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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 72ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

O movimento abolicionista, que levou à libertação dos escravos pela Lei Áurea em 13 de maio de 1888, foi a primeira campanha de dimensões nacionais com participação popular. Nunca antes tantos brasileiros se haviam mobilizado de forma tão intensa por uma causa comum, nem mesmo durante a Guerra do Paraguai. Envolvendo todas as regiões e classes sociais, carregou multidões a comícios e manifestações públicas e mudou de forma dramática as relações políticas e sociais que até então vigoravam no país.

GOMES, L. 1889. São Paulo: Globo, 2013 (adaptado).

O movimento social citado teve como seu principal veículo de propagação o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Império, movimento abolicionista e formação da opinião pública no século XIX
  • ⚡ Nível: Médio — exige ir além do óbvio (Lei Áurea, Princesa Isabel) e reconhecer, a partir das pistas do texto, qual instrumento tornou o abolicionismo um movimento popular de escala nacional
  • 🎯 Tema/Habilidade: Abolicionismo brasileiro e o papel da imprensa na mobilização social; competência de leitura crítica de fonte historiográfica
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi o meio de comunicação que permitiu ao movimento abolicionista alcançar e mobilizar a população em todo o país?"
  • Palavras-chave decisivas: "dimensões nacionais", "participação popular", "comícios e manifestações públicas"
  • Armadilha típica: associar automaticamente a abolição à figura da Princesa Isabel e à corte, esquecendo que o texto fala do movimento social que antecedeu e pressionou pela lei, não do ato jurídico de assiná-la
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que a mobilização popular descrita — multidões, todas as regiões, todas as classes — só é possível através de um canal de comunicação de massa, e não de uma instituição de poder restrita

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Abolicionismo como movimento de opinião pública: diferente das leis graduais anteriores (Eusébio de Queirós, 1850; Ventre Livre, 1871; Sexagenários, 1885), que foram decisões tomadas "de cima para baixo" pelo Estado, o abolicionismo das décadas de 1870-1880 nasceu na sociedade civil, fora do Parlamento, e precisava conquistar a opinião pública para pressionar as instituições.
  • Imprensa abolicionista: lideranças como José do Patrocínio (jornalista, ex-escravizado, editor da Gazeta da Tarde), Joaquim Nabuco (autor de O Abolicionismo, 1883, publicado originalmente em artigos) e André Rebouças usavam jornais, panfletos e folhetins para divulgar ideias, denunciar maus-tratos e convocar a população para atos públicos. Sociedades abolicionistas como a Confederação Abolicionista (1883) tinham órgãos de imprensa próprios, como O Abolicionista e A Redempção.
  • Formação de opinião pública no Segundo Reinado: o crescimento urbano e da alfabetização nas cidades tornou o jornal o principal veículo capaz de atingir simultaneamente diferentes classes sociais e regiões, algo que nenhuma outra instituição da época (corte, clero, exército, câmara) tinha função ou vocação para fazer em escala nacional.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "primeira campanha de dimensões nacionais com participação popular" → o texto afirma que esse foi o primeiro movimento a mobilizar o país inteiro com adesão popular, o que exige um canal de alcance amplo e recorrente, típico da imprensa periódica.
  • Evidência 2: "Envolvendo todas as regiões e classes sociais, carregou multidões a comícios e manifestações públicas" → multidões não se organizam espontaneamente; elas são convocadas, informadas e sensibilizadas previamente — função que, no século XIX, era exercida pelos jornais e panfletos.
  • Síntese: a força do movimento abolicionista estava justamente em ter escapado dos limites das instituições oficiais (corte, câmara, clero, exército) e se apoiado na imprensa escrita, que divulgava discursos, poesia abolicionista (como a de Castro Alves) e notícias, criando uma rede nacional de mobilização popular inédita até então.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituindo o contexto histórico

Nas décadas de 1870 e 1880, o sistema escravista brasileiro entra em crise: pressão internacional, decadência econômica do modelo escravista e surgimento de uma geração de intelectuais e jornalistas urbanos engajados no fim da escravidão. Diferentemente das leis anteriores, aprovadas dentro do próprio Parlamento sem grande participação popular, o abolicionismo dessa fase se organiza como movimento social, com sociedades civis, campanhas de arrecadação para compra de alforrias e forte presença nas ruas.

Subpasso 4.2 — Identificando o "principal veículo de propagação"

O elo entre esses ativistas e a população era a imprensa escrita: jornais abolicionistas circulavam pelas principais cidades, publicavam discursos inflamados, charges (como as de Angelo Agostini na Revista Ilustrada) e convocações para comícios. Foi essa rede de jornais e panfletos que levou o debate sobre a escravidão para além dos gabinetes políticos, atingindo trabalhadores urbanos, estudantes e diferentes camadas sociais em todas as regiões do país — exatamente o cenário descrito no texto-base.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com o enunciado: "mobilizado de forma tão intensa" e "carregou multidões a comícios" só fazem sentido se houver um meio prévio de divulgação e convocação em massa. Entre as cinco opções, apenas a imprensa escrita cumpre esse papel de alcance nacional e popular — as demais são instituições de poder, restritas a elites, incompatíveis com "participação popular" em larga escala.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) imprensa escrita.

✅ Correta: jornais, panfletos e folhetins abolicionistas foram o principal instrumento de divulgação de ideias e de convocação popular, permitindo que o movimento alcançasse "todas as regiões e classes sociais" e se tornasse a primeira campanha de dimensão nacional com participação popular.

B) oficialato militar.

❌ Incorreta: embora setores do Exército tenham pressionado o fim da escravidão no estágio final do processo (como a recusa de oficiais em perseguir escravizados fugidos, em 1887), essa atuação foi pontual e institucional, não configurando o "veículo de propagação" de um movimento popular de massas.

C) corte palaciana.

❌ Incorreta: a Coroa teve papel na sanção final da lei (Princesa Isabel, regente, assinou a Lei Áurea), mas a corte reagiu à pressão já construída pela sociedade civil; ela não foi o meio que mobilizou multidões nas ruas, apenas a instância que formalizou juridicamente o resultado da pressão popular.

D) clero católico.

❌ Incorreta: a Igreja Católica, de modo geral, manteve postura conservadora e cautelosa diante da escravidão, sem promover uma campanha nacional organizada em defesa da abolição; não há correspondência entre essa instituição e a mobilização popular descrita no texto.

E) câmara de representantes.

❌ Incorreta: o Parlamento debateu e votou as leis abolicionistas graduais, mas era um espaço institucional restrito às elites políticas — incompatível com a ideia de "participação popular" e de multidões levadas a comícios e manifestações públicas nas ruas.

🏆 Gabarito: A — a imprensa escrita foi o instrumento que rompeu os limites das instituições oficiais e permitiu ao abolicionismo se tornar o primeiro movimento popular de dimensão verdadeiramente nacional no Brasil.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a imprensa escrita tinha periodicidade, alcance territorial e capacidade de formar opinião pública suficientes para explicar a mobilização de "multidões" em "todas as regiões e classes sociais" citada no texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora o papel da imprensa e da opinião pública nos movimentos sociais e políticos do século XIX brasileiro (abolicionismo, republicanismo, imigrantismo), sempre contrastando sociedade civil organizada com instituições de poder.
  • Generalização: quando o enunciado enfatizar mobilização popular ampla e espontânea ("multidões", "todas as classes", "participação popular"), busque o meio de comunicação de massa da época — nunca uma instituição de poder restrita (corte, câmara, clero, exército), que costuma ser distrator.
  • Dica de eliminação rápida: risque de imediato alternativas que representem instituições oficiais e hierárquicas (corte, câmara, clero, oficialato militar) sempre que o texto-base falar em movimento popular e multidões nas ruas — esses termos apontam para a sociedade civil organizada, cujo canal clássico no século XIX é a imprensa.
  • Conexões: relação entre imprensa e movimento republicano (jornais como A República); crescimento da opinião pública urbana e da alfabetização no Segundo Reinado como pano de fundo para os movimentos sociais de fim do Império.

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