Mapa de questões · 1º dia
Questão 90 — ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia
Em um governo que deriva sua legitimidade de eleições livres e regulares, a ativação de uma corrente comunicativa entre a sociedade política e a civil é essencial e constitutiva, não apenas inevitável. As múltiplas fontes de informação e as variadas formas de comunicação e influência que os cidadãos ativam através da mídia, movimentos sociais e partidos políticos dão o tom da representação em uma sociedade democrática.
URBINATI, N. O que torna a representação democrática? Lua Nova, n. 67, 2006.
Esse papel exercido pelos meios de comunicação favorece uma transformação democrática em função do(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Teoria da democracia e representação política (mídia e cidadania)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um texto teórico denso (Nadia Urbinati) e relacionar conceito abstrato de "corrente comunicativa" a um efeito concreto sobre a democracia
- 🎯 Tema/Habilidade: Papel da mídia e dos canais de comunicação no fortalecimento da democracia representativa — competência de leitura crítica de texto teórico das Ciências Humanas
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual efeito democrático decorre do papel da mídia em ativar a comunicação entre sociedade política e sociedade civil?"
- Palavras-chave decisivas: corrente comunicativa, essencial e constitutiva, variadas formas de comunicação e influência dos cidadãos
- Armadilha típica: confundir "meios de comunicação" com controle estatal ou com neutralização de conflitos, quando o texto na verdade valoriza a multiplicação de vozes e a ativação política dos cidadãos
- O que a resposta precisa demonstrar: que a comunicação social funciona como canal de expressão e mobilização da sociedade civil, e não como instrumento de contenção, censura ou interesse restrito de grupos
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Representação democrática (Urbinati): não se resume ao voto periódico; é um processo contínuo de interação entre representantes e representados, sustentado por fluxos permanentes de informação e debate público.
- Sociedade política x sociedade civil: a sociedade política é o conjunto de instituições formais (Estado, partidos, parlamento); a sociedade civil é o espaço plural de cidadãos, movimentos e organizações que pressionam, informam e cobram essas instituições.
- Esfera pública e mídia: os meios de comunicação, os movimentos sociais e os partidos são os canais pelos quais a opinião pública se forma e circula, permitindo que a vontade popular influencie decisões políticas entre uma eleição e outra.
- Participação popular ampliada: quando a informação circula livremente e por múltiplas fontes, o cidadão deixa de ser mero espectador do voto e passa a monitorar, criticar e pressionar continuamente o poder — isso é o cerne da "transformação democrática" citada no enunciado.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a ativação de uma corrente comunicativa entre a sociedade política e a civil é essencial e constitutiva" → a autora afirma que a comunicação não é um extra opcional da democracia, mas parte estrutural dela — sem esse fluxo, a representação fica esvaziada.
- Evidência 2: "as variadas formas de comunicação e influência que os cidadãos ativam através da mídia, movimentos sociais e partidos políticos dão o tom da representação" → o protagonismo é dos cidadãos, que usam esses canais para influenciar ativamente a vida política — ou seja, para participar, não apenas para ser informados passivamente.
- Síntese: o texto descreve um circuito em que a mídia amplia a voz da sociedade civil e a torna capaz de interferir continuamente nas decisões políticas; logo, o efeito democrático central é o fortalecimento da participação popular, e não a limitação de gastos, a defesa de interesses corporativos, a eliminação de conflitos ou a autonomia do governo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o argumento central da autora
Urbinati defende que a legitimidade democrática não nasce apenas do ato eleitoral, mas de um processo contínuo de comunicação entre governantes e governados. Essa comunicação é viabilizada por múltiplos canais: imprensa, redes de mídia, movimentos sociais organizados e partidos políticos. Note que a autora usa o termo "corrente comunicativa" no singular para descrever um fluxo constante — como um rio que nunca seca entre uma eleição e outra — e classifica esse fluxo como "essencial e constitutivo", isto é, indispensável à própria definição de democracia representativa.
Subpasso 4.2 — Conectar o papel da mídia ao efeito pedido pela questão
A pergunta pede o que esse papel da mídia "favorece" em termos de "transformação democrática". Se a mídia é o canal por onde os cidadãos ativam formas de comunicação e influência, o resultado direto é que mais pessoas conseguem se informar, se organizar e pressionar o poder público — ou seja, a mídia amplia o alcance e a intensidade da participação da sociedade civil na vida pública. Esse é exatamente o mecanismo pelo qual regimes democráticos se tornam mais responsivos e mais representativos: quanto mais ativa é essa corrente comunicativa, mais a vontade popular consegue se fazer ouvir entre as eleições.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção que menciona diretamente o aumento da capacidade de participação da população ("fortalecimento da participação popular") traduz com fidelidade a ideia de Urbinati. As demais alternativas ou invertem o sentido do texto (autonomia do governo, dissolução de conflitos) ou introduzem elementos que o texto nem sequer aborda (gastos públicos, interesses corporativos).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) limitação dos gastos públicos.
❌ Incorreta: o texto trata de comunicação política e representação, não de política fiscal ou orçamentária. Não há qualquer menção a gastos, despesas ou controle financeiro do Estado — essa alternativa desvia o foco para um tema ausente no trecho.
B) interesse de grupos corporativos.
❌ Incorreta: a autora fala em "cidadãos" ativando canais de comunicação e influência, um sujeito coletivo e plural, não em grupos econômicos ou corporativos buscando vantagens particulares. Associar mídia a interesses corporativos inverte o sentido do texto, que valoriza a pluralidade de vozes da sociedade civil.
C) dissolução de conflitos ideológicos.
❌ Incorreta: a democracia descrita por Urbinati não elimina conflitos — pelo contrário, ela os processa e os torna visíveis por meio do debate público. A pluralidade de fontes de informação tende a expor divergências, não a dissolvê-las. Uma democracia sem conflito ideológico seria, na verdade, sinal de baixa participação, não de fortalecimento dela.
D) fortalecimento da participação popular.
✅ Correta: é exatamente essa a tese do texto — a corrente comunicativa ativada pela mídia, pelos movimentos sociais e pelos partidos amplia a capacidade dos cidadãos de se informar, se mobilizar e influenciar a representação política, tornando a democracia mais participativa entre um pleito e outro.
E) autonomia dos órgãos governamentais.
❌ Incorreta: o texto valoriza justamente o oposto — a conexão e a interdependência entre sociedade política e sociedade civil, e não o isolamento ou a autonomia do governo em relação à população. Um governo "autônomo" nesse sentido seria menos permeável à pressão popular, contrariando a lógica da representação democrática descrita pela autora.
🏆 Gabarito: D — o texto de Urbinati descreve a mídia como canal que amplia a voz e a influência dos cidadãos sobre a política, e isso corresponde diretamente ao fortalecimento da participação popular.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra D é a única que traduz corretamente a ideia de que a mídia amplia o poder de influência dos cidadãos sobre a vida política, tal como descrito no texto de Urbinati.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra textos de teoria política sobre democracia, cidadania e mídia, testando se o estudante consegue extrair a tese central do autor sem se perder em detalhes acessórios ou em alternativas que soam "genéricas" mas fogem do argumento.
- Generalização: em questões de Ciências Humanas baseadas em textos teóricos, a alternativa correta costuma ser aquela que reformula com outras palavras a ideia central do trecho — geralmente ligada a ampliação de direitos, participação ou cidadania — enquanto as erradas trazem termos "ausentes" do texto ou invertem seu sentido.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que tratem de temas não mencionados no texto (aqui, "gastos públicos") e as que contradizem o espírito pluralista e participativo da democracia (aqui, "dissolução de conflitos" e "autonomia dos órgãos governamentais"), restando poucas opções plausíveis para comparar.
- Conexões: esse tema dialoga com questões sobre esfera pública em Habermas, cidadania ativa e o papel das redes sociais e do jornalismo na fiscalização do poder político — assuntos recorrentes em Sociologia e Filosofia no ENEM.
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