Mapa de questões · 2º dia
Questão 130 — ENEM 2016 PPL
É viajando pelo mundo que os dois profissionais do Living Tongues Institute for Endangered Languages reúnem subsídios para formar os chamados “dicionários falantes” de idiomas em fase de extinção, com poucos falantes no planeta. “A maioria das línguas do mundo é oral, o que significa que não estão escritas ou seus falantes não costumam escrevê-las. E, apesar de os projetos tradicionais dos linguistas serem os de escrever gramáticas e dicionários, gostamos de pensar em línguas vivas, e saber que as pessoas as estão falando. Então, se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi com isso em mente que criamos os dicionários para oito de algumas
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto jornalístico/entrevista, identificação de propósito comunicativo
- ⚡ Nível: Médio — a questão exige perceber uma inversão sutil (escrita x oralidade) que os distratores exploram diretamente
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a tese central defendida por um texto argumentativo-informativo (habilidade de identificar a finalidade discursiva de um depoimento)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a ideia central que o texto defende sobre os dicionários falantes criados pelo Living Tongues Institute?"
- Palavras-chave decisivas: dicionários falantes, línguas vivas, ouvir
- Armadilha típica: confundir "línguas em fase de extinção, com poucos falantes" (línguas ainda vivas, porém ameaçadas) com "línguas extintas" (já mortas, sem falantes) — e inverter o par oralidade/escrita que o texto contrasta.
- O que a resposta precisa demonstrar: captar que a fala da pesquisadora contrapõe o método tradicional dos linguistas (escrever gramáticas e dicionários) ao novo projeto (dicionários que podem ser OUVIDOS), valorizando a oralidade como forma legítima de preservação linguística.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Gênero entrevista/depoimento: o trecho reproduz a fala direta, entre aspas, de uma pesquisadora; nesse gênero, o propósito do texto costuma coincidir com a tese de quem fala.
- Conector de contraste "apesar de": sinaliza oposição entre o que "os projetos tradicionais" fazem (escrever) e o que a equipe "gosta de pensar" (línguas vivas, faladas) — chave interpretativa da questão.
- Tradição oral como patrimônio linguístico: línguas sem escrita consolidada não são "menores"; sua vitalidade se mede pela fala, não pelo registro gráfico.
- Línguas em risco x línguas extintas: risco de extinção pressupõe falantes vivos ainda hoje; língua extinta não tem mais falantes — "reconstituir" é processo diferente do documentado no texto.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "A maioria das línguas do mundo é oral, o que significa que não estão escritas ou seus falantes não costumam escrevê-las" → o texto assume, de saída, que a oralidade é a condição natural da maior parte das línguas — não um "problema" a ser corrigido pela escrita.
- Evidência 2: "apesar de os projetos tradicionais dos linguistas serem os de escrever gramáticas e dicionários, gostamos de pensar em línguas vivas, e saber que as pessoas as estão falando" → marca explícita de contraste: a autora se afasta do paradigma da escrita e reafirma o valor da língua falada/viva.
- Evidência 3: "se você vai a um dicionário, deve ser capaz de ouvi-lo. Foi com isso em mente que criamos os dicionários [falantes]" → o produto criado (dicionário sonoro) é a materialização prática da tese: preservar ouvindo, não apenas escrevendo.
- Síntese: as três evidências convergem para a mesma ideia — o texto não quer só informar que há línguas ameaçadas; quer confirmar (ratificar) que a oralidade, e não apenas o registro escrito, é um caminho eficaz de preservação linguística.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identifique quem fala e o que está sendo defendido
O trecho é uma citação direta de uma pesquisadora do Living Tongues Institute for Endangered Languages. Em textos de entrevista, a pergunta "qual é o propósito do texto" quase sempre se resolve encontrando a tese explícita de quem fala — aqui ela aparece de forma quase didática, com um conector de oposição bem marcado ("apesar de... gostamos de pensar...").
Subpasso 4.2 — Isole o contraste central
De um lado: "projetos tradicionais dos linguistas" = escrever gramáticas e dicionários (registro gráfico). De outro: o que a equipe efetivamente valoriza e pratica = línguas vivas, faladas, ouvíveis. O texto não nega a importância de documentar as línguas — ele desloca o eixo dessa documentação da escrita para o som. É esse deslocamento que a alternativa correta precisa capturar.
Subpasso 4.3 — Verificação com o produto concreto citado
A prova final está na própria criação dos "dicionários falantes": um dicionário que se ouve, não apenas se lê. Isso comprova, na prática, que a oralidade é tratada como instrumento válido de preservação. Confrontando esse resultado com as cinco alternativas, apenas uma afirma exatamente isso — as demais erram ao trocar "línguas ameaçadas" por "línguas extintas" ou ao inverter oralidade por escrita, como o Passo 5 detalha alternativa por alternativa.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) destacar a importância desse tipo de iniciativa para a reconstituição de línguas extintas.
❌ Incorreta: erro de referente. O texto fala em línguas "em fase de extinção, com poucos falantes" — ou seja, línguas ainda vivas e ameaçadas, não línguas já extintas. "Reconstituir" pressupõe uma língua morta, sem falantes; o projeto descrito documenta línguas com falantes ativos, justamente para evitar que cheguem à extinção.
B) ratificar a tradição oral como instrumento de preservação das línguas no mundo.
✅ Correta: sintetiza com precisão o contraste explicitado pela entrevistada — "gostamos de pensar em línguas vivas... deve ser capaz de ouvi-lo" — confirmando que a fala, e não apenas a escrita, é meio legítimo e eficaz de preservação linguística, ideia materializada nos "dicionários falantes".
C) demonstrar a existência de registros linguísticos sob risco de desaparecer.
❌ Incorreta: erro de foco. O texto não tem como objetivo comprovar que existem registros ameaçados (isso é pressuposto, não tese); seu objetivo é defender COMO esses registros devem ser feitos — por meio do som, valorizando a oralidade —, e não apenas atestar a existência do risco.
D) preservar a memória cultural de um povo por meio de registros escritos.
❌ Incorreta: inversão direta do sentido do texto. A fala citada se contrapõe explicitamente aos "projetos tradicionais... de escrever gramáticas e dicionários"; a proposta defendida é o oposto — preservar por meio do registro sonoro/oral, não do escrito.
E) estimular projetos voltados para a escrita de gramáticas e dicionários.
❌ Incorreta: repete o mesmo equívoco de D. Escrever gramáticas e dicionários é descrito como o modelo "tradicional", do qual a entrevistada se distancia explicitamente ao afirmar preferência pelas línguas "vivas" e "ouvíveis". O texto não estimula esse modelo — ele o relativiza.
🏆 Gabarito: B — o texto ratifica a tradição oral como instrumento de preservação linguística, pois contrapõe o método tradicional da escrita ao projeto dos "dicionários falantes", que devem poder ser ouvidos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa B respeita, ao mesmo tempo, o referente correto (línguas ameaçadas, não extintas) e o sentido correto do contraste oralidade/escrita do depoimento.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra, em entrevistas ou depoimentos no eixo linguagens, a identificação da tese de quem fala — geralmente marcada por conectores de contraste ("apesar de", "mas", "no entanto").
- Generalização: quando o texto citar um método "tradicional" seguido de contraste com o que o entrevistado realmente defende, a resposta correta estará do lado do que vem DEPOIS do conector de oposição.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas com "línguas extintas" (o texto trata de línguas ainda faladas, mas ameaçadas) e alternativas que promovam a escrita como solução central.
- Conexões: compare com questões sobre variação linguística e preconceito linguístico e com textos sobre patrimônio imaterial, que tratam línguas faladas como patrimônio cultural a preservar independentemente do registro escrito.
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