Mapa de questões · 1º dia
Questão 11 — ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

No processo de criação da capa de uma revista, é parte importante não só destacar o tema principal da edição, mas também captar a atenção do leitor. Com essa capa sobre os desastres naturais, desperta-se o interesse do leitor ao se apresentar uma ilustração com impacto visual e uma parte verbal que agrega ao texto um caráter
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura multimodal, funções da linguagem e gêneros midiáticos (capa de revista)
- ⚡ Nível: Médio — a imagem impactante (vulcão em erupção) cria uma pista visual sedutora que pode empurrar o candidato para distratores como "místico" ou "fantasioso", exigindo atenção fina ao léxico do texto verbal
- 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre linguagem verbal e não verbal em textos midiáticos — competência de leitura e análise de recursos persuasivos usados para captar o leitor (Competência 2/Habilidade 7 da matriz do ENEM)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que caráter a parte verbal da capa agrega ao conjunto (imagem + texto), reforçando o impacto visual sobre os desastres naturais?"
- Palavras-chave decisivas: impacto visual, parte verbal, agrega... caráter
- Armadilha típica: deixar-se levar pela cena de explosão/vulcão e escolher "místico" (D) ou "fantasioso" (A) só pela dramaticidade da imagem, ignorando que o texto verbal se apoia em ciência e pesquisa, não em sobrenatural ou ficção
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de cruzar a leitura da imagem com o léxico do texto verbal e identificar o efeito de sentido conjunto — não basta descrever a imagem isoladamente, é preciso mostrar como as palavras reforçam (ou não) esse efeito
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Multimodalidade: textos midiáticos (capas de revista, anúncios, infográficos) combinam linguagem verbal e não verbal (imagem, cor, tipografia) que se complementam para produzir um único efeito de sentido; nenhuma das duas linguagens deve ser lida isoladamente.
- Função apelativa/conativa da linguagem: em capas de revista, o texto é construído para prender a atenção do leitor no ponto de venda, usando verbos de impacto, adjetivação forte e promessas de revelação ("saiba quais são...").
- Discurso alarmista: estratégia retórica que amplifica a percepção de perigo e urgência, geralmente por meio de personificação da ameaça (a natureza como agente hostil) e de vocabulário de guerra/ataque, gerando comoção e engajamento emocional no leitor.
- Legitimação pelo discurso científico: a citação de "pesquisas" e "ciência" não torna o texto místico ou fantasioso — ao contrário, ancora o alarme em uma autoridade racional, reforçando a credibilidade da ameaça anunciada.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "A Fúria da Natureza" → o substantivo "fúria" personifica a natureza como um sujeito dotado de raiva e intenção agressiva, não como um fenômeno neutro.
- Evidência 2: "as catástrofes estão mais frequentes e violentas... onde e como elas atacarão" → o verbo "atacar" transforma os desastres naturais em ações bélicas deliberadas contra o leitor, reforçando a natureza-inimiga.
- Evidência 3: "Saiba quais são os maiores perigos — e por que o Brasil é um dos países mais ameaçados" → o vocabulário de "perigo" e "ameaça" posiciona o leitor (e o país) como alvo vulnerável, fechando o ciclo do medo iniciado pelo título.
- Síntese: título, verbos de ataque e vocabulário de ameaça convergem para um único efeito: pintar a natureza como um agressor implacável, o que caracteriza um discurso alarmista — e é exatamente isso que a ilustração (explosão, fumaça densa, cidade sendo engolida) visualmente reforça.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler a imagem (linguagem não verbal)
A ilustração mostra uma cena de destruição em curso: fundo escuro, labaredas e clarões alaranjados irrompendo do solo, fumaça densa tomando o céu. As próprias letras do título "A FÚRIA DA NATUREZA" aparecem esculpidas em rocha e escombros, como se a paisagem estivesse sendo despedaçada pela força que dá nome à reportagem. Não há sinal de esperança, socorro ou solução — o enquadramento é o da catástrofe já acontecendo, com a natureza no papel de força incontrolável e devastadora.
Subpasso 4.2 — Ler o texto verbal e cruzar com a imagem
O título "A FÚRIA DA NATUREZA" nomeia a cena: a natureza tem "fúria", ou seja, é apresentada como um ser capaz de ira. A linha de apoio reforça esse quadro com verbos e substantivos de conflito: "catástrofes... mais frequentes e violentas", "elas atacarão", "maiores perigos", "país... mais ameaçados". Note que nenhum desses termos remete a fé, sobrenatural ou fim do mundo simbólico (o que seria místico/apocalíptico) nem a conselhos práticos de segurança (o que seria instrucional) — todos giram em torno de ameaça, perigo e agressão, validados por "pesquisas" e "ciência", isto é, um discurso racional que amplifica o medo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Juntando imagem (destruição visual explícita) e texto (léxico de ataque e ameaça), o efeito de sentido produzido é o de alarme: a capa quer que o leitor sinta que está em risco iminente diante de uma natureza hostil. Esse resultado bate exatamente com a alternativa C, que descreve a natureza como "agressor" e "inimigo temido" por sua "força de destruição" — confirmando o gabarito antes mesmo de descartar as demais opções.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) fantasioso, pois se cria a expectativa de uma matéria jornalística, com a natureza protagonizando ações espetaculares no futuro.
❌ Incorreta: o texto não projeta um futuro fictício ou espetacular gratuito — ele se ancora em "pesquisas" que "comprovam" e em ciência que "tenta prever", ou seja, reivindica factualidade e atualidade, não fantasia.
B) instrucional, pois se cria a expectativa da apresentação de conselhos e orientações para a precaução contra os desastres naturais.
❌ Incorreta: a capa promete apenas "saber quais são os maiores perigos", isto é, informação sobre a ameaça, mas não menciona qualquer orientação de prevenção, cuidado ou conduta de segurança — não há caráter instrucional no texto.
C) alarmista, pois se reforça a imagem da natureza como um agressor e um inimigo temido pela sua avassaladora força de destruição.
✅ Correta: o léxico de "fúria", "atacarão", "perigos" e "ameaçados", somado à imagem de explosão devastadora, constrói exatamente a natureza como agente hostil e ameaçador — a definição precisa de discurso alarmista.
D) místico, pois se cria uma imagem do espaço brasileiro como ameaçado por uma natureza descontrolada, em meio a um cenário apocalíptico.
❌ Incorreta: "místico" pressupõe apelo a crenças sobrenaturais, religiosas ou esotéricas; o texto faz o oposto, legitima-se pela ciência e pela pesquisa — o cenário é dramático, mas de base racional/científica, não espiritual.
E) intimista, pois se reforça a imagem de uma publicação organizada em torno das impressões e crenças do leitor preocupado com os desastres naturais.
❌ Incorreta: o foco do texto não são sentimentos ou crenças pessoais do leitor, e sim uma ameaça externa e objetiva (a natureza, o Brasil ameaçado) — não há voltar-se para o universo íntimo/subjetivo do leitor.
🏆 Gabarito: C — a combinação entre imagem de destruição e vocabulário de ataque/ameaça constrói um discurso alarmista, que apresenta a natureza como inimiga hostil do leitor.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a letra C nomeia com precisão o efeito produzido pela junção de imagem violenta e léxico de ameaça/ataque — as demais alternativas atribuem à capa intenções (fantasia, instrução, misticismo, intimismo) que o texto não sustenta.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a leitura de capas de revista, manchetes e anúncios, pedindo que o candidato identifique a função persuasiva/apelativa da linguagem midiática e o efeito produzido pela integração entre verbal e não verbal.
- Generalização: em textos multimodais publicitários ou jornalísticos, sempre busque o verbo e o substantivo mais "carregados" (de ataque, urgência, promessa) — eles indicam a estratégia retórica dominante (alarmismo, sedução, humor, instrução etc.).
- Dica de eliminação rápida: risque alternativas que mencionem elementos ausentes no texto (sobrenatural/fé → místico; conselhos práticos → instrucional; futuro fictício → fantasioso; foco emocional pessoal → intimista); o que sobra é o efeito realmente presente no vocabulário.
- Conexões: compare com questões sobre função conativa da linguagem em publicidade e sobre a construção de manchetes sensacionalistas em telejornalismo — ambas exploram a mesma lógica de amplificação retórica do perigo/urgência para prender a atenção do público.
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