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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 70ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial, sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso de transações impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um porto seguro das convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos — a Grande Depressão do entre guerras.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914 1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-se ao(à)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Crise de 1929 e a Grande Depressão
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar causa de consequência histórica, sem bastar apenas "decorar" o nome da crise
  • 🎯 Tema/Habilidade: Crise do capitalismo liberal no entreguerras; compreender processos históricos e geográficos, relacionando fatos econômicos a seus contextos de produção
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi a causa da Grande Depressão que começou nos EUA e se espalhou pelo mundo capitalista?"
  • Palavras-chave decisivas: epicentro, entre guerras, colapso mundial
  • Armadilha típica: confundir a causa da crise com suas consequências ou com medidas tomadas depois dela — como o New Deal, que é resposta, não origem do problema.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o colapso nasceu dentro da própria economia norte-americana, a partir de um crescimento industrial insustentável no pós-Primeira Guerra, e não de um fator externo (guerra, revolução ou conflito posterior).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • "Anos Loucos" (Roaring Twenties): década de 1920 nos EUA, marcada por forte expansão industrial, crédito facilitado e otimismo com o crescimento contínuo, já que o país saiu fortalecido e credor após a Primeira Guerra.
  • Superprodução industrial e agrícola: fábricas e campo produziram além da capacidade real de consumo interno e externo (a Europa, endividada, comprava cada vez menos), gerando estoques encalhados e queda de lucros.
  • Especulação na Bolsa de Nova York: investidores compravam ações "a descoberto" (com dinheiro emprestado), inflando artificialmente seu valor muito acima do que a economia real sustentava.
  • Crash de 1929 (Quinta-feira Negra, 24/10): ao se perceber o descompasso entre produção, consumo e valor das ações, houve corrida vendedora, quebra de bancos e desemprego em massa, que se irradiou ao mundo via comércio e empréstimos controlados pelos EUA.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "mesmo os orgulhosos EUA (...) se tornaram o epicentro" → mostra que a crise não veio de fora para os Estados Unidos; ela nasceu ali e depois se espalhou, invertendo a lógica de que os EUA seriam apenas vítimas de uma crise alheia.
  • Evidência 2: "o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos" → a metáfora sísmica reforça a ideia de um epicentro único, de onde as ondas de choque (falências, desemprego, retração do comércio) se propagaram para o mundo capitalista.
  • Síntese: Hobsbawm localiza a origem da Grande Depressão dentro da própria estrutura econômica estadunidense do pós-guerra. A alternativa correta precisa, portanto, apontar um fator interno e anterior ao crash — ligado ao próprio modelo de crescimento dos EUA nos anos 1920 — e não um evento externo, posterior ou de resposta à crise.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconstituindo o contexto histórico

Após vencer a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) ao lado dos Aliados, os Estados Unidos saíram como a grande potência credora do mundo, enquanto a Europa ficava devastada e endividada. Isso alimentou nos EUA uma década de euforia econômica: produção industrial acelerada, crédito facilitado ao consumidor e uma Bolsa de Valores em alta constante. Essa euforia criou a crença de que o crescimento seria infinito — uma falsa perspectiva de prosperidade.

Subpasso 4.2 — Do excesso de produção ao colapso

O problema é que a produção industrial e agrícola cresceu mais rápido do que a capacidade real de consumo: a Europa, ainda se recuperando da guerra, não conseguia importar como antes, e o mercado interno também não absorvia tudo o que se produzia. Ao mesmo tempo, o dinheiro que deveria ir para investimento produtivo migrava para a especulação acionária, inflando o valor das ações muito acima do que a economia real justificava. Quando investidores perceberam que os estoques industriais não escoavam e os lucros não sustentavam os preços das ações, começou uma onda de vendas em pânico, culminando no crash da Bolsa de Nova York em outubro de 1929. Bancos quebraram, o crédito secou, o desemprego disparou — e, como os EUA financiavam boa parte da reconstrução europeia, a crise se espalhou como um terremoto para todo o mundo capitalista.

Subpasso 4.3 — Verificação

A causa-raiz está no próprio modelo de crescimento norte-americano dos anos 1920: expansão da produção industrial sustentada por uma expectativa exagerada e irreal de crescimento contínuo no pós-guerra. Isso corresponde exatamente ao que descreve a alternativa A, confirmando-a como resposta.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) produção industrial norte-americana, ocasionada por uma falsa perspectiva de crescimento econômico pós-Primeira Guerra Mundial.

✅ Correta: descreve com precisão o mecanismo real da crise — a superprodução industrial dos "Anos Loucos", alimentada pela crença ilusória de prosperidade permanente, gerando o descompasso entre oferta e demanda que culminou no crash de 1929.

B) vitória alemã na Primeira Grande Guerra e, consequentemente, sua capacidade de competição econômica com os empresários norte-americanos.

❌ Incorreta: inverte o resultado histórico da guerra — a Alemanha foi derrotada e saiu arrasada, submetida a pesadas indenizações pelo Tratado de Versalhes, sem condições de competir economicamente com os EUA nos anos 1920.

C) desencadeamento da Revolução Russa de 1917 e a formação de um novo bloco econômico, capaz de competir com a economia capitalista.

❌ Incorreta: confunde processos distintos; a Revolução Russa deu origem à URSS, que se isolou do sistema capitalista mundial (economia planificada e fechada), sem relação de causa com a crise financeira interna dos EUA em 1929.

D) Guerra Fria, que caracterizou o período de entreguerras, provocando insegurança e crises econômicas no mundo.

❌ Incorreta: erro cronológico grave — a Guerra Fria só começou após 1945, com a bipolarização EUA x URSS no pós-Segunda Guerra Mundial, não podendo ter causado uma crise ocorrida quinze anos antes.

E) tomada de medidas econômicas pelo presidente norte-americano Roosevelt, conhecidas como New Deal, que levaram à crise econômica no mundo.

❌ Incorreta: inverte causa e efeito; o New Deal foi o conjunto de políticas de Roosevelt a partir de 1933 justamente para combater a crise já instalada desde 1929 — não sua causa, mas sua resposta.

🏆 Gabarito: A — a Grande Depressão nasceu de um problema interno ao capitalismo norte-americano: o descompasso entre a produção industrial em expansão acelerada e a real capacidade de consumo, sustentado por uma confiança exagerada no crescimento contínuo do pós-guerra.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa A situa a causa da crise dentro do próprio processo econômico dos EUA no pós-Primeira Guerra, exatamente como Hobsbawm descreve ao chamar os EUA de "epicentro" do colapso.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a Crise de 1929 associada a suas causas (superprodução e especulação) e às respostas político-econômicas que ela gerou, sobretudo o New Deal e a ascensão do intervencionismo estatal.
  • Generalização: em questões de causa e consequência histórica, desconfie de alternativas que citam eventos posteriores ao fato analisado ou que apresentam como "causa" algo que na realidade é resposta ou consequência dele.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa com anacronismo (Guerra Fria antes de 1929) e qualquer uma que troque causa por efeito (New Deal como causa, quando foi resposta) — isso já descarta D e E em segundos.
  • Conexões: o tema dialoga com o New Deal e o keynesianismo (intervenção estatal na economia) e com crises capitalistas posteriores, como a de 2008, também originadas em bolhas especulativas.

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