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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 125ENEM 2016 PPL

O adolescente

A vida é tão bela que chega a dar medo.

Não o medo que paralisa e gela, estátua súbita, mas

esse medo fascinante e fremente de curiosidade [que faz o jovem felino seguir para frente farejando o vento ao sair, a primeira vez, da gruta.

Medo que ofusca: luz!

Cumplicentemente, as folhas contam-te um segredo velho como o mundo:

Adolescente, olha! A vida é nova... A vida é nova e anda nua – vestida apenas com o teu desejo!

QUINTANA, M. Nariz de vidro . São Paulo: Moderna, 1998.

Ao abordar uma etapa do desenvolvimento humano, o poema mobiliza diferentes estratégias de composição. O principal recurso expressivo empregado para a construção de uma imagem da adolescência é a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Figuras de Linguagem (leitura e interpretação de texto poético)
  • ⚡ Nível: Médio — o poema reúne várias figuras de linguagem simultâneas, e o candidato precisa distinguir qual delas realmente estrutura a imagem central da adolescência, não apenas um detalhe pontual de um único verso.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de recursos expressivos (personificação) na construção de sentido de um texto literário — competência de leitura e análise de linguagem figurada em Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual figura de linguagem sustenta, do início ao fim do poema, a imagem construída sobre a adolescência?"
  • Palavras-chave decisivas: principal recurso expressivo, construção de uma imagem da adolescência, estratégias de composição
  • Armadilha típica: o poema é riquíssimo em figuras (metáfora do "jovem felino", metáfora da "estátua súbita", comparação "velho como o mundo"), e o candidato apressado marca a primeira figura reconhecível — geralmente a metáfora da estátua (B) — sem perceber que ela descreve um tipo de medo que o eu lírico rejeita, e não a imagem central da adolescência.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de separar figuras pontuais (que aparecem em um único verso) da figura estruturante, aquela que aparece no verso-síntese e dá unidade a todo o poema.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Personificação (prosopopeia): atribuir a seres inanimados, abstratos ou não humanos ações, sentimentos ou comportamentos próprios de pessoas. É a figura que "dá vida" a algo que não a possui.
  • Metáfora: comparação implícita entre dois elementos, sem conectivo, baseada em uma semelhança sugerida (ex.: chamar o medo de "estátua súbita").
  • Comparação (símile): aproximação explícita entre dois termos por meio de conectivo comparativo, como "como", "tal qual", "semelhante a".
  • Hipérbole: exagero deliberado usado para intensificar uma ideia ou sentimento.
  • Antítese: aproximação de termos ou ideias de sentido oposto para gerar contraste expressivo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz o jovem felino seguir para frente" → metáfora que compara o adolescente a um filhote de animal selvagem explorando o mundo; reforça a curiosidade, mas é um recurso local, restrito a esse trecho.
  • Evidência 2: "A vida é nova... A vida é nova e anda nua – vestida apenas com o teu desejo!" → verso final e ápice do poema: a "vida" recebe ações e estados tipicamente humanos — "anda", está "nua", está "vestida" — ou seja, um conceito abstrato é tratado como um ser animado.
  • Síntese: o poema caminha inteiro em direção a esse verso-síntese, no qual a vida é personificada como uma figura que se desnuda diante do adolescente. É essa personificação — não as metáforas pontuais do medo ou do felino — que constrói a imagem central da adolescência como descoberta, exposição e despertar do desejo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear todas as figuras de linguagem do poema

Percorrendo o texto verso a verso: "medo que paralisa e gela, estátua súbita" é uma metáfora do medo paralisante; "o jovem felino" é uma metáfora do adolescente; "as folhas contam-te um segredo" já esboça uma personificação (folhas "contam"); "um segredo velho como o mundo" é uma comparação, marcada pelo conectivo "como"; e, por fim, "a vida é nova e anda nua – vestida apenas com o teu desejo" atribui à vida ações humanas de andar, estar nua e estar vestida.

Subpasso 4.2 — Isolar o recurso que estrutura a imagem central da adolescência

A pergunta não pede "uma" figura qualquer presente no texto, mas o recurso principal, aquele que constrói a imagem da adolescência como um todo. Note que o medo-estátua é explicitamente descartado pelo eu lírico ("Não o medo que paralisa e gela... mas esse medo fascinante"): essa metáfora descreve o que a adolescência não é. Já a personificação da vida aparece no verso final, que funciona como síntese de todo o poema: a vida se torna uma presença viva, que se revela ("nova"), se expõe ("nua") e se cobre apenas com o desejo do próprio adolescente. É esse recurso que dá corpo à ideia de que a adolescência é o momento em que a vida "se apresenta" ao jovem como algo novo, quase palpável, sedutor e ainda desconhecido.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confirmando contra as alternativas: a hipérbole (A) e a comparação (E) não correspondem a nenhuma figura predominante no eixo do poema; a metáfora da estátua (B) é pontual e negativa; a antítese juventude/velhice (D) não existe no texto — o "velho" qualifica o segredo, não uma oposição entre fases da vida. Resta a personificação da vida (C), coerente com o verso-síntese que fecha e resume o poema. A resolução converge, portanto, para a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) hipérbole do medo.

❌ Incorreta: não há exagero deliberado sobre o medo no poema — pelo contrário, o eu lírico distingue com precisão dois tipos de medo (o que paralisa e o que fascina). Não se trata de intensificação retórica, mas de uma distinção conceitual entre sensações. Além disso, o medo é apenas o gatilho emocional inicial do poema, não o recurso usado para construir a imagem da adolescência como um todo.

B) metáfora da estátua.

❌ Incorreta: a metáfora "estátua súbita" existe, mas descreve o medo que paralisa — exatamente o tipo de medo que o eu lírico rejeita como característico da adolescência ("Não o medo que paralisa e gela... mas esse medo fascinante"). É um recurso pontual e usado por contraste, não o que efetivamente constrói a imagem positiva da adolescência que o poema apresenta.

C) personificação da vida.

✅ Correta: ao longo do poema, e principalmente no verso final, a vida é tratada como um ser animado — capaz de ser "nova", de "andar nua" e de estar "vestida apenas com o teu desejo". Essa atribuição de ações e estados humanos a um conceito abstrato é a personificação, e é esse recurso que sustenta e unifica a imagem central do poema: a adolescência como o momento em que a vida se revela, viva e sedutora, diante do jovem.

D) antítese entre juventude e velhice.

❌ Incorreta: não há contraposição entre juventude e velhice no poema. A expressão "um segredo velho como o mundo" qualifica a antiguidade e a universalidade do segredo revelado (o despertar do desejo), e não estabelece uma oposição valorativa entre ser jovem e ser velho.

E) comparação entre desejo e nudez.

❌ Incorreta: não há conectivo comparativo relacionando desejo e nudez. O que o poema apresenta é a ideia de que a vida "anda nua – vestida apenas com o teu desejo", ou seja, o desejo funciona como a única "veste" da vida — uma construção figurada de natureza metafórica e personificadora, e não uma comparação explícita entre os dois termos.

🏆 Gabarito: C — a personificação da vida, evidenciada sobretudo no verso-síntese final ("A vida é nova e anda nua – vestida apenas com o teu desejo!"), é o recurso expressivo que estrutura e unifica toda a imagem da adolescência construída no poema.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que aponta o recurso que realmente sustenta o poema do início ao fim — a vida tratada como um ser vivo que se revela ao adolescente —, e não apenas um detalhe isolado de um verso específico.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência o reconhecimento de figuras de linguagem em textos poéticos, testando se o candidato consegue diferenciar figuras semelhantes (metáfora, comparação, personificação) e identificar qual delas é estruturante do sentido global do texto.
  • Generalização: ao ser questionado sobre "o principal recurso" de um poema, procure a figura que se desenvolve ou se repete ao longo de todo o texto e que sustenta a ideia central — normalmente concentrada no verso final ou de fechamento —, e não a que aparece isolada em um único verso secundário.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que descrevem elementos periféricos ou rejeitados pelo eu lírico (como o medo-estátua, que o próprio poema descarta) e concentre-se no verso de fechamento, que costuma condensar o sentido central do texto.
  • Conexões: diferenciação entre metáfora, comparação e personificação; leitura de poesia de Mario Quintana e da tradição lírica brasileira; construção de sentido por linguagem figurada em textos literários.

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