três exemplos anteriores que são resumidos numa única ideia-síntese. É esse duplo movimento — retomar múltiplas informações e condensá-las — que caracteriza a síntese, distinguindo-a de uma conclusão causal simples.
Subpasso 4.3 — Verificação
Reconstituindo o raciocínio do autor: ele expôs a tese (o poder da linguagem publicitária), ilustrou-a com três casos concretos e, com "Assim", fechou o parágrafo resumindo o que todos os casos têm em comum — transformar o banal em ideal. Essa leitura corresponde exatamente à alternativa que descreve o conectivo como recurso de síntese das informações anteriores, confirmando que a resposta é a letra B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) contrariar os argumentos anteriores.
❌ Incorreta: contrariar exigiria um conectivo adversativo, como "mas", "porém" ou "no entanto", sinalizando uma oposição de ideias. A frase final não nega nem contesta os exemplos dados — ela os confirma e resume, mantendo total coerência com o que veio antes.
B) sintetizar as informações anteriores.
✅ Correta: "Assim" retoma o conjunto de exemplos (carro, cerveja, cidadão comum) e os condensa em uma única formulação geral — "fazer o banal tornar-se o ideal é tarefa ordinária da linguagem publicitária" —, exercendo exatamente a função de síntese conclusiva do raciocínio desenvolvido no parágrafo.
C) acrescentar um novo argumento.
❌ Incorreta: acrescentar um argumento novo pediria conectivos aditivos, como "além disso" ou "também", introduzindo informação inédita. A frase com "Assim" não traz um exemplo ou dado novo; ela apenas reformula, de modo condensado, o que os exemplos anteriores já haviam demonstrado.
D) introduzir uma explicação.
❌ Incorreta: uma explicação seria marcada por conectivos explicativos/causais, como "pois", "porque" ou "já que", respondendo a um "por quê". O "Assim" não explica a causa de algo dito antes — ele resume o efeito conjunto dos exemplos já apresentados.
E) apresentar uma analogia.
❌ Incorreta: uma analogia estabeleceria uma comparação entre duas situações distintas por semelhança, geralmente marcada por expressões como "assim como" ou "da mesma forma que". Aqui não há comparação entre dois planos diferentes; há apenas o fechamento resumido de uma mesma linha de raciocínio.
🏆 Gabarito: B — o conectivo "Assim" recolhe os exemplos anteriores (carro, cerveja, cidadão comum) e os resume em uma única afirmação geral sobre a linguagem publicitária, caracterizando uma função de síntese textual.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a letra B descreve com precisão o movimento textual observado: condensar várias informações já dadas numa conclusão única, sem contradição, sem novidade e sem comparação.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente testa a função de conectivos ("assim", "portanto", "porém", "além disso", "pois") pedindo que o candidato identifique a relação lógico-semântica que eles estabelecem entre partes do texto — é um dos temas mais frequentes da prova de Linguagens.
- Generalização: para classificar qualquer conectivo, sempre compare a informação que vem ANTES dele com a que vem DEPOIS; a relação entre essas duas partes (oposição, adição, causa, síntese, comparação) é que define a função do elemento coesivo, nunca seu significado isolado.
- Dica de eliminação rápida: teste mentalmente a substituição do conectivo por sinônimos de cada categoria ("mas" para oposição, "além disso" para adição, "pois" para explicação, "assim como" para analogia); se nenhum couber tão bem quanto "portanto/em suma", a resposta aponta para síntese/conclusão.
- Conexões: este tema dialoga com "operadores argumentativos" e com "coesão e coerência textual", frequentes tanto em questões de interpretação quanto em propostas de redação que exigem uso adequado de conectivos para articular parágrafos.
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