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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 128ENEM 2016 PPL

TEXTO I

280 novos veículos por dia no estado

Frota, que chega a quase 1,4 milhão, deve dobrar em 13 anos

A cada dia, uma média de 280 novos veículos chega às ruas do Espírito Santo, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES). No final do mês passado, a frota já era de 1 395 342 unidades, 105 mil a mais do que no mesmo mês de 2011. Os números incluem automóveis, motocicletas, caminhões e ônibus, entre outros tipos. De dezembro para cá, o crescimento foi de mais de 33 mil veículos. E, se esse ritmo continuar, a frota do Espírito Santo vai dobrar até 2025. O diretor-geral do Detran-ES relaciona o crescimento desses números à facilidade encontrada para se comprar um veículo. “Há toda uma questão econômica, da facilidade de crédito. Como oferecemos um transporte coletivo que ainda precisa ser melhorado, inevitavelmente o cidadão que pode adquire seu próprio veículo”.

Disponível em: http://gazetaonline.globo.com. Acesso em: 10 ago. 2012 (adaptado).

TEXTO II

LIMA, A. Disponível em: http://amarildocharge.wordpress.com. Acesso em: 10 ago. 2012 (adaptado).

Os textos I e II tratam do mesmo tema, embora sejam de gêneros diferentes. Estabelecendo-se as relações entre os dois textos, entende-se que o Texto II tem a função de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura de gêneros textuais multimodais (charge) e relações intertextuais
  • ⚡ Nível: Médio — exige ir além da leitura literal da fala da personagem e captar o efeito de humor construído pela combinação entre texto verbal e imagem
  • 🎯 Tema/Habilidade: Função da charge em diálogo com um texto informativo (notícia) sobre o mesmo tema — competência de leitura crítica de textos verbais e não verbais do ENEM
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a função do Texto II (a charge) em relação ao Texto I (a notícia sobre o crescimento da frota de veículos)?"
  • Palavras-chave decisivas: mesmo tema, gêneros diferentes, função
  • Armadilha típica: confundir "comentar com humor" com "propor solução" ou "culpar formalmente uma instituição" — o candidato apressado associa a fala do diretor do Detran (sobre o transporte coletivo) à charge, quando essa ideia pertence apenas ao Texto I.
  • O que a resposta precisa demonstrar: o domínio de que uma charge não repete nem denuncia formalmente um fato — ela comenta a realidade por meio de humor e ironia, exigindo que o leitor "traduza" a piada visual para o tema tratado na notícia.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Charge: gênero textual jornalístico de humor gráfico, quase sempre vinculado a um fato de atualidade, que combina linguagem verbal (fala/legenda) e não verbal (desenho, expressões, cenário) para produzir um comentário crítico e bem-humorado sobre esse fato.
  • Sátira: recurso que usa o humor, a ironia ou o exagero para expor de forma crítica um vício, um problema social ou um comportamento, sem necessariamente indicar solução ou apontar culpados de modo direto.
  • Intertextualidade temática: quando dois textos de gêneros diferentes (aqui, notícia e charge) tratam do mesmo assunto, cada um com finalidade distinta — o informativo relata dados; o humorístico comenta e reelabora esses dados de forma criativa.
  • Leitura de imagem em prova de Linguagens: é preciso interpretar simultaneamente o que é dito (o balão de fala) e o que é mostrado (cenário, objetos, expressões) — o sentido pleno só emerge da soma dos dois planos.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: a professora pergunta ao aluno: "VOCÊ PODE ME DIZER ONDE DOIS CORPOS PODEM OCUPAR O MESMO ESPAÇO AO MESMO TEMPO?" → é uma alusão a um princípio básico de Física (a impenetrabilidade dos corpos: dois corpos não podem, em condições normais, ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo). A pergunta soa absurda justamente porque, em tese, isso é impossível.
  • Evidência 2: o aluno segura um jornal cuja manchete diz "280 CARROS A MAIS POR DIA NO ESTADO" → essa manchete reproduz literalmente o dado central do Texto I, ancorando a cena da charge no mesmo fato noticiado.
  • Evidência 3: a cena se passa em sala de aula, com o aluno de expressão surpresa/sem resposta diante da pergunta da professora → o quadro sugere que a resposta "certa" (ainda que impossível na Física) é dada pela própria realidade retratada no jornal: no trânsito das ruas, com o excesso de veículos, os carros praticamente "se amontoam", como se ocupassem o mesmo espaço ao mesmo tempo.
  • Síntese: a charge cria uma situação de humor ao aproximar um conceito científico "impossível" da experiência cotidiana do trânsito caótico causado pelo crescimento desenfreado da frota — e é exatamente esse recurso, o humor com intenção crítica, que caracteriza a sátira.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a função do gênero charge

A charge não existe para informar dados objetivos (isso já é papel do Texto I) nem para propor políticas públicas. Sua função primordial é comentar um fato de atualidade com humor, provocando no leitor o reconhecimento de um problema social por meio do riso ou da ironia. Ao ler o Texto II, portanto, o candidato deve procurar "o que está sendo ironizado", não "o que está sendo informado".

Subpasso 4.2 — Conectar a pergunta da professora ao problema do Texto I

O Texto I relata que a frota do Espírito Santo cresce 280 veículos por dia e deve dobrar em 13 anos, e associa esse crescimento à facilidade de crédito e à insuficiência do transporte coletivo. O Texto II não repete esses dados de forma explicativa: ele os transforma em piada. A pergunta de Física ("onde dois corpos podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo?") funciona como uma metáfora irônica para o congestionamento nas vias — o efeito prático e visível do aumento da frota anunciado na notícia. A resposta implícita e cômica é "no trânsito", pois ali os veículos parecem, de fato, se sobrepor.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando essa leitura contra as alternativas: a charge não reprova nenhuma medida de governo (não há menção a políticas de incentivo), não propõe solução para o excesso de veículos, não discute a dificuldade de uma solução imediata e não atribui a culpa do crescimento da frota à má qualidade do transporte coletivo (essa é uma fala do diretor do Detran-ES, presente apenas no Texto I). O único efeito de sentido plenamente sustentado pela imagem e pela fala é o de criticar, através do humor, as consequências do aumento da frota — ou seja, o caos no trânsito. Isso confirma a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) reprovar as medidas do governo de incentivo à aquisição do carro próprio.

❌ Incorreta: a charge não faz nenhuma referência a "governo" ou a "medidas de incentivo". A facilidade de crédito é mencionada apenas no Texto I, na fala do diretor do Detran-ES; a charge trabalha com outro recorte — o efeito do excesso de carros nas ruas, não a causa político-econômica.

B) apontar uma possível alternativa para resolver a questão do excesso de veículos.

❌ Incorreta: não há, na cena, nenhuma sugestão de solução (como transporte público, rodízio, ciclovias etc.). A charge se limita a expor o problema de forma irônica; propor alternativas não é seu objetivo nem está representado no desenho ou na fala.

C) mostrar a dificuldade de solução imediata para resolver o problema do crescimento da frota.

❌ Incorreta: a charge não discute a viabilidade, o prazo ou os obstáculos de uma solução — ela nem chega a mencionar "solução". O foco é ironizar a consequência do problema (o trânsito congestionado), não avaliar a dificuldade de resolvê-lo.

D) criticar, por meio da sátira, as consequências do aumento da frota de veículos.

✅ Correta: a pergunta absurda da professora, associada visualmente à manchete sobre o crescimento da frota, cria uma sátira: usa humor para criticar o efeito mais evidente desse crescimento — o congestionamento, em que os carros parecem "ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo". É exatamente a função de comentário crítico-humorístico típica do gênero charge.

E) responsabilizar a má qualidade do serviço de transporte pelo crescimento do número de veículos.

❌ Incorreta: essa responsabilização aparece no Texto I, na fala do diretor-geral do Detran-ES ("Como oferecemos um transporte coletivo que ainda precisa ser melhorado..."), e não no Texto II. A charge não toca no tema do transporte coletivo; seu comentário recai sobre a consequência do trânsito, não sobre a causa do crescimento da frota.

🏆 Gabarito: D — a charge satiriza, por meio de uma alusão bem-humorada a um princípio físico, as consequências do crescimento desenfreado da frota retratado no Texto I, sobretudo o congestionamento das vias.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que traduz corretamente a natureza do gênero charge — comentar criticamente, com humor, um fato de atualidade — e a conecta de forma coerente com a cena representada (pergunta absurda de Física + manchete sobre aumento de veículos).
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente cruza um texto informativo (notícia, reportagem, gráfico) com um texto humorístico ou artístico (charge, tirinha, cartum, poema) sobre o mesmo assunto, pedindo que o candidato identifique a função de cada gênero na comparação.
  • Generalização: quando a questão comparar um texto "sério" com um texto humorístico sobre o mesmo tema, a resposta correta quase sempre reconhece que o gênero humorístico tem a função de criticar/comentar por meio do humor (ironia, sátira, exagero), e raramente de informar, propor solução ou atribuir culpa formal.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que atribuem à charge um papel "técnico" ou "institucional" (reprovar, apontar solução, avaliar dificuldade de resolução, responsabilizar formalmente) — esses são movimentos típicos de textos argumentativos ou informativos, não de charges, cujo recurso central é o humor crítico.
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica à leitura de tirinhas, memes e cartuns em provas de Linguagens, e também a questões sobre "efeitos de sentido produzidos pela combinação entre linguagem verbal e não verbal" em textos multimodais.

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