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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 75ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

Projeção cartográfica é uma transformação que faz corresponder, a cada ponto da superfície terrestre,
um ponto no plano.

As relações do plano de projeção à superfície projetada mostradas nas figuras são identificadas, respectivamente, em:

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Geografia → Cartografia → posição da superfície de projeção
  • Habilidade: H6 — interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos
  • Nível: Médio — o conteúdo é simples, mas a pergunta é sobre a posição da superfície, e quase todo mundo lê como se fosse sobre o tipo
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: identificar, na ordem, qual relação entre a superfície de projeção e o globo produziu cada um dos três mapas.
  • Palavras-chave decisivas: relações do plano de projeção à superfície projetada, respectivamente.
  • A armadilha: responder pelo tipo de superfície — plana, cônica ou cilíndrica — quando a pergunta é pela relação, isto é, pela posição em que essa superfície é encostada no globo: normal, transversal ou oblíqua. As alternativas exploram isso trocando cilindros por cones e embaralhando as posições.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você lê o desenho do reticulado — o traçado dos paralelos e meridianos — e deduz onde a superfície tocou o globo.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Projeção cartográfica: operação que faz corresponder cada ponto da superfície curva da Terra a um ponto de uma superfície plana. Como a esfera não é planificável sem deformação, toda projeção distorce alguma coisa: área, forma, distância ou ângulo.
  • Superfície de projeção: figura geométrica auxiliar sobre a qual o globo é projetado e que depois é aberta no plano. Pode ser um plano, um cone ou um cilindro. Cone e cilindro são planificáveis; a esfera não é.
  • Posição da superfície — o que a questão cobra: além de escolher a superfície, é preciso decidir onde encostá-la no globo. São três posições clássicas:
  • normal (também chamada equatorial ou polar, conforme a superfície) — o eixo da superfície coincide com o eixo da Terra. No cilindro, isso significa cilindro em pé, tangente ao Equador;
  • transversal — o eixo da superfície é perpendicular ao eixo da Terra. No cilindro, é o cilindro deitado, tangente a um meridiano;
  • oblíqua — o eixo forma um ângulo qualquer com o eixo terrestre, tocando o globo numa linha que não é nem o Equador nem um meridiano.
  • Linha de contato e deformação: a deformação é nula na linha em que a superfície toca o globo e cresce à medida que se afasta dela. É essa regra que permite ler a posição diretamente no mapa: onde o reticulado está mais "comportado", ali passou o contato.
  • Como reconhecer cada posição pelo reticulado:
  • na posição normal, paralelos e meridianos aparecem como retas perpendiculares entre si, formando uma grade retangular;
  • na posição transversal, os polos geográficos deixam de ser cantos do mapa e aparecem como pontos no meio da figura, cercados por curvas concêntricas;
  • na posição oblíqua, essas curvas concêntricas se organizam em torno de um ponto que não é polo nem está sobre o Equador.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: no primeiro mapa, paralelos e meridianos são curvas concêntricas em volta de um ponto situado na porção inferior do retângulo, longe do centro e longe das bordas → o contato com o globo se deu numa linha inclinada em relação ao Equador e aos meridianos. Posição oblíqua.
  • Evidência 2: no segundo mapa, o reticulado é uma grade retangular perfeita: paralelos retos e horizontais, meridianos retos e verticais, todos se cruzando em ângulo reto → contato ao longo do Equador, com o eixo da superfície coincidindo com o eixo da Terra. Posição normal.
  • Evidência 3: no terceiro mapa, as curvas concêntricas se organizam em torno de um ponto no meio da figura, e ao redor dele reconhece-se a região polar ártica → o polo, que na posição normal ficaria esticado na borda superior, virou o centro do desenho. Isso só acontece quando a superfície é deitada e toca um meridiano. Posição transversal.
  • Evidência 4: o comando diz "respectivamente" → a ordem importa, e a resposta é a sequência oblíqua, normal, transversal, nessa ordem exata.
  • Síntese: os três mapas mostram a mesma família de projeção em três posições diferentes. A alternativa correta é a que exibe a superfície inclinada, depois em pé e depois deitada, nessa sequência.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Fixar a regra de leitura

A superfície de projeção toca o globo ao longo de uma linha, e essa linha é a única que sai sem deformação. No mapa aberto, ela aparece como uma reta, e todo o resto se curva em torno dela. Então:

  • reticulado inteiro reto e ortogonal → o contato foi no Equador → normal
  • polo no meio do mapa, cercado de curvas → o contato foi num meridiano → transversal
  • centro das curvas fora do polo e fora do Equador → oblíqua

4.2 — Aplicar aos três mapas, na ordem

  • Mapa 1: curvas concêntricas em torno de um ponto do hemisfério sul, deslocado do centro → oblíqua
  • Mapa 2: grade retangular, paralelos e meridianos retos → normal
  • Mapa 3: curvas concêntricas em torno do polo Norte, posicionado no meio do mapa → transversal

4.3 — Traduzir para os desenhos das alternativas

Cada alternativa mostra três globos com uma superfície encostada. Para a sequência oblíqua, normal, transversal, procura-se:

  • em primeiro lugar, a superfície inclinada, envolvendo o globo em ângulo com o eixo terrestre
  • em segundo lugar, o cilindro em pé, com o eixo vertical, tangente ao Equador
  • em terceiro lugar, o cilindro deitado, com o eixo horizontal, tangente a um meridiano

4.4 — Verificação

Uma única alternativa mantém a mesma superfície nas três figuras, mudando apenas a posição — que é exatamente o que a pergunta chama de "relações do plano de projeção à superfície projetada". As demais trocam a superfície no meio do caminho ou embaralham a ordem. Gabarito: A.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) cilindro inclinado, cilindro em pé, cilindro deitado — Corresponde, na ordem, às posições oblíqua, normal e transversal, que é a sequência lida nos três mapas. É também a única alternativa em que a superfície permanece a mesma nas três figuras, isolando a variável que a pergunta cobra: a posição. O cilindro inclinado gera o reticulado curvo centrado fora do polo; o cilindro em pé, tangente ao Equador, gera a grade retangular; o cilindro deitado, tangente a um meridiano, joga o polo para o meio do mapa.

(B) cilindro deitado, cone, cilindro inclinado — Começa pela posição transversal, que corresponde ao terceiro mapa, e não ao primeiro. Além da ordem trocada, insere um cone na segunda figura: um cone tangente a um paralelo produz um mapa em leque, com meridianos convergindo e paralelos em arcos, e nunca a grade retangular perfeita do segundo mapa.

(C) cone, cilindro deitado, cilindro em pé — Inverte inteiramente a leitura. Coloca o cone no lugar do mapa oblíquo e deixa a posição normal por último, quando ela é a do meio. É a alternativa que mais penaliza quem tenta associar cada figura por eliminação, sem ler o reticulado.

(D) cilindro deitado, cilindro inclinado, cone — Troca as posições oblíqua e transversal entre si e encerra com um cone. Os dois primeiros erros são de ordem; o terceiro é de superfície: nenhum dos três mapas apresenta meridianos convergindo em leque, que é a assinatura inconfundível da projeção cônica.

(E) plano tangente ao polo, cilindro em pé, cone — Acerta apenas a figura do meio, a posição normal do segundo mapa. O plano tangente ao polo produziria um mapa circular, com meridianos saindo em raios a partir do centro e paralelos como circunferências concêntricas, e os três mapas fornecidos são retangulares. O cone final repete o problema das anteriores.

Gabarito: A — os três mapas resultam da mesma superfície cilíndrica encostada no globo em três posições diferentes, e a sequência lida no reticulado é oblíqua, normal e transversal.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só A se sustenta: ela é a única que varia apenas a posição, mantendo a superfície fixa. Todas as demais introduzem cone ou plano, superfícies cujos reticulados característicos não aparecem em nenhum dos três mapas.
  • Como o ENEM cobra isso: cartografia aparece quase sempre pedindo que se relacione a aparência do reticulado a uma decisão técnica — tipo de superfície, posição, propriedade conservada. Raramente pede nome de projeção; sempre pede leitura de figura.
  • A regra geral: onde o reticulado é reto, ali a superfície tocou o globo. Grade retangular indica contato no Equador; polo no meio do mapa indica contato num meridiano; centro das curvas em latitude intermediária indica contato oblíquo.
  • Eliminação em 30 segundos: olhe o segundo mapa, o da grade retangular. Ele exige cilindro em pé na segunda posição. Só duas alternativas colocam o cilindro em pé no meio; entre elas, escolha a que não usa plano nem cone.
  • Temas que costumam vir junto: projeção de Mercator e a conservação de ângulos, projeção de Peters e a conservação de áreas, projeção polar e as disputas no Ártico, escala cartográfica e fuso horário.

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