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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensArtesMédio

Questão 27ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

Essa escultura foi produzida durante o período da ditadura stalinista, na ex-União Soviética, e representa o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Leitura de obra visual e movimentos artísticos (Realismo Socialista)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a imagem da escultura com o contexto histórico do stalinismo e reconhecer as características do Realismo Socialista como estilo oficial de propaganda.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Análise de obra de arte a partir de seu contexto de produção (competência de leitura de linguagens visuais e sua relação com práticas sociais e políticas)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Identificar o que a escultura representa, considerando que foi produzida durante a ditadura stalinista na URSS."
  • Palavras-chave decisivas: ditadura stalinista, ex-União Soviética, representa
  • Armadilha típica: confundir a intenção da obra (propaganda estatal, idealização) com um retrato fiel da realidade dos trabalhadores soviéticos ou com uma crítica/denúncia ao regime — a escultura é louvor, não denúncia nem documento fiel.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que arte produzida sob regimes totalitários com fins de propaganda tende a idealizar a realidade em vez de retratá-la com fidelidade ou criticá-la.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Stalinismo: período do governo de Josef Stálin à frente da URSS (1924-1953), marcado por centralização do poder, coletivização forçada da agricultura, industrialização acelerada, culto à personalidade e forte controle estatal sobre a produção cultural e artística.
  • Realismo Socialista: estilo artístico oficial adotado pela URSS a partir dos anos 1930, que exigia que a arte exaltasse os valores do socialismo, o trabalho, o coletivo e o progresso industrial, sempre de forma heroica, otimista e idealizada — funcionando como instrumento de propaganda do Estado.
  • Arte como instrumento ideológico: em regimes totalitários (stalinismo, nazismo, fascismo), a arte oficial costuma servir à construção de uma imagem exemplar do cidadão e do sistema, e não à representação crítica ou documental da realidade vivida pela população.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): a escultura "Operário e Mulher Kolkhoziana" (Vera Mukhina, aço inoxidável, 24,5 m, Moscou, 1937) mostra um trabalhador industrial erguendo um martelo e uma trabalhadora rural (kolkhoziana) erguendo uma foice, em movimento vigoroso, corpos monumentais, gesto triunfante e olhar voltado ao horizonte → composição heroica e grandiosa, típica de monumento comemorativo, não de registro cotidiano.
  • Evidência 2 (texto-legenda): "produzida durante o período da ditadura stalinista" → contextualiza a obra como produção vinculada ao aparato estatal soviético daquele momento, e não como manifestação espontânea ou de oposição.
  • Síntese: a escultura une os símbolos do martelo (operariado industrial) e da foice (campesinato coletivizado) em pose triunfal e escala monumental — é o retrato oficial e idealizado da união entre operários e camponeses sob o socialismo, feito para exaltar o poder produtivo soviético, não para documentar a realidade cotidiana nem para denunciar sofrimento.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a obra e seu propósito

"Operário e Mulher Kolkhoziana" foi criada por Vera Mukhina em 1937 para coroar o pavilhão soviético na Exposição Internacional de Paris. Seu objetivo era declaradamente propagandístico: apresentar ao mundo a força, o vigor e a harmonia do projeto socialista soviético, usando o martelo (indústria) e a foice (agricultura coletivizada) como símbolos da união entre classes trabalhadoras sob o Estado stalinista.

Subpasso 4.2 — Relacionar forma artística e contexto político

Sob o Realismo Socialista, imposto como diretriz oficial de arte na URSS a partir da década de 1930, os artistas eram obrigados a representar o trabalhador de forma heroica, musculosa, em movimento ascendente, com expressões de determinação e otimismo — independentemente das condições reais de vida da população, marcadas nesse mesmo período pela fome decorrente da coletivização forçada, pelos expurgos e pelo trabalho compulsório nos gulags. A escultura, portanto, não busca retratar a realidade, mas construir um ideal a ser celebrado e imitado.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando a forma (corpos monumentais, gesto triunfal, escala grandiosa de 24,5 m) com o contexto (arte oficial de um regime totalitário voltada à propaganda), conclui-se que a obra é uma exaltação idealizada da capacidade produtiva do povo soviético — exatamente o que descreve a alternativa C. Não há, na composição, qualquer indício de sofrimento, luta contra o sistema ou retorno ao czarismo; ao contrário, há celebração do próprio sistema em vigor.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) luta do proletariado soviético para sua emancipação do sistema vigente.

❌ Incorreta: em 1937 o "sistema vigente" já era o socialismo soviético consolidado sob Stálin; a escultura celebra esse sistema, não uma luta para se libertar dele. Não há emancipação a buscar quando a obra é encomendada pelo próprio Estado que se quer exaltar.

B) trabalhador soviético retratado de acordo com a realidade do período.

❌ Incorreta: o período stalinista foi marcado por fome, coletivização violenta e repressão política — realidade muito distante da cena triunfal e vigorosa da escultura. O Realismo Socialista idealiza deliberadamente, em vez de documentar as condições reais de vida e trabalho.

C) exaltação idealizada da capacidade de trabalho do povo soviético.

✅ Correta: a obra combina símbolos do operariado (martelo) e do campesinato coletivizado (foice) em pose heroica e monumental, cumprindo a função de propaganda estatal típica do Realismo Socialista — engrandecer, de forma idealizada, a força produtiva do povo soviético.

D) união de operários e camponeses soviéticos pela volta do regime czarista.

❌ Incorreta: contradição histórica direta — o regime soviético se constituiu justamente pela derrubada do czarismo em 1917; nenhuma produção artística oficial stalinista defenderia o retorno da monarquia que a Revolução Russa aboliu.

E) sofrimento de trabalhadores soviéticos pela opressão do regime stalinista.

❌ Incorreta: a composição não expressa sofrimento, mas ímpeto, vigor e triunfo. Uma obra encomendada pelo próprio Estado stalinista jamais denunciaria a opressão que esse mesmo Estado promovia — isso seria o oposto de seu propósito propagandístico.

🏆 Gabarito: C — a escultura de Vera Mukhina é uma peça de propaganda oficial do Realismo Socialista que idealiza e exalta a força de trabalho do povo soviético, sem qualquer compromisso com a realidade concreta ou com denúncia do regime.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C reconhece corretamente a função da obra — celebrar de modo idealizado a capacidade produtiva soviética — coerente com a data (1937), o contexto stalinista e a linguagem monumental/heroica da escultura.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma associar imagens de arte oficial de regimes totalitários (nazismo, fascismo, stalinismo) ao conceito de arte como instrumento de propaganda, cobrando do estudante a distinção entre "retratar a realidade" e "idealizar/exaltar" para fins ideológicos.
  • Generalização: sempre que uma questão apresentar arte produzida sob encomenda de um Estado autoritário, desconfie de alternativas que descrevem "retrato fiel da realidade" ou "denúncia do regime" — regimes totalitários raramente financiam arte que os critique; o padrão é a idealização heroica.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que contradiga fatos históricos básicos (como "volta do czarismo") e qualquer alternativa que atribua sofrimento ou realismo documental a uma obra visualmente triunfal e monumental — essas pistas cortam D, E e B em segundos.
  • Conexões: compare com a arte oficial do nazismo (esculturas de Arno Breker) e com o Realismo Socialista em cartazes de propaganda soviéticos — ambos usam corpos idealizados e poses heroicas para reforçar a ideologia do Estado.

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