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Mapa de questões · 2º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 129ENEM 2016 PPL

MAITENA. Disponível em: www.maitena.com.ar. Acesso em: 17 set. 2015.

Essa história em quadrinhos aborda a padronização da imagem corporal na contemporaneidade. O fator que pode ser identificado como influenciador do comportamento obsessivo retratado nos quadrinhos é o

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de charge/HQ (gênero multimodal humorístico)
  • ⚡ Nível: Médio — a leitura da tirinha é direta, mas as alternativas B, D e E invertem a crítica da autora em uma suposta autonomia das personagens, o que exige atenção redobrada.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer efeitos de sentido do humor crítico e identificar a crítica social embutida em um texto verbo-visual sobre padrões de beleza.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a causa do comportamento obsessivo (repetir 'ser magra' e depois 'não ter celulite') mostrado na tirinha?"
  • Palavras-chave decisivas: padronização da imagem corporal, comportamento obsessivo, influenciador
  • Armadilha típica: interpretar a repetição da fala "ser magra" como se fosse uma escolha consciente, crítica ou de controle das personagens sobre seus próprios corpos — quando, na verdade, a tirinha mostra justamente o oposto: alienação diante de um padrão imposto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a causa do comportamento é externa às personagens — um ideal corporal fabricado pela cultura/sociedade — e não uma atitude reflexiva ou autônoma delas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Charge/tirinha de humor crítico: gênero que usa repetição, exagero e ironia para expor, pelo riso, um problema social — o humor não celebra o comportamento retratado, ele o denuncia.
  • Padronização/construção social do corpo: processo cultural pelo qual a sociedade (mídia, publicidade, moda) elege certos atributos físicos como sinônimo de valor pessoal, criando um "corpo ideal" que não é natural, mas fabricado discursivamente.
  • Efeito de sentido pela hierarquização absurda: quando um texto humorístico coloca um valor menor (magreza) acima de valores maiores (amor, felicidade, sucesso), o exagero funciona como crítica, evidenciando o quanto esse padrão está distorcido na cultura real.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: a estrutura se repete nove vezes — "Há alguma coisa melhor/mais fantástica/mais importante do que ser linda? jovem? elegante? bem-sucedida? famosa? milionária? encontrar o homem da sua vida? ser feliz?" — e a resposta é sempre idêntica: "Ser magra." → revela que, no imaginário das personagens, a magreza foi alçada a valor supremo, superior até a afeto e felicidade.
  • Evidência 2: a progressão dos temas vai de atributos estéticos (linda, jovem, elegante) para conquistas pessoais (bem-sucedida, famosa, milionária) e, por fim, para valores existenciais (encontrar o amor, ser feliz) — e em todos eles "ser magra" vence. → mostra que a obsessão pela magreza atravessa esferas completamente distintas da vida, evidenciando seu caráter hegemônico no discurso sobre o corpo feminino.
  • Evidência 3: o último quadro rompe o padrão repetitivo com a pergunta "Há alguma coisa mais importante do que ser magra?" e a resposta, gritada com riso nervoso, é "não ter celulite!!" → demonstra que nem a magreza — o suposto ápice de todos os valores — é suficiente; sempre existe uma exigência corporal ainda mais difícil de alcançar, numa escalada sem fim.
  • Síntese: a tirinha não retrata mulheres escolhendo livremente valorizar um tipo de corpo; retrata personagens respondendo de forma automática e compulsiva a perguntas cada vez mais amplas, sempre com a mesma obsessão. Isso só faz sentido como crítica a um padrão corporal que vem de fora — da sociedade — e é internalizado como desejo irrefletido.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o recurso humorístico da autora

A tirinha é assinada por Maitena, cartunista argentina conhecida por criticar, pelo humor, os papéis impostos às mulheres no cotidiano. O riso aqui nasce da repetição mecânica: nove perguntas diferentes, uma única resposta ("Ser magra"), o que transforma a fala das personagens em um mantra automático, quase um tique nervoso — recurso clássico do humor para expor um comportamento compulsivo sem precisar dizer isso explicitamente.

Subpasso 4.2 — Mapear a hierarquia de valores construída pelo texto

Ao colocar "ser magra" acima de beleza, juventude, elegância, sucesso, fama, riqueza, amor e felicidade — e, no quadro final, ao superar até a própria magreza com "não ter celulite" — a tirinha constrói uma hierarquia absurda de propósito. Esse exagero (hipérbole) só gera efeito cômico e crítico porque o leitor reconhece um padrão real: a cultura contemporânea, por meio da mídia e da publicidade, de fato trata o corpo magro (e "perfeito", sem celulite) como pré-requisito para tudo o mais — inclusive para ser amada e feliz.

Subpasso 4.3 — Verificação: voltar ao comando

A questão pergunta qual é o fator influenciador do comportamento obsessivo. O comportamento obsessivo é repetir "ser magra" compulsivamente e, depois, elevar ainda mais a régua para "não ter celulite". Esse comportamento não nasce de uma escolha pessoal refletida: nasce de um ideal de corpo que a sociedade constrói e impõe, e que as personagens internalizaram a ponto de recitá-lo automaticamente diante de qualquer pergunta sobre valor pessoal. Isso corresponde exatamente à alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) entendimento da aparência corporal relacionada à saúde.

❌ Incorreta: em nenhum quadro a tirinha menciona saúde. Magreza e ausência de celulite são citadas como padrão estético e não como indicadores de bem-estar físico — pelo contrário, a obsessão retratada é o oposto de uma relação saudável com o próprio corpo.

B) controle feminino sobre o ideal social de estética corporal.

❌ Incorreta: inverte a relação de causa e efeito. As personagens não controlam o padrão de beleza — são controladas por ele, respondendo de forma automática e sem nenhuma margem de escolha ou domínio sobre o ideal que reproduzem.

C) desejo pelo modelo de corpo ideal construído socialmente.

✅ Correta: é exatamente isso que a repetição de "ser magra" e a escalada até "não ter celulite" evidenciam — um padrão corporal que não nasce da vontade individual da mulher, mas é fabricado pela cultura e pela mídia, e que se sobrepõe obsessivamente até a valores como amor e felicidade.

D) questionamento crítico dos valores ligados ao sucesso social.

❌ Incorreta: quem questiona criticamente esses valores é a autora Maitena, por meio da construção humorística da tirinha — não as personagens dentro da história, que jamais problematizam o que dizem. A questão pede o fator que influencia o comportamento das personagens, não a intenção da cartunista.

E) posicionamento reflexivo da mulher frente às imposições estéticas.

❌ Incorreta: mesmo erro de inversão da alternativa B. Não há reflexão alguma das personagens; a resposta "ser magra" surge de forma automática e repetitiva, revelando alienação diante do padrão — e não uma postura crítica ou consciente sobre ele.

🏆 Gabarito: C — apenas essa alternativa localiza a causa do comportamento obsessivo no modelo de corpo ideal construído pela sociedade, sem atribuir às personagens uma autonomia ou criticidade que o texto, pelo contrário, nega a elas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a tirinha usa repetição e exagero para mostrar mulheres presas a um padrão corporal que elas não escolheram nem questionam — esse padrão socialmente construído é o único fator coerente com o comportamento obsessivo retratado, o que aponta para a alternativa C.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a charges e tirinhas de humoristas (Maitena, Angeli, Laerte, entre outros) que criticam padrões de beleza, papéis de gênero e comportamentos sociais; a pergunta costuma pedir o efeito de sentido ou a crítica subjacente ao texto humorístico, não uma descrição literal da imagem.
  • Generalização: em textos de humor crítico, separe sempre "o que as personagens fazem dentro da história" (em geral, um comportamento alienado que reproduz o problema) de "o que o autor quer que o leitor perceba" (a crítica a esse comportamento). A alternativa correta normalmente nomeia o problema social exposto, não uma virtude das personagens.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que atribuem controle, autonomia ou reflexão crítica às personagens (aqui, B, D e E) quando o texto mostra repetição mecânica ou comportamento compulsivo — esse é o padrão de armadilha típico de charges que denunciam alienação social.
  • Conexões: efeitos de humor em charges e tirinhas (hipérbole, repetição, ironia); construção social do corpo e padrões de beleza na mídia e na publicidade.

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