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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 52ENEM 2017 PPL

O ganhador do Prêmio Nobel, Philip Fearnside, já alertava em estudos de 2004 que, como consequência do desmatamento em grande escala, menos água da Amazônia seria transportada pelos ventos para o Sudeste durante a temporada de chuvas, o que reduziria a água das chuvas de verão nos reservatórios de São Paulo.

SERVA, L. Para ganhador do Prêmio Nobel, cheias no Norte e seca no Sudeste estão conectadas. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 10 nov. 2014.

O fator apresentado no texto para o agravamento da seca no Sudeste está identificado no(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia e dinâmica atmosférica (Amazônia e circulação de umidade)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular um conceito específico (rios voadores) com um mecanismo de causa e efeito descrito no texto, mas o próprio enunciado entrega quase todas as pistas.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Circulação atmosférica e ciclo hidrológico amazônico; competência de leitura e relação entre fenômenos naturais e ação antrópica (desmatamento).
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual mecanismo climático, citado no texto, explica por que o desmatamento amazônico agrava a seca no Sudeste do Brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: desmatamento em grande escala, água transportada pelos ventos, chuvas de verão nos reservatórios de São Paulo
  • Armadilha típica: confundir o fenômeno descrito com os ventos alísios (circulação global de larga escala, alternativa A) ou com massas de ar polares (fenômeno de latitudes médias/altas, alternativa C), que nada têm a ver com o transporte de umidade originado na floresta.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecimento de que a floresta amazônica funciona como uma "bomba de umidade" — evapotranspira água que é carregada pelos ventos até o Centro-Sul do país — e que o desmatamento reduz esse fluxo, hoje conhecido cientificamente como "rios voadores".

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Rios voadores: correntes de vapor d'água geradas pela evapotranspiração da floresta amazônica (cada árvore de grande porte libera centenas de litros de água por dia). Esses fluxos de umidade são carregados pelos ventos alísios que entram pelo norte do continente, sobem em direção às regiões Centro-Oeste e Sudeste e descem como chuva, especialmente no verão, alimentando rios e reservatórios como o Sistema Cantareira, em São Paulo.
  • Desmatamento e evapotranspiração: menos árvores significa menos área foliar transpirando água para a atmosfera. Isso reduz o volume de vapor disponível para ser transportado, diminuindo a quantidade de chuva que cai a milhares de quilômetros de distância da floresta.
  • Teleconexão climática: conceito que descreve como um fenômeno ambiental em uma região (desmatamento na Amazônia) pode alterar o clima de uma região distante (estiagem no Sudeste), via mecanismos atmosféricos de grande escala.
  • Diferença entre ventos alísios e rios voadores: os alísios são correntes de vento que sopram dos trópicos em direção ao Equador (fenômeno de circulação geral da atmosfera, praticamente constante); os rios voadores são o vapor de água que esses ventos carregam ao passar sobre a floresta — é o conteúdo de umidade, não a direção do vento, que está em jogo no texto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "como consequência do desmatamento em grande escala" → o fator causador do problema é a redução da cobertura florestal, não uma mudança na trajetória dos ventos.
  • Evidência 2: "menos água da Amazônia seria transportada pelos ventos para o Sudeste" → o item que diminui é o volume de água (vapor) que os ventos levam — exatamente a definição de rios voadores em queda de intensidade.
  • Evidência 3: "o que reduziria a água das chuvas de verão nos reservatórios de São Paulo" → a consequência final é a escassez hídrica no Sudeste, fechando a cadeia causal: menos floresta → menos evapotranspiração → menos vapor transportado → menos chuva → reservatórios mais vazios.
  • Síntese: o texto descreve, sem nomear tecnicamente, o fenômeno dos rios voadores: a Amazônia "bombeia" umidade para o Sudeste, e o desmatamento reduz esse bombeamento, agravando a seca em São Paulo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o processo físico narrado no texto

O texto de Philip Fearnside descreve uma cadeia de causa e efeito: (1) desmatamento em grande escala na Amazônia → (2) menos água transportada pelos ventos para o Sudeste → (3) redução das chuvas de verão nos reservatórios de São Paulo. O elemento central dessa cadeia é o transporte de água pela atmosfera partindo da floresta amazônica — isso é exatamente o mecanismo dos "rios voadores", correntes de vapor d'água que a floresta libera por evapotranspiração e que os ventos carregam até o Centro-Sul do Brasil.

Subpasso 4.2 — Relacionar o mecanismo à causa apontada (desmatamento)

Quanto mais árvores são derrubadas, menor é a área de copa disponível para evapotranspirar água para a atmosfera. Isso reduz diretamente o volume desses "rios voadores". Como esse vapor seria, em condições normais, transportado para o Sudeste e precipitado como chuva de verão, sua redução diminui a recarga dos reservatórios paulistas — como o Cantareira, historicamente dependente das chuvas de verão para se encher.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando a cadeia causal do texto com as alternativas, apenas a opção que menciona diretamente a queda no volume de água transportada pela atmosfera desde a Amazônia (redução do volume dos rios voadores) reproduz fielmente o mecanismo descrito por Fearnside. As demais alternativas trazem fenômenos atmosféricos reais, mas que não são o que o texto narra: mudança de direção de ventos, ação de massas polares, retenção de umidade nos Andes ou alteração de gradientes de pressão — nenhum desses é o "transporte de água pelos ventos vindo da Amazônia" citado explicitamente no enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) redirecionamento dos ventos alísios.

❌ Incorreta: os ventos alísios sopram continuamente dos trópicos para o Equador e não mudam de direção por causa do desmatamento amazônico. O texto não fala em mudança de trajetória do vento, mas em redução da quantidade de água que esse vento carrega — são coisas distintas: um é o "veículo" (o vento), outro é a "carga" (a água transportada).

B) redução do volume dos rios voadores.

✅ Correta: os rios voadores são os fluxos de vapor d'água gerados pela evapotranspiração da floresta amazônica e levados pelos ventos até o Sudeste. O desmatamento reduz a evapotranspiração, diminuindo diretamente o volume desses rios voadores e, consequentemente, o volume de chuva que abastece os reservatórios de São Paulo — é exatamente a cadeia de causa e efeito descrita no texto.

C) deslocamento das massas de ar polares.

❌ Incorreta: massas de ar polares (como a massa polar atlântica) influenciam o clima do Sul e, ocasionalmente, do Sudeste do Brasil por meio de frentes frias, mas não têm relação com o desmatamento amazônico nem são mencionadas no texto. O fenômeno narrado é de origem tropical/equatorial, não polar.

D) retenção da umidade na Cordilheira dos Andes.

❌ Incorreta: os Andes de fato atuam como uma barreira orográfica que redireciona os ventos úmidos vindos do oceano Atlântico e da Amazônia para o sul e sudeste do continente — mas essa retenção é um elemento estrutural da circulação, não a causa do agravamento da seca citada no texto, que é o desmatamento reduzindo a água disponível antes mesmo de ela chegar à cordilheira.

E) alteração no gradiente de pressão entre as áreas.

❌ Incorreta: gradientes de pressão explicam a formação e a intensidade dos ventos em geral, mas o texto não menciona pressão atmosférica; ele foca especificamente na quantidade de água transportada pelos ventos, que é reduzida pelo desmatamento — um fator ligado ao volume de vapor d'água, não à dinâmica de pressão.

🏆 Gabarito: B — o texto descreve precisamente a redução do volume de água transportada da Amazônia para o Sudeste pelos ventos, mecanismo hoje identificado como "rios voadores"; o desmatamento diminui a evapotranspiração florestal e, com ela, a chuva que reabastece os reservatórios paulistas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra B é a única alternativa que traduz o mecanismo exato citado no texto — transporte de água pelos ventos vindo da Amazônia sendo reduzido pelo desmatamento — enquanto as demais descrevem fenômenos atmosféricos reais, porém desconectados da causa apresentada.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente relaciona desmatamento amazônico a impactos climáticos em outras regiões do país, testando se o estudante entende a Amazônia como parte de um sistema climático integrado ao restante do território nacional, e não como um bioma isolado.
  • Generalização: em questões de teleconexão climática, sempre volte ao texto para identificar QUAL elemento da cadeia causal (vento, umidade, pressão, temperatura) está sendo alterado — a alternativa correta deve nomear exatamente esse elemento, não apenas citar um fenômeno atmosférico plausível.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem fenômenos sem relação de causa com o desmatamento (massas polares, gradiente de pressão) e alternativas que trocam "quantidade de água" por "direção do vento" (ventos alísios) — sobra a opção que fala em volume de água transportada.
  • Conexões: desmatamento e mudanças climáticas regionais; crise hídrica de São Paulo (2014-2015) e o Sistema Cantareira; ciclo hidrológico e evapotranspiração florestal.

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