Mapa de questões · 1º dia
Questão 74 — ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia
“As recentes crises entre o Brasil e a Argentina mostram o esgotamento do modelo mercantilista no Mercosul”, afirma o diretor-geral do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais (Ibri). A imposição argentina de cotas para produtos brasileiros, como os de linha branca, e a ameaça de adoção de salvaguardas comerciais indicam que o Mercosul foi construído sobre bases equivocadas. Segundo o diretor, a noção de que é possível exportar
“sem limites” para um determinado parceiro comercial representa uma mentalidade “fenícia”, ou seja, uma visão comercial de curto prazo.
JULIBONI, M. Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 7 dez. 2012 (adaptado).
Nas últimas décadas foram adotadas várias medidas que objetivavam pôr fim às desconfianças mútuas existentes entre o Brasil e a Argentina. Os conflitos no interior do bloco têm se intensificado, como na relação analisada, caracterizada pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica e blocos econômicos regionais (Mercosul)
- ⚡ Nível: Médio — exige articular um texto jornalístico com o conceito de protecionismo comercial dentro de um bloco de integração
- 🎯 Tema/Habilidade: Conflitos comerciais no Mercosul e medidas protecionistas (Competência de área 5 — dinâmica das relações econômicas e geopolíticas mundiais)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual medida concreta explica a intensificação dos conflitos comerciais entre Brasil e Argentina dentro do Mercosul, segundo o texto?"
- Palavras-chave decisivas: cotas para produtos brasileiros, salvaguardas comerciais, mentalidade fenícia
- Armadilha típica: confundir "esgotamento do modelo mercantilista" com uma crítica ao Brasil, quando na verdade o texto descreve uma reação protecionista da Argentina diante das exportações brasileiras
- O que a resposta precisa demonstrar: identificação de que o conflito nasce de medidas argentinas de restrição às importações brasileiras, e não de um recuo do Brasil ou de equilíbrio comercial
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Mercosul: bloco econômico regional criado em 1991 (Tratado de Assunção) para formar um mercado comum entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com livre circulação de bens e tarifa externa comum.
- Barreiras comerciais (cotas e salvaguardas): instrumentos de política comercial usados por um país para limitar a entrada de produtos estrangeiros e proteger sua indústria nacional da concorrência externa.
- Protecionismo: conjunto de medidas estatais (tarifas, cotas, salvaguardas) que restringem importações para defender setores produtivos internos, contrastando com o livre-comércio previsto nos blocos de integração.
- "Mentalidade fenícia": metáfora usada no texto para criticar uma visão comercial de curto prazo, baseada apenas em vender o máximo possível sem construir relações de reciprocidade e confiança de longo prazo entre os parceiros.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "A imposição argentina de cotas para produtos brasileiros, como os de linha branca" → mostra uma ação concreta e unilateral da Argentina para limitar a entrada de eletrodomésticos brasileiros em seu mercado.
- Evidência 2: "e a ameaça de adoção de salvaguardas comerciais" → reforça que a Argentina recorre (ou ameaça recorrer) a instrumentos formais de defesa comercial, típicos de política protecionista.
- Evidência 3: "indicam que o Mercosul foi construído sobre bases equivocadas" → o especialista interpreta essas medidas como sintoma de um problema estrutural do bloco, não como resposta a um excesso de exportações do Brasil, mas como reação argentina para proteger sua produção interna.
- Síntese: O texto encadeia causa e efeito: o crescimento das exportações brasileiras de linha branca gerou uma resposta protecionista argentina (cotas + ameaça de salvaguardas), e é exatamente essa resposta — a adoção de barreiras pela Argentina — que caracteriza a intensificação dos conflitos no interior do Mercosul.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o sujeito da ação no texto
O texto é claro quanto a quem toma a iniciativa do conflito: é a Argentina que impõe cotas e ameaça aplicar salvaguardas comerciais contra produtos brasileiros. Não há, em nenhum momento, menção a uma retração ou saturação por parte do mercado consumidor argentino frente aos produtos brasileiros — o que já elimina hipóteses que atribuem a crise a uma suposta perda de interesse argentino pelos bens brasileiros.
Subpasso 4.2 — Relacionar a ação argentina ao conceito de protecionismo
Cotas de importação e salvaguardas comerciais são, por definição, instrumentos de proteção da indústria nacional: eles restringem a entrada de produtos estrangeiros para reduzir a concorrência enfrentada pelos fabricantes locais. No caso relatado, a indústria argentina de linha branca (eletrodomésticos) estava sendo pressionada pela competitividade dos produtos brasileiros, e o governo argentino reagiu criando barreiras para blindar esse setor.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando esse raciocínio com as evidências do texto — "imposição argentina de cotas" e "ameaça de adoção de salvaguardas comerciais" —, a única alternativa que traduz corretamente essa dinâmica é a que descreve a Argentina adotando barreiras para proteger seu setor industrial. As demais alternativas invertem o sujeito da ação (atribuindo a crise ao Brasil), descrevem uma situação de equilíbrio inexistente no texto, ou apontam intenções (diversificação de parceiros, adequação ao consumidor) que não aparecem no relato.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) saturação dos produtos industriais brasileiros, que o mercado argentino tem demonstrado.
❌ Incorreta: o texto não menciona rejeição ou desinteresse do consumidor argentino pelos produtos brasileiros; a crise decorre de uma decisão governamental argentina (cotas e salvaguardas), não de uma reação espontânea do mercado consumidor.
B) adoção de barreiras por parte da Argentina, que intenciona proteger o seu setor industrial.
✅ Correta: é exatamente o que o texto descreve — a imposição de cotas sobre produtos como os de linha branca e a ameaça de salvaguardas comerciais são medidas protecionistas argentinas voltadas a resguardar sua indústria nacional da concorrência brasileira.
C) tendência de equilíbrio no comércio entre os dois países, que indica estabilidade no curto prazo.
❌ Incorreta: o texto descreve justamente o oposto — um cenário de crise e desconfiança crescente, incompatível com qualquer ideia de equilíbrio ou estabilidade comercial.
D) política de importação da Argentina, que demonstra interesse em buscar outros parceiros comerciais.
❌ Incorreta: as cotas e salvaguardas não visam substituir o Brasil por outros parceiros comerciais, mas sim proteger a produção interna argentina; o texto não trata de diversificação de fornecedores.
E) estratégia da indústria brasileira, que buscou acompanhar as demandas do mercado consumidor argentino.
❌ Incorreta: inverte completamente o sujeito da ação — quem toma a iniciativa restritiva no texto é a Argentina, não a indústria brasileira, que sequer é descrita como estando em processo de adaptação ao mercado argentino.
🏆 Gabarito: B — o texto descreve, de forma explícita, medidas protecionistas argentinas (cotas e ameaça de salvaguardas) contra produtos brasileiros, caracterizando a intensificação dos conflitos no Mercosul como resultado da defesa do setor industrial argentino.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B atribui corretamente a ação (adoção de barreiras) ao agente correto (Argentina) e à motivação correta (proteção do setor industrial), em total sintonia com as evidências textuais.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a interpretação de textos jornalísticos sobre blocos econômicos (Mercosul, Nafta/USMCA, União Europeia) para avaliar se o estudante identifica tensões entre livre-comércio e protecionismo nacional.
- Generalização: em questões sobre blocos econômicos, sempre identifique quem age (o sujeito da medida) e qual é o efeito prático dessa ação (proteger, liberalizar, restringir) — a resposta correta costuma espelhar fielmente essa relação causa-efeito descrita no texto-base.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que invertam o sujeito da ação (aqui, atribuir a crise ao Brasil, como em A e E) e as que contradizem o tom de conflito do texto (como C, que fala em "equilíbrio" e "estabilidade").
- Conexões: compare com questões sobre a crise da União Europeia (Brexit) e sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, temas que também exploram o embate entre integração econômica e protecionismo.
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