Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 119ENEM 2016 PPL

Pedra sobre pedra

Algumas fazendas gaúchas ainda preservam as taipas, muros de pedra para cercar o gado. Um tipo de cerca primitiva. Não há nada que prenda uma pedra na outra, cuidadosamente empilhadas com altura de até um metro. Engenharia simples que já dura 300 anos. A mesma técnica usada no mangueirão, uma espécie de curral onde os animais ficavam confinados à noite. As taipas são atribuídas aos jesuítas. O objetivo era domar o gado xucro solto nos campos pelos colonizadores espanhóis.

FERRI, M. Revista Terra da Gente , n. 96, abr. 2012.

Um texto pode combinar diferentes funções de linguagem. Exemplo disso é Pedra sobre pedra , que se vale da função referencial e da metalinguística. A metalinguagem é estabelecida

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Funções da Linguagem (referencial e metalinguística)
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer, dentro do próprio texto, o mecanismo linguístico exato que comprova a metalinguagem, distinguindo-o de recursos parecidos como adjetivação, tempo verbal e impessoalidade.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Funções da linguagem (referencial e metalinguística) — reconhecimento de usos da língua em diferentes situações de comunicação (Competência de Área 1, Linguagens e Códigos).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual mecanismo linguístico do texto comprova a função metalinguística, somada à função referencial já identificada?"
  • Palavras-chave decisivas: metalinguística, função referencial, é estabelecida
  • Armadilha típica: confundir metalinguagem com qualquer traço estilístico — adjetivos, tempos verbais, pessoa gramatical. Metalinguagem é a linguagem que toma a si mesma como objeto, explicando ou definindo um código.
  • O que a resposta precisa demonstrar: o trecho exato em que o texto usa a língua para explicar o significado de um termo do próprio texto — assinatura inequívoca da metalinguagem.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Função referencial (denotativa): centrada no contexto/realidade; linguagem objetiva que relata fatos verificáveis — predominante em reportagens, como a da questão.
  • Função metalinguística: ocorre quando a linguagem explica, define ou comenta o próprio código — dicionários, glossários e explicações de gírias/regionalismos são exemplos clássicos.
  • Função emotiva/expressiva: marca a subjetividade do emissor, geralmente por adjetivos avaliativos — não é o fenômeno cobrado, mas serve de distrator.
  • Intertextualidade: diálogo entre textos (citação, alusão, paródia) — fenômeno diferente de metalinguagem, embora possam coexistir.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "as taipas, muros de pedra para cercar o gado" → logo após o termo regional "taipas" — pouco conhecido fora do contexto gaúcho —, o texto insere uma explicação do que ele significa: a língua explicando a própria língua.
  • Evidência 2: "no mangueirão, uma espécie de curral onde os animais ficavam confinados à noite" → mesmo mecanismo se repete: o termo técnico "mangueirão" é imediatamente glosado, definido dentro da própria frase, em aposto.
  • Síntese: as duas ocorrências formam um padrão consistente — termo específico seguido de definição explicativa. Esse padrão é a prova textual da função metalinguística. Ao mesmo tempo, o texto relata fatos históricos e geográficos (origem jesuítica, "300 anos" de uso, domesticação do gado xucro), mantendo ativa a função referencial que o comando já atribui ao texto.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a estrutura de aposto explicativo

Nas duas ocorrências relevantes, a construção sintática se repete: [termo específico] + vírgula + [explicação em aposto]. Veja: "as taipas, muros de pedra para cercar o gado" e "o mangueirão, uma espécie de curral onde os animais ficavam confinados à noite". Esse aposto não acrescenta opinião nem informação factual nova sobre o mundo exterior ao texto — ele traduz e define uma palavra para o leitor, exatamente como faz um verbete de dicionário. Essa é, por definição, a função metalinguística: a linguagem comentando a própria linguagem.

Subpasso 4.2 — Confirmar a coexistência das duas funções citadas no enunciado

Além de definir os termos regionais, o texto informa fatos verificáveis: a técnica é atribuída aos jesuítas, tem "300 anos" de existência, servia para "domar o gado xucro solto nos campos pelos colonizadores espanhóis". Isso caracteriza a função referencial. As duas funções operam lado a lado: enquanto informa (referencial), o texto ensina o vocabulário regional ao leitor (metalinguística) — exatamente a combinação que o comando descreve ao dizer que "um texto pode combinar diferentes funções de linguagem".

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando a alternativa D: "taipa" é definida como "muros de pedra para cercar o gado"; "mangueirão", como "uma espécie de curral... onde os animais ficavam confinados à noite". Ambas as definições aparecem entre vírgulas, logo após o termo, no formato canônico da metalinguagem. Nenhuma outra alternativa aponta um mecanismo de "linguagem explicando linguagem" — resultado compatível com o gabarito D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) por tempos verbais articulados no presente e no pretérito.

❌ Incorreta: a alternância verbal (por exemplo, "preservam" no presente e "ficavam" no pretérito) marca a contextualização temporal dos fatos relatados — traço típico da função referencial —, mas não define nem comenta o significado de nenhuma palavra. Tempo verbal não é mecanismo de metalinguagem.

B) pelas frases simples e referência ao ditado "não ficará pedra sobre pedra".

❌ Incorreta: o título "Pedra sobre pedra" pode até dialogar com essa expressão de origem bíblica, mas isso configura intertextualidade (diálogo entre textos), um fenômeno diferente da metalinguagem. Além disso, "frases simples" é um traço de sintaxe/estilo, não de linguagem-sobre-linguagem.

C) pela linguagem impessoal e objetiva, marcada pela terceira pessoa.

❌ Incorreta: impessoalidade e uso da terceira pessoa são marcas típicas da função referencial — justamente a função que o enunciado já identifica como presente no texto e que se soma à metalinguística, não a função que constitui a metalinguagem em si.

D) pela definição de termos como "taipa" e "mangueirão".

✅ Correta: o texto explica, em aposto, o significado de dois termos regionais — "taipa" ("muros de pedra para cercar o gado") e "mangueirão" ("uma espécie de curral... onde os animais ficavam confinados à noite") —, usando a própria língua para comentar e definir a língua. Essa é a essência da função metalinguística.

E) por adjetivos como "primitivas" e "simples", indicando o ponto de vista do autor.

❌ Incorreta: adjetivos avaliativos que revelam o ponto de vista de quem escreve (como em "cerca primitiva" e "engenharia simples") são marca da função emotiva/expressiva — eles expressam uma opinião do autor, não definem termos nem comentam o código linguístico.

🏆 Gabarito: D — a metalinguagem se comprova pela definição explícita de "taipa" e "mangueirão", termos regionais explicados dentro do próprio corpo do texto, mecanismo que nenhuma outra alternativa descreve corretamente.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que descreve um mecanismo real de "linguagem explicando linguagem" — a definição de vocábulos regionais dentro do próprio texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar funções da linguagem pedindo que o aluno localize, num texto concreto, a marca linguística que comprova a função citada — raramente pergunta a função "no vácuo", sempre ancorada em evidência textual.
  • Generalização: sempre que um texto usar um termo técnico, gíria ou regionalismo e, na sequência, explicá-lo — por aposto, parênteses, "isto é", "ou seja" —, há função metalinguística ativa.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas sobre tempo verbal, pessoa gramatical ou adjetivação subjetiva quando o enunciado pedir "metalinguagem" — são traços de função referencial ou emotiva, nunca de metalinguagem.
  • Conexões: compare com função poética (foco na forma da mensagem, comum em poemas e propagandas) e função fática (contato entre emissor e receptor, comum em diálogos e cartas).

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.