Mapa de questões · 2º dia
Questão 120 — ENEM 2016 PPL
ENEM 2016 terceira aplicação
Revolução digital cria a era do leitor-sujeito
Foi-se uma vez um leitor. Com a revolução digital, quem lê passa a ter voz no processo de leitura. "Até outro dia, as críticas literárias eram exclusividade de um grupo fechado, assim como em tantas outras áreas. Agora, temos grupos que conversam, trocam, se manifestam em tempo real, recomendam ou desaprovam, trocam ideias com os autores, participam ativamente da construção de obras literárias coletivas. Isso é um jeito novo de pensar a escrita, de construir memória e o próprio conhecimento", analisa uma professora de comunicação da PUC-MG.
A secretária Fabiana Araújo, 32, é uma "leitora-sujeito", como Daniela chama esses novos atores do universo da leitura. Leitora assídua desde o final da adolescência, quando foi seduzida pela série Harry Potter, só neste ano já leu mais de 30 títulos. Suas leituras não costumam terminar quando fecha um livro. Fabiana escreve resenhas de títulos como "Estilhaça-me", romance fantástico na linha de "Crepúsculo", publicadas em um blog com o qual foi convidada a colaborar. "Escrever sobre um livro é uma forma de relê-lo. E conversar, pessoal ou virtualmente, com outros leitores também", defende.
FANTINI, D. Jornal Pampulha, n.1138, mai.2012. Adaptado.
As sequências textuais "Até outro dia" e "agora" auxiliam a progressão temática do texto, pois delimitam
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto jornalístico e coesão textual (marcadores temporais)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer que uma oposição lexical simples ("até outro dia" vs. "agora") funciona como marcador de tempo, e não apenas como detalhe estilístico da fala.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de recursos coesivos que organizam a progressão textual — competência de leitura e análise crítica de textos que circulam em diferentes suportes (H5/H6, área de Linguagens).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a oposição entre as expressões 'até outro dia' e 'agora', usadas na fala da professora, evidencia sobre a forma como o texto organiza a informação?"
- Palavras-chave decisivas: até outro dia, agora, leitor-sujeito
- Armadilha típica: tentar ligar as duas expressões a características das pessoas envolvidas (idade, perfil social) em vez de perceber que elas marcam tempo — um "antes" e um "depois".
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato identifica o valor temporal-comparativo das expressões, e não um valor social, etário ou geográfico.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Marcadores temporais (advérbios/locuções adverbiais de tempo): palavras ou expressões que situam um fato no eixo cronológico, permitindo ao leitor localizar "quando" algo ocorria e "quando" passou a ocorrer de outra forma.
- Coesão textual por contraste: recurso linguístico em que dois elementos são colocados lado a lado justamente para acentuar a diferença entre eles, reforçando o argumento central do texto (aqui, a mudança trazida pela revolução digital).
- Estrutura de notícia/reportagem com depoimento: o texto é construído em torno de uma tese do título ("Revolução digital cria a era do leitor-sujeito") e usa a fala de uma especialista para sustentar essa tese com um "antes x depois".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Até outro dia, as críticas literárias eram exclusividade de um grupo fechado" → situa um estado de coisas no passado, anterior à mudança que o texto anuncia.
- Evidência 2: "Agora, temos grupos que conversam, trocam, se manifestam em tempo real, recomendam ou desaprovam, trocam ideias com os autores" → situa um novo estado de coisas no presente, resultado direto da revolução digital citada no título.
- Síntese: as duas expressões não falam sobre quem participa (perfil, idade, território), mas sobre quando cada situação acontecia — uma antes da revolução digital, outra depois dela. É exatamente esse recorte temporal que estrutura toda a fala da professora e prepara o leitor para o exemplo de Fabiana Araújo, apresentado na sequência como prova viva desse "depois".
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a função sintático-semântica das expressões
"Até outro dia" e "agora" são, gramaticalmente, marcadores temporais: o primeiro indica um período que se encerrou ("até" marca limite) e o segundo indica o momento presente, em curso. Isso já elimina, de saída, qualquer leitura que associe essas expressões a características das pessoas (perfil social, idade) ou a espaço geográfico — elas não dizem quem nem onde, dizem quando.
Subpasso 4.2 — Conectar o marcador temporal ao tema do texto
O título do texto é "Revolução digital cria a era do leitor-sujeito". Uma revolução é, por definição, um ponto de ruptura entre um "antes" e um "depois". Ao usar "até outro dia" para descrever a leitura fechada, elitizada, e "agora" para descrever a leitura coletiva, interativa, a professora está desenhando exatamente essa ruptura: ela nomeia o período pré-revolução digital (crítica literária restrita a um grupo fechado) e o período pós-revolução digital (leitores que conversam, recomendam, interagem com autores). A oposição lexical é o recurso coesivo escolhido para tornar essa ruptura temporal visível ao leitor em poucas palavras.
Subpasso 4.3 — Verificação
Se a resposta certa fosse sobre perfil social (A), o texto precisaria contrastar classes, formações ou grupos sociais distintos — não é o caso, pois ambos os momentos falam do mesmo tipo de atividade (ler e comentar literatura), apenas em épocas diferentes. Se fosse sobre limite etário (B), haveria menção a faixas de idade — não há. Se fosse sobre rapidez/urgência (D), o foco estaria na velocidade do processo, mas o trecho descreve o que mudou, não quão rápido mudou. Se fosse sobre alcance territorial (E), precisaríamos de referências a lugares, fronteiras ou distâncias — inexistentes no trecho. Restando, por eliminação e por confirmação positiva do conteúdo, a opção que fala em "períodos pré e pós revolução digital": a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) o perfil social dos envolvidos na revolução digital.
❌ Incorreta: as expressões "até outro dia" e "agora" não descrevem quem são os leitores (classe, formação, grupo social) — descrevem quando cada modo de ler e comentar literatura acontecia. O texto até cita uma leitora (Fabiana), mas isso vem depois, como exemplo, e não é o que as duas expressões temporais marcam.
B) o limite etário dos promotores da revolução digital.
❌ Incorreta: não há, nesse trecho, nenhuma referência a idade dos "leitores-sujeito" ou dos promotores da mudança. A idade de Fabiana (32 anos) aparece só no parágrafo seguinte, como dado biográfico, sem relação com a oposição "até outro dia"/"agora".
C) os períodos pré e pós revolução digital.
✅ Correta: "até outro dia" nomeia o período anterior à revolução digital (crítica literária fechada, exclusiva) e "agora" nomeia o período posterior a ela (leitura coletiva, interativa, colaborativa). A oposição temporal é exatamente o recurso que a professora usa para evidenciar a transformação anunciada no título da reportagem.
D) a urgência e a rapidez da revolução digital.
❌ Incorreta: o trecho não fala sobre velocidade de mudança nem sugere pressa — ele descreve o que existia antes e o que existe agora, comparando estados, não ritmos ou urgências.
E) o alcance territorial da leitura digital.
❌ Incorreta: não há qualquer menção a espaço, região, país ou fronteira nesse trecho; "até outro dia" e "agora" são marcadores de tempo, não de lugar.
🏆 Gabarito: C — as expressões "até outro dia" e "agora" funcionam como marcadores temporais que delimitam, na fala da professora, o momento anterior e o momento posterior à revolução digital, evidenciando os períodos pré e pós essa transformação na forma de ler e comentar literatura.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa C nomeia corretamente a função das expressões destacadas — marcar tempo, criando um "antes" (crítica fechada) e um "depois" (leitura coletiva e interativa) da revolução digital.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a questões que pedem a função de um recurso coesivo (advérbio, locução, conjunção) dentro de um texto jornalístico ou de divulgação, sempre testando se o candidato entende o que aquele recurso está organizando no discurso, não apenas o que ele significa isoladamente.
- Generalização: sempre que a questão isolar duas expressões do texto e perguntar "o que elas evidenciam", verifique primeiro a classe gramatical/função delas (tempo, lugar, causa, comparação etc.) — a resposta certa quase sempre reflete exatamente essa função, aplicada ao tema central do texto.
- Dica de eliminação rápida: leia as alternativas e pergunte "essa opção fala de gente (quem), lugar (onde) ou tempo (quando)?". Como "até outro dia" e "agora" são claramente marcadores de tempo, elimine de cara as alternativas sobre perfil social, idade e território (A, B, E), restando apenas C e D para comparar.
- Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre conectivos e advérbios de tempo em textos narrativos e jornalísticos, e ao tema mais amplo de letramento digital e novas práticas de leitura (crossover com Sociologia, ao discutir cultura participativa e redes sociais).
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