Mapa de questões · 2º dia
Questão 131 — ENEM 2016 PPL
Brasil: o país dos 100 milhões de raios
Dos 3,15 bilhões de raios que golpeiam a Terra e seus habitantes durante um ano, 100 milhões deles vêm desabar em terras brasileiras. O número, divulgado no ano passado por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo, não é superado por nenhum outro país. E ficou bem acima das estimativas que davam conta de 30 milhões ao ano. Agora, sabemos com segurança: em quantidade de relâmpagos, ninguém segura este país.
FON, A. C.; ZANCHETTA, M. I. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 27 jan. 2015.
Diversos expedientes argumentativos são empregados nos textos para sustentar as ideias apresentadas. Nesse texto, a citação de um instituto especializado é uma estratégia para
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura crítica de texto jornalístico e estratégias argumentativas
- ⚡ Nível: Médio — a pegadinha exige distinguir a função argumentativa da citação (o "para quê") do conteúdo informativo que ela carrega (o "o quê")
- 🎯 Tema/Habilidade: Argumento de autoridade em texto de divulgação científica; reconhecimento de recursos persuasivos usados para sustentar uma tese
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o efeito argumentativo de o texto citar uma instituição de pesquisa como fonte do dado apresentado?"
- Palavras-chave decisivas: citação, instituto especializado, estratégia
- Armadilha típica: confundir a função persuasiva da citação (reforçar a confiabilidade do dado) com o conteúdo que ela introduz (o número de raios em si)
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que mencionar uma fonte científica reconhecida não serve apenas para informar dados, mas para legitimá-los perante o leitor
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Argumento de autoridade: estratégia que respalda uma afirmação recorrendo a uma fonte reconhecida (especialista, instituição, pesquisa) — o objetivo não é só informar, mas convencer o leitor de que a informação é confiável.
- Texto de divulgação científica: gênero que "traduz" resultados de pesquisa para o público geral, equilibrando a função informativa com a necessidade de manter a credibilidade da ciência divulgada.
- Função vs. conteúdo de um trecho: em questões de estratégia argumentativa, separe o que o trecho diz (o dado, a estimativa) de para que ele foi inserido (validar, comparar, exemplificar, contrapor).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "número, divulgado no ano passado por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)" → o texto não apresenta o dado de forma anônima; ele o atribui explicitamente a uma equipe de cientistas vinculada a um órgão de pesquisa nacionalmente reconhecido, o que blinda a informação contra o descrédito.
- Evidência 2: "Agora, sabemos com segurança: em quantidade de relâmpagos, ninguém segura este país." → o advérbio "com segurança" só faz sentido porque antes se identificou a origem científica do dado; a certeza expressa depende diretamente da autoridade da fonte citada.
- Síntese: o texto constrói a confiabilidade do número (100 milhões de raios) não pela repetição do dado, mas pela indicação de quem o produziu — uma instituição de pesquisa especializada. Essa é a marca do argumento de autoridade, e é isso que a questão pede para identificar.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o gênero e o propósito comunicativo do texto
O texto é uma reportagem de divulgação científica publicada em veículo de grande circulação (revista Super, grupo Abril). Seu propósito é duplo: informar um dado impactante (o Brasil lidera o ranking mundial de raios) e convencer o leitor de que esse dado é verdadeiro — um número tão alto ("100 milhões") tende a gerar desconfiança se não vier amparado por uma fonte sólida.
Subpasso 4.2 — Isolar a função do elemento "Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)"
O texto poderia ter apresentado o dado de forma genérica ("estima-se que 100 milhões de raios..."), sem perda de conteúdo informativo. Mas optou por nomear a instituição e mencionar "uma equipe de cientistas". Esse detalhe não altera o número em si — altera o grau de confiança que o leitor deposita nele. Citar uma instituição de pesquisa reconhecida é, portanto, recurso para legitimar o resultado da investigação, não para apresentá-lo pela primeira vez nem para compará-lo a outro dado (a comparação Brasil x mundo ocorre em outro trecho, independente da citação do Inpe).
Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as alternativas
Confrontando essa conclusão com as cinco alternativas, apenas uma nomeia diretamente o efeito de legitimação da fonte citada, sem extrapolar o texto (como as alternativas sobre prevenção e consequências) e sem confundir função com conteúdo (como as alternativas sobre estimativas e comparação de números). Essa alternativa é a D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) atestar a necessidade de ações de prevenção de danos causados por raios.
❌ Incorreta: o texto não menciona medidas de prevenção, cuidados ou políticas públicas contra danos causados por raios; limita-se a apresentar e legitimar um dado estatístico. A alternativa extrapola o conteúdo do texto.
B) apresentar as estimativas de incidência de raios em terras brasileiras.
❌ Incorreta: é a armadilha central da questão. As estimativas (100 milhões de raios) já estão apresentadas no texto independentemente da citação do Inpe — é conteúdo informativo, não estratégia argumentativa. A pergunta questiona "para que serve citar a fonte", não "o que o texto apresenta".
C) promover discussão sobre as consequências das descargas de raios.
❌ Incorreta: o texto não discute consequências das descargas elétricas (incêndios, mortes, prejuízos); trata só da quantidade de ocorrências. Não há base textual para essa alternativa.
D) conferir credibilidade aos resultados de uma investigação sobre raios.
✅ Correta: ao atribuir o número a "uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)", o texto usa o argumento de autoridade — recorre a uma instituição reconhecida para validar cientificamente o dado, afastando a suspeita de estimativa aleatória. É exatamente a função de "conferir credibilidade".
E) comparar o número de raios incidentes no Brasil e no mundo.
❌ Incorreta: a comparação entre 3,15 bilhões de raios no mundo e 100 milhões no Brasil já está no texto antes mesmo de o Inpe ser mencionado; decorre da estrutura do parágrafo, não da citação da instituição. A função da citação é legitimadora, não comparativa.
🏆 Gabarito: D — a citação do Inpe funciona como argumento de autoridade: transfere para o dado numérico a credibilidade científica de uma instituição de pesquisa reconhecida, e é isso — não a apresentação nem a comparação de números — que a questão pede para identificar.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve a função argumentativa da citação — conferir credibilidade —, e não o conteúdo que ela introduz no texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente, em textos jornalísticos e de divulgação científica, o reconhecimento de estratégias argumentativas (citação de especialistas, dados estatísticos, comparações), sempre perguntando "para que serve" o recurso, não "o que ele diz".
- Generalização: quando o enunciado disser "a citação/menção de X é uma estratégia para...", a resposta correta aponta para o efeito persuasivo (validar, legitimar, reforçar, contrapor), não para o conteúdo literal do trecho citado.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que só repetem informações do texto (aqui, B e E) — descrevem "o quê", não "para quê"; depois elimine as que trazem elementos ausentes do texto (A e C, prevenção e consequências), restando a alternativa sobre credibilidade da fonte.
- Conexões: argumento de autoridade em textos jornalísticos e publicitários; uso de dados estatísticos como estratégia de persuasão.
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