Mapa de questões · 2º dia
Questão 139 — ENEM 2016 PPL
A prefeitura de uma cidade detectou que as galerias pluviais, que possuem seção transversal na forma de um quadrado de lado 2 m, são insuficientes para comportar o escoamento da água em caso de enchentes. Por essa razão, essas galerias foram reformadas e passaram a ter seções quadradas de lado igual ao dobro das anteriores, permitindo uma vazão de 400 m 3 /s. O cálculo da vazão V (em m 3 /s) é dado pelo produto entre a área por onde passa a água (em m 2 ) e a velocidade da água (em m/s).
Supondo que a velocidade da água não se alterou, qual era a vazão máxima nas galerias antes das reformas?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Geometria Plana (área do quadrado) e Grandezas Proporcionais
- ⚡ Nível: Médio — o cálculo em si é simples, mas exige perceber que dobrar o lado do quadrado quadruplica a área, e não apenas dobra.
- 🎯 Tema/Habilidade: Proporcionalidade entre grandezas (relação quadrática entre lado e área) aplicada a um problema contextualizado de engenharia hidráulica.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Se a galeria reformada, com lado dobrado, escoa 400 m³/s, qual era a vazão máxima da galeria antiga, mantendo-se a mesma velocidade da água?"
- Palavras-chave decisivas: lado igual ao dobro, vazão, velocidade não se alterou
- Armadilha típica: tratar a relação entre lado e vazão como linear, dividindo 400 por 2 e chegando a 200 m³/s. Isso ignora que a vazão depende da área da seção, e área de quadrado cresce com o quadrado do lado — dobrar o lado multiplica a área (e a vazão, para velocidade constante) por 4, não por 2.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de traduzir a variação de uma grandeza linear (lado) em variação de uma grandeza de área, isolar a velocidade a partir dos dados da galeria nova e reaplicá-la à geometria antiga para obter a vazão original.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Área do quadrado: A = l², em que l é a medida do lado. Se o lado é multiplicado por um fator k, a área é multiplicada por k².
- Vazão volumétrica: V = A × v, onde A é a área da seção transversal por onde o fluido passa e v é a velocidade do fluido. É o produto de uma grandeza de área por uma grandeza de velocidade.
- Proporcionalidade quadrática (armadilha central da questão): enquanto o lado varia linearmente (fator 2), a área — e, por consequência, a vazão, se a velocidade é fixa — varia com o quadrado desse fator (fator 4). Confundir essas duas taxas de crescimento é o erro mais comum em questões desse tipo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "seção transversal na forma de um quadrado de lado 2 m" → define a área da galeria antiga: A₁ = 2² = 4 m².
- Evidência 2: "seções quadradas de lado igual ao dobro das anteriores, permitindo uma vazão de 400 m³/s" → o novo lado é 2 × 2 = 4 m, logo a área nova é A₂ = 4² = 16 m², associada à vazão V₂ = 400 m³/s.
- Evidência 3: "Supondo que a velocidade da água não se alterou" → a velocidade v é a mesma nas duas situações, o que permite calculá-la a partir dos dados da galeria reformada e depois transportá-la para a galeria antiga.
- Síntese: de posse de A₂ e V₂, isola-se v; com v conhecido e A₁ calculado a partir do lado original, obtém-se diretamente V₁, que é exatamente o que o enunciado pede.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Área da seção antes da reforma
O lado original é 2 m, então:
A₁ = l² = 2² = 4 m²
Subpasso 4.2 — Área da seção depois da reforma
O novo lado é o dobro do original:
l₂ = 2 × 2 = 4 m
A₂ = l₂² = 4² = 16 m²
Note que a área quadruplicou (de 4 m² para 16 m²), embora o lado tenha apenas dobrado — essa é a relação-chave da questão.
Subpasso 4.3 — Cálculo da velocidade da água, usando os dados da galeria nova
Pela definição de vazão, V = A × v. Substituindo os valores da galeria reformada:
400 = 16 × v
v = 400 ÷ 16 = 25 m/s
Subpasso 4.4 — Cálculo da vazão máxima antes da reforma
Como a velocidade não se altera, aplica-se o mesmo v = 25 m/s à área antiga A₁ = 4 m²:
V₁ = A₁ × v = 4 × 25 = 100 m³/s
Subpasso 4.5 — Verificação por razão de proporcionalidade
Como A₂/A₁ = 16/4 = 4 = (l₂/l₁)² = 2² = 4, a razão entre as vazões deve seguir a mesma proporção (pois v é constante):
V₂/V₁ = 4 ⟹ 400/V₁ = 4 ⟹ V₁ = 100 m³/s
O resultado bate exatamente com o cálculo direto, confirmando que a vazão máxima antes da reforma era 100 m³/s, valor presente entre as alternativas.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 25 m³/s
❌ Incorreta: 25 é o valor numérico da velocidade da água (v = 25 m/s), calculado no Subpasso 4.3. Quem confunde essa grandeza intermediária com a resposta final (a vazão antiga) cai nessa alternativa por não completar o raciocínio até o Subpasso 4.4.
B) 50 m³/s
❌ Incorreta: corresponde a dividir 400 por 8, ou a considerar erroneamente que a área varia com um fator "2 vezes o lado, mas contado só uma vez e meia" — não há justificativa geométrica consistente para esse valor; surge de erro aritmético ao tentar aplicar proporcionalidade parcialmente.
C) 100 m³/s
✅ Correta: é o resultado exato de V₁ = A₁ × v = 4 × 25 = 100 m³/s, confirmado também pela razão de proporcionalidade entre as áreas (fator 4). Reflete corretamente que dobrar o lado do quadrado quadruplica a área e, mantida a velocidade, quadruplica a vazão.
D) 200 m³/s
❌ Incorreta: é a armadilha mais forte da questão — resulta de dividir 400 por 2, tratando a relação entre lado e vazão como linear (se o lado dobrou, a vazão teria dobrado). Esse raciocínio ignora que a área de um quadrado cresce com o quadrado do lado, não linearmente com ele.
E) 300 m³/s
❌ Incorreta: não corresponde a nenhuma operação matematicamente coerente com os dados do problema (nem 400 ÷ k para um k geometricamente sensato, nem 4 × 25 corretamente calculado); funciona como distrator para quem erra a conta sem seguir um raciocínio proporcional consistente.
🏆 Gabarito: C — a vazão máxima antes da reforma era 100 m³/s, pois a área da seção quadrada quadruplica quando o lado dobra, e a velocidade da água permaneceu constante entre as duas situações.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C (100 m³/s) resulta de aplicar corretamente V = A × v tanto para a galeria nova (encontrar v = 25 m/s) quanto para a galeria antiga (A₁ = 4 m²), respeitando que a área do quadrado é proporcional ao quadrado do lado.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contextualiza a relação entre uma medida linear (lado, raio, altura) e uma grandeza de área ou volume derivada dela, testando se o estudante aplica corretamente o expoente correspondente (² para área, ³ para volume) em vez de assumir proporcionalidade direta e simples.
- Generalização: sempre que um enunciado disser que uma dimensão linear "dobrou", "triplicou" etc., verifique se a grandeza pedida depende dessa dimensão elevada ao quadrado (área) ou ao cubo (volume) — o fator de variação da grandeza final é o fator linear elevado a essa potência, não o fator linear em si.
- Dica de eliminação rápida: calcule primeiro o fator de crescimento da área (aqui, 2² = 4) e desconfie imediatamente de qualquer alternativa que resulte de dividir a vazão nova apenas pelo fator linear (400 ÷ 2 = 200, alternativa D) — esse é o erro mais comum e pode ser descartado assim que a área quadrática é identificada.
- Conexões: temas próximos incluem escala de figuras semelhantes (razão de áreas = razão de semelhança ao quadrado, razão de volumes ao cubo) e problemas de vazão/fluxo em tubulações cilíndricas, onde a mesma lógica se aplica trocando o quadrado pela área do círculo (A = πr²).
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