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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 16ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

O jornal vai morrer. É a ameaça mais constante dos especialistas. E essa nem é uma profecia nova. Há anos a frase é repetida. Experiências são feitas para atrair leitores na era da comunicação nervosa, rápida, multicolorida, performática. Mas o que é o jornal? Onde mora seu encanto?
O que é sedutor no jornal é ser ele mesmo e nenhum outro formato de comunicação de ideias, histórias, imagens e notícias. No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade.

Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apresentam como tendência irreversível, modeladora do futuro inevitável e fatal. Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos.

Os jornais vão acabar, garantem os especialistas. E, por isso, dizem que é preciso fazer jornal parecer com as outras formas da comunicação mais rápida, eletrônica, digital. Assim, eles morrerão mais rapidamente. Jornal tem seu jeito. É imagem, palavra, informação, ideia, opinião, humor, debate, de uma forma só dele.

Nesse tempo tão mutante em que se tuíta para milhares, que retuítam para outros milhares o que foi postado nos blogs, o que está nos sites dos veículos on-line, que chance tem um jornal de papel que traz uma notícia estática, uma foto parada, um infográfico fixo?

Terá mais chance se continuar sendo jornal.

LEITÃO, M. Jornal de papel. O Tempo, n. 5 684, 8 jul. 2012 (adaptado).

Muito se fala sobre o impacto causado pelas tecnologias da comunicação e da informação nas diferentes mídias. A partir da análise do texto, conclui-se que essas tecnologias

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto argumentativo/jornalístico
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto apresenta uma tese explícita e repetida de várias formas, sem exigir inferências complexas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Convivência entre mídias na era digital + competência de leitura crítica de textos midiáticos (identificar posicionamento do autor)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo a análise do texto, qual é o efeito das tecnologias da comunicação sobre as diferentes mídias?"
  • Palavras-chave decisivas: impacto, diferentes mídias, conclui-se
  • Armadilha típica: confundir "ameaça de morte do jornal" (opinião dos especialistas, que o autor rebate) com a tese do próprio autor, que é justamente o oposto — a permanência e convivência das mídias.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o texto defende a coexistência das mídias antigas e novas, e não a substituição ou ruptura entre elas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tese vs. opinião refutada: em textos argumentativos, é comum o autor apresentar primeiro a visão que quer combater ("o jornal vai morrer", dizem "os especialistas") para depois construir seu próprio argumento contrário. Confundir as duas é o erro mais comum nesse tipo de questão.
  • Convergência midiática: conceito da comunicação social segundo o qual novas tecnologias não eliminam as mídias anteriores, mas se somam a elas, criando um ecossistema com múltiplos canais coexistindo, cada um com função e linguagem próprias.
  • Marcadores de conclusão do autor: expressões como "descobre-se que" e "nada é substituído" sinalizam o ponto de virada em que o texto abandona a voz dos "especialistas" e assume a voz do autor.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos." → afirmação central: a chegada de uma nova mídia não apaga a anterior, ela se junta ao conjunto já existente — ou seja, há coexistência, não substituição.
  • Evidência 2: "No tempo das muitas mídias, o que precisa ser entendido é que cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade." → reforça que múltiplas mídias convivem, cada uma preservando sua identidade e função específica — não há homogeneização nem eliminação de formatos.
  • Síntese: o texto começa citando a "ameaça" de morte do jornal (voz alheia, que será refutada), mas sua conclusão real — construída nos dois trechos acima — é a de que as tecnologias de comunicação fazem as mídias se multiplicarem e conviverem lado a lado, cada uma ocupando seu espaço próprio de produção e circulação de conhecimento.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a estrutura argumentativa do texto

O texto se organiza em contraponto: primeiro apresenta a tese que quer refutar ("O jornal vai morrer. É a ameaça mais constante dos especialistas"), depois desconstrói essa tese ao longo dos parágrafos seguintes. Um leitor apressado pode marcar uma alternativa baseada só no primeiro parágrafo (a "morte" do jornal) e errar a questão — por isso é essencial ler o texto até o fim antes de responder.

Subpasso 4.2 — Localizar a virada argumentativa

A virada ocorre no terceiro parágrafo: "Quando surge uma nova mídia, há sempre os que a apresentam como tendência irreversível [...]. Depois se descobre que nada é substituído e o novo se agrega ao mesmo conjunto de seres através dos quais nos comunicamos." Aqui o autor generaliza um padrão histórico: toda vez que uma mídia nova aparece, previsões catastróficas surgem, mas na prática as mídias somam-se umas às outras, formando um conjunto cada vez maior de canais de comunicação.

Subpasso 4.3 — Verificação

O quarto e o quinto parágrafos confirmam essa leitura: o autor reconhece que o jornal de papel convive com tuítes, retuítes, blogs e sites de notícia ("Nesse tempo tão mutante em que se tuíta [...] o que está nos sites dos veículos on-line"), mas conclui que o jornal "terá mais chance se continuar sendo jornal" — ou seja, cada mídia mantém sua identidade dentro de um cenário de convivência plural. Essa ideia de multiplicidade de formatos coexistindo bate exatamente com a alternativa E, que fala em "coexistência de diversos modos de produção e veiculação de conhecimento".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) mantêm inalterados os modos de produção e veiculação do conhecimento.

❌ Incorreta: o texto mostra justamente o contrário — o cenário se transforma com o surgimento de tuítes, blogs, sites e infográficos digitais, criando novos modos de produção e circulação que se somam aos antigos. Dizer que "nada muda" contraria a própria descrição do "tempo tão mutante" feita pelo autor.

B) provocam rupturas entre novas e velhas formas de comunicar o conhecimento.

❌ Incorreta: "ruptura" sugere corte, separação ou substituição de um formato por outro — exatamente o que o texto nega ao afirmar que "nada é substituído". O autor descreve continuidade e adição, não ruptura.

C) modernizam práticas de divulgação do conhecimento hoje consideradas obsoletas.

❌ Incorreta: o texto não trata o jornal como uma prática "obsoleta" a ser modernizada; pelo contrário, defende que o jornal deve continuar sendo ele mesmo ("Terá mais chance se continuar sendo jornal"), preservando seu formato original em vez de se adaptar ou se modernizar para imitar as mídias digitais.

D) substituem os modos de produção de conhecimentos oriundos da oralidade e da escrita.

❌ Incorreta: além de o texto não tratar de oralidade, a ideia de "substituição" é diretamente contrariada pela frase-chave "nada é substituído". O autor é enfático ao rejeitar a lógica de que uma mídia elimina a outra.

E) contribuem para a coexistência de diversos modos de produção e veiculação de conhecimento.

✅ Correta: é exatamente o que o texto defende — as tecnologias de comunicação fazem surgir novas mídias (blogs, tuítes, sites) que se agregam às já existentes (o jornal impresso), formando um conjunto plural em que cada uma "tem um espaço, um jeito, uma personalidade". Essa é a tese central do autor, construída ao longo de todo o texto.

🏆 Gabarito: E — o texto demonstra, com evidências explícitas ("nada é substituído", "cada um tem um espaço, um jeito, uma personalidade"), que as tecnologias de comunicação levam à coexistência de múltiplas mídias, e não à substituição, ruptura ou modernização de uma pela outra.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa E traduz corretamente a tese do autor: tecnologias novas se somam às antigas, sem eliminá-las, criando um cenário de convivência entre múltiplos formatos de comunicação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos jornalísticos ou ensaísticos que começam citando uma opinião controversa (aqui, a "morte do jornal") para depois refutá-la — o candidato precisa identificar a tese real do autor, não a opinião que ele está combatendo.
  • Generalização: em textos argumentativos com estrutura de "tese alheia + refutação", a resposta correta quase sempre reflete a conclusão do autor (geralmente na parte final do texto), nunca a ideia inicial apresentada apenas para ser contestada.
  • Dica de eliminação rápida: procure no próprio texto por palavras que neguem "substituição" ou "ruptura" (como "nada é substituído"); isso elimina de cara qualquer alternativa que use verbos como "substituem", "provocam rupturas" ou "mantêm inalterados", restando apenas a opção que fala em coexistência/convivência.
  • Conexões: o tema dialoga com "convergência midiática" (Henry Jenkins) e com questões sobre multiletramentos e gêneros digitais, temas frequentes em provas de Linguagens que discutem a relação entre mídias tradicionais e novas tecnologias.

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