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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 88ENEM 2017 PPLCaderno azul · 1º Dia

As intervenções da urbanização, com a modificação das formas ou substituição de materiais superficiais, alteram de maneira radical e irreversível os processos hidrodinâmicos nos sistemas geomorfológicos, sobretudo no meio tropical úmido, em que a dinâmica de circulação de água desempenha papel fundamental.

GUERRA, A. J. T.; JORGE, M. C. O. Processos erosivos e recuperação de áreas degradadas.
São Paulo: Oficina de Textos, 2013 (adaptado).

Nesse contexto, a influência da urbanização, por meio das intervenções técnicas nesse ambiente, favorece o

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Urbana e Hidrografia (ciclo hidrológico e impactos ambientais da urbanização)
  • ⚡ Nível: Médio — exige traduzir um texto com vocabulário técnico de geomorfologia ("processos hidrodinâmicos", "sistemas geomorfológicos") para o conceito básico de impermeabilização do solo urbano.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Impactos da urbanização sobre o ciclo hidrológico; competência de analisar transformações no espaço geográfico decorrentes de ações humanas.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Quando a cidade substitui solo natural por asfalto e concreto, qual processo do ciclo da água passa a ser favorecido?"
  • Palavras-chave decisivas: modificação das formas ou substituição de materiais superficiais, processos hidrodinâmicos, meio tropical úmido
  • Armadilha típica: confundir "favorece" com processos que a urbanização na verdade reduz — como infiltração, evapotranspiração e recarga do lençol freático — marcando alternativas que descrevem exatamente o oposto do que a impermeabilização provoca.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que a cidade impermeabiliza a superfície (asfalto, telhados, calçadas) e que isso muda o destino da água da chuva: menos água entra no solo, mais água escorre rapidamente pela superfície.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ciclo hidrológico e suas rotas: a água da chuva que cai sobre uma superfície pode seguir três caminhos principais — infiltrar no solo (recarregando o lençol freático), evaporar/ser absorvida pelas plantas (evapotranspiração) ou escoar sobre a superfície até rios e córregos (escoamento superficial).
  • Impermeabilização do solo urbano: ao substituir solo permeável e vegetação por asfalto, concreto e telhados, a cidade fecha as "portas de entrada" da água no subsolo, forçando a chuva a permanecer na superfície.
  • Escoamento superficial concentrado: em áreas urbanizadas, a água que não infiltra é direcionada por ruas, sarjetas, bueiros e canais de drenagem — um sistema artificial que concentra e acelera o fluxo, aumentando o volume e a velocidade da água em curtos intervalos de tempo (uma das causas centrais de enchentes urbanas).
  • Meio tropical úmido: regiões de chuvas intensas e concentradas, como grande parte do Brasil, sofrem esse efeito de forma ainda mais radical, pois grandes volumes de água caem em pouco tempo sobre superfícies que já não conseguem absorver nada.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "modificação das formas ou substituição de materiais superficiais" → refere-se diretamente à impermeabilização: solo natural, vegetação e relevo original são trocados por asfalto, concreto e edificações.
  • Evidência 2: "alteram de maneira radical e irreversível os processos hidrodinâmicos" → sinaliza que a dinâmica da água (infiltração, escoamento, evapotranspiração) muda de forma profunda e permanente, não é um efeito pequeno ou reversível.
  • Evidência 3: "dinâmica de circulação de água desempenha papel fundamental" no "meio tropical úmido" → reforça que o processo mais afetado é justamente o movimento da água — e, em clima tropical úmido, chuvas fortes sobre superfícies impermeáveis potencializam o escoamento.
  • Síntese: o texto descreve uma superfície que perdeu sua capacidade natural de absorver água. A consequência lógica é que a água, impedida de infiltrar, passa a escoar pela superfície de forma mais rápida e volumosa — conduzida ainda por um sistema técnico de drenagem (ruas, sarjetas, galerias) que concentra esse fluxo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que a urbanização faz fisicamente ao solo

A urbanização substitui solo natural, vegetação e materiais permeáveis por asfalto, concreto, telhados e outras superfícies impermeáveis. Esse é o núcleo do enunciado: "modificação das formas ou substituição de materiais superficiais". Fisicamente, isso significa fechar os poros do solo que antes permitiam a entrada de água.

Subpasso 4.2 — Rastrear o destino da água da chuva no ambiente urbanizado

Sem poder infiltrar, a água da chuva não alimenta o lençol freático nem é absorvida em subsuperfície. Ela também não passa, em proporção relevante, pelo processo de evapotranspiração (que depende de vegetação e solo exposto). O que resta é a água permanecer na superfície e escoar — e, em cidades, esse escoamento é canalizado por ruas, calçadas, sarjetas e bueiros, que funcionam como corredores artificiais que concentram o fluxo em poucos pontos (bocas de lobo, galerias pluviais, córregos canalizados).

Subpasso 4.3 — Verificação

Esse raciocínio explica por que áreas urbanizadas sofrem mais com enchentes relâmpago mesmo com chuvas de duração curta: o volume de água que antes se distribuía entre infiltração, evapotranspiração e escoamento lento agora se concentra quase inteiramente como escoamento superficial rápido e volumoso. Isso confirma que a resposta correta descreve exatamente esse fenômeno — o escoamento superficial concentrado — e não os processos que dependem de solo permeável (infiltração, recarga do lençol, evapotranspiração), que são justamente os prejudicados pela urbanização.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) abastecimento do lençol freático.

❌ Incorreta: o abastecimento do lençol freático depende da infiltração da água no solo, processo que a impermeabilização das superfícies urbanas reduz drasticamente, e não favorece — é exatamente o oposto do que o texto descreve.

B) escoamento superficial concentrado.

✅ Correta: com a superfície impermeabilizada, a água da chuva não consegue infiltrar e passa a escoar sobre o solo, sendo ainda direcionada e concentrada por ruas, sarjetas e sistemas de drenagem urbana — é precisamente esse processo hidrodinâmico que a urbanização intensifica de forma "radical e irreversível", como afirma o texto.

C) acontecimento da evapotranspiração.

❌ Incorreta: a evapotranspiração depende da presença de vegetação e solo exposto à umidade; ao substituir esses elementos por asfalto e concreto, a urbanização reduz esse processo, não o favorece.

D) movimento de água em subsuperfície.

❌ Incorreta: o movimento de água em subsuperfície (fluxo subterrâneo) só ocorre após a infiltração — como a superfície impermeabilizada impede a entrada de água no solo, esse processo é diminuído, e não estimulado.

E) armazenamento das bacias hidrográficas.

❌ Incorreta: o "armazenamento" sugere retenção e acúmulo gradual de água na bacia (em solo, aquíferos, vegetação); a urbanização faz o oposto — acelera o escoamento e reduz a capacidade de retenção natural da bacia, aumentando o risco de picos de vazão e enchentes.

🏆 Gabarito: B — a impermeabilização do solo urbano impede a infiltração e a evapotranspiração, redirecionando a água da chuva para um escoamento superficial rápido e concentrado através do sistema viário e de drenagem da cidade.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a letra B descreve um processo que a urbanização de fato intensifica; todas as demais alternativas descrevem processos que dependem de solo permeável e que são, portanto, reduzidos pela impermeabilização urbana.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente os impactos ambientais da urbanização — impermeabilização, enchentes urbanas, ilhas de calor, assoreamento de rios — sempre exigindo que o estudante conecte a mudança física da superfície (asfalto, concreto) às consequências no ciclo hidrológico ou climático local.
  • Generalização: em qualquer questão sobre urbanização e água, lembre-se da regra-chave: superfície impermeável = menos infiltração e evapotranspiração = mais escoamento superficial rápido e concentrado = maior risco de enchentes.
  • Dica de eliminação rápida: leia o verbo do comando ("favorece") e pergunte-se: esse processo depende de solo permeável? Se sim (infiltração, lençol freático, subsuperfície, evapotranspiração, armazenamento), a urbanização o prejudica, elimine a alternativa. Sobra apenas o escoamento superficial.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com "enchentes e inundações urbanas", "ilhas de calor urbanas" e "assoreamento de rios por sedimentos carreados pelo escoamento superficial" — todos consequências do mesmo processo de impermeabilização do solo.

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